quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Chamo-me Raimundo!





















O que foi a minha vida,
Senão um turbilhão de coisas mal pensadas?

Alusões pesado-Cheias
Cheias de ilusões cheias.

Não me engano
Se enganado me admito.

O que foi o meu tempo,
Senão um semáforo cheio de cores?

Sinto que chego ao limite
Da luz inteira sobre o mundo.


E o mundo não é mais que um segundo
O fundo é inteiramente profundo
E o impacto disso
pesa feito chumbo.

terça-feira, 2 de junho de 2015

O menino



De cima, lá do morro da minha casa
Desce um menino mal trajado e sujo a gritar:
- oi que to lá e to!
Ouço paralisado e o arremedo em pensamento.
- oi que to lá e to!
Que nada em mim significa nem nele.
Desce caindo como um bêbado,
Vazio, áudio-tensor.
Lá vem, de cima do morro, o menino sujo,
Grita:
- oi que to lá e to!
Chega a casa, desafiado pelo pai:
- onde está o dinheiro?
E de pronto vem uma resposta em sopitada:
- oi que to lá e to!
Num breve instante o homem dilacera
Uma palavra de aço mais um punhal de fumaça,
Enche os pulmões e significa ódio:
- oi que nada to em cada mim!
E o menino então se deita sobre o chão,

Alimenta-se e vai para o brejo do seu país.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Um fevereiro desses


Vinha vindo uma multidão
Em turbilhão de imagens transversais.
Banais? Eu era parte inteira
Ou metade.

Era um lixo à frente
Era um queixume de nojo
Era um broto torto
Deformado e intenso.
Era o poder contra o povo.

E a multidão vinha vindo no temporal
Com chuva mansa
Com rosas inteiras
Com bom coração.

À frente era podridão
Era um grito de rebeldia
Era por completa a nostalgia
Era também o camburão
Era mordida de cão
Era pimenta nos olhos
Borracha e:
- Chão!
À frente era governo
Era alegria[...] silêncio!


Atrás era falta dela
Atrás Vinha uma lição
Vinha uma voz uníssona
Vinha uma luta (...)
Era inteiramente linda
A Luta
Pela educação.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Velhos relâmpagos



Sobre relâmpagos e trovões
Paira em mim, inda minhas restas solidões;
E assim entendo que os velhos relâmpagos
Também são velhos solitários;
Eles anunciam uma dor;
Esquartejam horror
E espalham temores;
E mesmo...
Suas faces iluminam essa folha de papel
Para, entre penúltimas memórias entrelaçarem-se
E... Acontecerem.