sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A esperança analisada entre o viés da lucidez e da embriaguez




PARTE I – O ENCONTRO
Se por ventura eu te encontrasse num bar, bêbado
E te levasse aos lábios um beijo sólido
Tu, tímida, me dirias que estivesse eu louco
Quase morto de paixão e aflito e desesperado

Porque envolto a um lado profundo
Como um mar sem aparições nem sonhos
Conquanto assim, tu também me beijarias
Por tempo indeterminado.

PARTE II – O BANCO E A CHUVA
Tímidos e soltos, nós em meio a uma chuva
Após a tarde sentados em um banco qualquer
E tu serias a rainha de toda e qualquer mulher
Sobre um mundo que se faz presente em
Instantes eternos meramente certos.

PARTE III – A ESTRELA
E a Estrela que brilharias em teus dentes
Um mito, fingiria eu tão completamente
Porque poeta teria de um dia ser.
Amargurado pelo desprazer de uma vida
Inteira pela frente e pelo quebranto
Das horas que me botariam em certezas desertas
Por um instante de amor.

PARTE IV – A METAMORFOSE HUMANA
E se brilho como a tua luz a de saber
Eu prefiro entender aos poucos
Que a sensatez é um pouco parte liquefeita
Da nossa coragem. Da nossa imensa coragem
Em amar aos poucos até chegar à hora certa.
Com certeza de que o poema
Valeu-se dos minutos inteiros,
Adiciono um quarto de esperança
E brandura para que de tua tristeza
Se faça alegria e de tuas lágrimas
Luzes de nostalgia e esperança.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Emancipação



Não existe testemunha mais terrível – acusador mais poderoso – do que a consciência que habita em nós (Sófocles).

Foi quando te chamei pelo nome. As mesmas palavras de sempre e se eu dissesse coisa desigual estaria tudo acabado. Vivi ali naquele lugar com aquele homem por uns três anos, depois ele achou outra mulher, foi-se embora. Não mais o vi. A vida da gente é assim, as pessoas entram em nossa vida e de uma hora para a outra, sem hesitar, se vão como nuvens passageiras. Sofri, não minto, mas, sofri calada, em leves choros perdidos daqueles que doem o peito e que dão o prelúdio para as lembranças e tédios. Sofri comigo mesma para não espantar as amizades.
Hoje convivo comigo e não sei quem sou. Tenho pena e medo de mim. Depois do meu último contato com aquele homem nunca mais fui a mesma mulher. Lembro-me do seu jeito de ler, de falar seriamente sobre as coisas do mundo, de seus sofrimentos, enfim. Eu o matei. Não é isso o que pensa? Não, eu simplesmente o matei dentro de mim e esta é a pior das mortes. Enterrei-o com direito a velas e missa.
Agora estou esganada e sem nada para fazer. É um tédio morar aqui sozinha. Eu não sou sozinha. Tenho minhas amigas que de vez em quando vem aqui. Esse meu desespero não me engana, eu sou mais simples do que os meus atos hipócritas. Assassinei um homem dentro de mim e criei depois disso uma sombra de estilhaços e palpites furados. Agora sou modesta, furtiva. Roubo fácil, mato fácil, faço fácil e mesmo assim não me vejo como uma mulher fácil, simplesmente uma célula de coragem. Um ponto na vertigem que se parece comigo quando me vejo no espelho.
Mudei, mudei muito e vivo num país que muda a cada segundo. O meu Brasil tem um jeito manso que é só seu, e que me deixa louca, sempre. É muita pressão. As greves, a política, a religião e eu? O que faço com estes números? Eu estou a saborear as negligências de um Estado corrupto em que as condições de vida são péssimas, estou a aplaudir o meu povo que se lamenta e se bajula e me chama de puta, mas, que no fundo me adora. Às vezes me arrependo e outras vezes me compreendo, embora isso nada signifique a você leitor ou leitora, eu continuo meu delírio. Para se ter noção as despesas de anos anteriores não pagas pelo governo chegaram a R$ 85,543 bilhões. O valor foi divulgado nesta sexta-feira em edição extra do Diário Oficial da União, no mesmo decreto que detalha o corte de R$ 55 bilhões nos gastos deste ano. E eu querendo pôr silicone, que vida cruel. Eu sem dinheiro e sem jeito. Não tenho culpa, a culpa é de minha cultura, do meu lazer, a culpa está à minha volta e não em mim. Vejo-te hoje cedo e te chamo de volta para morar comigo, você descobre que está perdidamente apaixonado mais uma vez por mim e nos beijamos, meus lábios carnudos encostam-se aos seus e nos abraçamos como da última vez na praça. Vamos juntos embora e sem culpa alguma nos matamos. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Lembranças

Dos tempos idos
Hoje distantes de mim
Relembro-me dos motins da escola
E às nove horas quando o sol se apurava ao horizonte.
 E se dos cabelos longos
A minha imagem se fizesse em demora
Eu lembraria quantas vezes (possível)
Da aurora e das geadas em cima da grama.
 E o cãozinho que latia
E a música que tocava
E a imensidão de vida que havia
E o medo que me implorava
E a presença que me pausava [...]
 Os momentos passados
Jamais serão esquecidos
Pois estes instantes que foram vividos
De forma tão intensa no meu coração
Estão perfeitamente vivos.
 E a memória que deles se faz presente
É a prova maior de que
 São uma Estrela que brilha
Intensamente e nunca,
Ainda que tudo aconteça,
Nunca perderá sua luz.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mina

Sou um cara modesto, mina. Quando nos casarmos iremos morar no parque da lagoa. Lá a vista é linda. É um lugar tranquilo. De vez em quando têm algumas mortes, mas, tudo por causa do trafico da região. Agora tenho meu próprio negócio, meu próprio lucro. Afinal de contas, a política nacional me rendeu uns bocados. Não faço mais parte do sistema de corruptos do país, agora são eles fatia esquecida em minha vida. Roubei o que pude e renunciei o posto, coisa facílima. Quero me aderir a uma cadeira na academia de Letras, com dinheiro conseguirei, é lógico. Estou aprendendo a escrever ficção, as pessoas se vidram nisso. Logo, logo farei novela e derrubarei a Fina Estampa. Quero algo mais imposto, com menos metáforas e mais saúde. Estou farto das indiretas metáforas de personagens para uma nação que ainda não aprendeu seu verdadeiro sentido. Desejo a verdade nua e crua e com nuances de sobremesa. Quando a gente ficar junto, mina, teremos uma casa em Paris, já estou de olho em novas construções no Fontenay-sous-Bois. É um bairro nobre e isso combina com você. Seus olhos se deliciarão com tanta beleza. Embora eu sinta por vezes qualquer tipo de tristeza, você me alegra e isso contagia um mundo ao nosso redor. Agora estou tranquilo na vida, invisto em reality shows. Coisas como a porcaria do Big Brother. Estou ganhando dinheiro como quanto chove em Curitiba. As pessoas se vidram nestas futilidades. E não acaba assim, pois comprei uma rádio na qual só se tocam podridões, músicas deploráveis e é lá que vem minha renda extra. Como as pessoas gostam de coisas ruins, eu adoro. É isso, mina, o nosso tempo é infinito, agora as coisas estão no rumo certo. Estou para receber uma quantia ilustre de dinheiro por um processo em que um professor mesquinho falou mal de minha pessoa, onde já se viu uma coisa destas? Logo comigo? Ele terá o que merece. Hoje o pessoal, meus funcionários da rádio convocaram-me para uma entrevista ao vivo, quero vestir meu mais belo paletó, minha gravata cor de abóbora e lá me vou. Minha dialética entrecruza pelo sacrifício e sensatez, e, no entanto, não sou nada disso, apenas digo o que e vem na lata. Vamos parar de palhaçada, isso está ficando estúpido. Dê-me licença.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Jeitos

O que há de ser o tempo Senão um turbilhão de acontecimentos? E se passamos nós, humildes, por tantas loucuras Que se diferem e ferem nosso âmago E no fim, a propósito, o que se diz? Diz o que diz e nada mais. O que se faz hoje é falta do que fazer amanhã. A arte, o compromisso, o trabalho, a política Tudo anda uma tremenda avacalhação [...] E os disparos da polícia não chegam ao planalto. É um impróprio tiro ao alto Um grito no pé. E se se curar da constipação ou do chulé Ninguém mais se lembrará de ti. Fica o recado Que jogar pro tédio não compensa Ao final cada um terá a merecida recompensa Dispenso a rima Não ria Nem chore. Cante. E desta feita passamos nós, humanos, por demasiadas loucuras.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Chamo-me Brasil

Uma menininha perguntou-me qual meu nome, respondi de pronto, Manuel. Sei lá porque Manuel, apenas Manuel. Encontrei-a numa estrada vazia onde numa esquina havia uma vadia a desvairar-se de álcool e crueldades. Continuo a caminhar pela ruazinha sinuosa e turbulenta, meio obscura e depois de alguns instantes aparece à minha frente um policial, levanto as mãos ao alto e ele, cabisbaixo diz: “Estou de greve, não estou a trabalho, vagabundo”. Continuo minha trajetória. Em seguida encontro-me de frente com um incêndio, uma mãe desesperada diz que seus filhos estão dentro da casa e pede-me para salvá-los, não ouço seu pedido e os bombeiros estão em greve também. O Sindicato paralisou tudo. Depois me vejo atrelado a inúmeras crianças diante de uma escola abandonada em que um mato cresce devastadoramente, Improviso um ponto de interrogação sobre minha cabeça e nisso, um menino de mais ou menos oito anos me puxa pela calça e diz: “Não tem aula moço, não tem fessor”. Coloco minhas mãos no bolso e finjo não ouvir. Meu caminhar torna-se mais lento, meu pesar me crucifica e eu vou indo pela beira da rua, sem direitos, sem deveres e sem rumo. Depois presencio um estupro nu e cru na periferia da cidade. Drogas são levadas como se fossem flores e jovens gritam sem razão. Um palhaço amedrontador tenta roubar-me sem êxito, pois fujo rapidamente e me escondo num restaurante chinês. Embora aqui ninguém me ouça eu grito desvairadamente e louco por completo me ponho no calçadão da XV à procura do desconhecido. Ali, manifestantes com bandeiras roubam minha coragem e, logo acima, na Boca Maldita gays e lésbicas paralisam as ruas com suas dialéticas e reflexões sobre um mundo melhor e sem preconceitos. Neutro, sento-me num banco da praça, vem uma menininha e pergunta-me pelo meu nome, fico mudo, triste e reluzente como qualquer dia de abril. Ela leva de mim o que me resta, pergunta-me, aos poucos, mais uma vez pelo meu nome, digo impacientemente que me chamo Brasil.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

História e mistério sobre a Ilha de Páscoa

Há no histórico de que em 05 de abril de 1722, um capitão vindo da Holanda chamado Jacob Roggeveen desembarcou com seu navio em uma ilha chamada por “O Centro do Mundo”. Este nome foi mudado pelo capitão para Ilha de Páscoa. Localizada a 3500 km da costa do Chile, é a ilha inabitada mais remota do mundo com três vulcões extintos. Tem-se um relato na história de que os viajantes polinésios das Marquesas, ou ilhas da Sociedade, habitaram esta ilha. Estes habitantes levavam consigo culturas religiosas e artísticas. Ao passo que a população aumentou, a cadeia alimentar foi quebrada, tendo como resultado a fome e até mesmo o canibalismo. Os sobreviventes foram recrutados como escravos e levados a terras do Peru e Chile. A maior especulação tem sido em busca da história sobre seu desenvolvimento cultural. Uma vez que a ilha é constituída de rocha vulcânica, os primeiros habitantes extraíram o material e formaram estátuas gigantes, algumas com até 5 metros de altura e com peso aproximado de 14 toneladas. Os moradores da ilha transportavam essas rochas por toda a ilha já em 700 d. C. A maior parte das estátuas mantidas está alinhada em um percurso de frente para o mar. O culto da estátua simbolizava o domínio e poder masculino pela estrutura social dos moradores, não somente força e estatura, mas, os nativos criam que as estátuas eram habitadas por um espírito sagrado. A existência da Ilha de Páscoa tem alimentado inúmeras teorias, porém, não há respaldo científico para elas. Há no contexto histórico o relato de que frotas de navios carregando elefantes tinham sido levados para fora da rota por tufões e terminaram na ilha. Então, os elefantes teriam sido usados como os músculos por trás do movimento dos monumentos. Também há o relato de que a Ilha de Páscoa transmitia energia para o México e América do Sul. Sugere-se que as mensagens encontradas nas estátuas são diagramas que explicam como fazer cópias delas em três dimensões. E há, ainda, o grupo de teóricos que acredita que a ilha seja um continente afundado. Sopre o mistério da ilha, já houve alegações sobre campos de energia mística instalados sobre seu redor e até sobre influência alienígena. As estátuas de frente para o mar refletem o estado sobre o homem que está sempre a pesquisar e buscar um lugar de paz e harmonia. Embora, talvez, seus reais construtores tenham dado outros significados, hoje, uma sensação de perda permanece. Por fim, deu-se a notícia de que as grandes estátuas da Ilha encontram-se vizinhas de textos hieróglifos em seu interior e, além do mais, a notícia de que tem corpos esculpidos. Então, pelo que vejo, estas estátuas tenham sido submersas com o passar dos tempos e hoje, nos tempos idos, novas portas se abrem para desarmar algumas objeções passadas.
Fonte: http://www.allaboutpopularissues.org/portuguese/historia-da-ilha-de-pascoa.htm

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Pensamento em dia

"O amor é o ofício dos filósofos. Se eu te amo, então, neste caso, o amor é dizível e alimentado por algo invisível, porque o amor, como o sonhar e o ter alegria, é tão profundo e divino quando a imensidão do céu com suas estrelas"
.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Três acordes no bar

Estou no Bar da Splinter, abasteço-me de um álcool solúvel e intrigante. Não demora muito chegam três moleques de preto, um com a camiseta do Nazareth, outro com a do Guns e o último, mais metal, com a do Black Sabbath. Viro meus olhos para enxergar melhor e, neste ponto, os caras se adentram no boteco e cumprimentam-se docemente. Quem vê cara não vê coração, não é? Então, dentro de poucos instantes inicia-se um diálogo mais ou menos assim: “Cara, sei lá, viu, eu to enrolado com uma mina, mas, ela é doida, fuma que nem desgraçada e não pensa muito, é só curtição, to fora”, enquanto os outros como psiquiatras já velhos de casa dão indicações: “ E eu? Oras, deixei disso, meu. Eu tava casado com uma aí, fiquei um ano. Olha só, enquanto eu comprava uma cueca ela queria três calcinhas, aí não tem bolso que aguente” . Aos poucos intercalo aquelas vozes em meu cérebro como se fossem frutas num liquidificador, consigo imaginar o que se passa em cada pensamento daqueles meninos, porque fui roqueiro também, porque fui como eles, também. Papo vai, papo vem e eu aqui, no silêncio. Até que na quinta cerveja eles se alinham numa filosofia primordial, iniciam uma conversa sobre a bíblia: “cara, pra você ter ideia, a mulher inventou a mentira, por quê? Porque quando Deus perguntou pra Eva quem comeu o fruto proibido, ela de pronto respondeu: ‘foi a serpente’, que serpente o quê, isso foi papo furado”, então um silêncio rompeu-se no melindre. Cada qual em seu canto e um bêbado equilibrista do outro lado da porta a observar atento o romper do sol junto dos três filósofos roqueiros. Acho que os meninos devem ter alguma banda, só pode. E no fim, depois de umas duas horas quando eu, a passar dos limites em meus goles, um deles diz: “Oh, hoje minha tia vai fazer um churrasco lá na chácara, vamos?”, e de resposta: “Sei não, meu. To duro, sem um tostão”, então há um retruque: “Eu pago cara, peço para ela buscar a gente aqui, e não esquentar a cabeça”. Contudo, há um silêncio que intermedia as horas sem voz e vem outra resposta: “Então, vamos lá cara, vamos, sim”. O de camiseta do Nazareh é o patrocinador da festa, pagará, além do churrasco, a locomoção dos brothers mais estadia na casa da tia. Eu rio e me apreendo no fim da conversa. “Vamos vazar?”, de retorno vem um sim indiscreto. Iniciam uma busca fantasiosa de dinheiro nas carteiras, carteiras estas só com uma identidade novinha em folha e um CPF azulão. Cada um retira suas moedas, põem tudo sob a mesa e por incrível que pareça, o dinheiro paga na tampa, inacreditável. Se despedem e se vão. Depois daqueles instantes de alienação me despido também e me vou, bons tempos foram os de moleque sem um tostão furado, em que três acordes faziam um som perfeito.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Se eu soubesse

http://www.youtube.com/watch?v=M7Ej1bSIMzs
E eu? Agora digo que se pudesse não ia fazer nada por você. Nem quereria ouvir seu nome mas, e daí? Lari ri! La rá rá! Sei não, viu. Quando diz estas coisas de não mais querer me ver eu fico aflito, quase morro. Mas já sou bem adulto e não lamento ao mundo, só pro vento mesmo. De nada adianta sair a reclamar das coisas, se nada modifico. Contudo, eu ainda lembro de você a dançar pela praia, a girar a saia perto da Lagoa. Eu, sim, vivo com a cabeça na lua e também te amo. Depois do dia em que saímos juntos fiquei pasmo, pois bem, te dei mole e viu no que deu!? E se dorme nos braços de outro? Falta-te coragem, não é mulher obstante para defender seu ponto crucial. Bom, bom, bom... Rico de mim, neste caso, sonhar contigo toda vida. Ah, se eu soubesse também fugiria com você, só que naquele tempo eu nem sabia de nada, eu era tão sem maldade. Ora, poderíamos ter deixado tudo pra trás, e agora está você com essa cara de tacho mal lavado a pensar em minhas coisas e sem falar comigo. Agora aqui estou a passear sozinho pelas tardes no Leblon, a caminhar palpitante sob suas areias soltas e leves. Aqui estou a beber minha água de coco e a observar o horizonte longe, quase liquefeito e pronto pra me pegar. Ah, se eu soubesse não te diria nada do que digo, não faria nada do que faço, mas, acontece que eu saí por aí e aí, lari ri, la rá rá! Bom, bom, bom... Vou ficando assim, você cada vez mais longe de mim e a Lagoa próxima junto de meu banquinho na sombra. Afinal, não tenho mais idade para lamentações. Saio a passear mais um pouco e já é hora de voltar. Ainda não tenho amigos, corro perigos, tem tanta areia aqui. Meus pés estão sujos demais. Casou-se com outro? Eu rio a toa quando lembro que não queria cair na minha conversa mole. Eu nunca fui muito certo da cabeça. E quando você disse isso, pirei de vez. E acontece que sorriu para mim, e aí, lari ri, la rá rá!!! Sei lá, viu. Bom, bom, bom...hein, vou ficar assim.