quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um comodismo torto


Existe, na sociedade brasileira, um comodismo absurdo das pessoas com relação à política. O povo se compara de certa forma, à mesquinhez da reles enganadora e acaba, por fim, dando-se mal. Está na hora das pessoas começarem a ver e entender que o buraco é mais embaixo. A mídia engana? É lógico que talvez. Mas o pior de tudo que o telespectador se deixa enganar, isto é que é absurdo e cruel. Os jovens de hoje não se comprometem mais com o país, uma das causas é a comodidade na sociedade contemporânea, a sociedade do caos que se organiza por e para ele. A repugnância hoje está em se diminuir ainda mais perante o poder, mas quem somos nós para o poder? Vivemos em uma democracia? Não deveriam existir razões para tudo o que é de pior acontecer, mas como o Brasil se vende, cria suas próprias razões para em seguida lançar como consequência dos desastres. Nenhuma carta, nenhuma lei fará a decadência esteja no patamar elevado, a não ser o miolo da sociedade emergir de um lugar submerso pelo desespero e iniciar uma fragmentação analítica do que está havendo a sociedade brasileira. O povo é cômodo, por isso sempre diz sim. “A televisão de deixa burro, muito burro demais”. A TV é uma bactéria que invade as casas e retira cognições de conhecimento e sabedoria do ser - humano. Por isso somos relapsos e inventamos as coisas quando elas não existem. E cada vez mais, por incrível que pareça, os livros estão sendo trocados pelas telenovelas da Globo. A única força que pode modificar este quadro, é a do povo que trabalha e luta pelo bem de todos, sem individualismo nem burocracias. É a nossa ordem e pronto.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O mundo se suporta



Meus ombros não suportam mais o mundo
Um homem sem raça e sem cor, sem nada.
Meus pés não pisam mais no chão
Um homem sem país e sem mulher.
Os ônibus passam, as praças param,
As nuvens passam e o céu parado.
Fixo, lá no alto, se vê um milagre
Que tem forma de azul anil,
Me repreendo e volto à minha mesa. Meu Brasil!
Meus braços não aguentam mais o território.
Um homem sem luz e sem lua.
Chame a quem quiser ou grite o que puder,
Não resultará em nada e nem aos troncos
do seu busto. Meu orgasmo será o tédio de cada dia
porque meus ombros nada mais suportam.
Depois do rumor ecoará às ruas da cidade um santo nome
Que estará oculto em fragmentos mínimos.
Serei, no entando, chamado pelo nome esquecido
E não viverei mais tanto quanto quisesse.
Um homem que não suporta o mundo nos ombros
Não tem direito de morrer. Vive sempre no direito
de pousar nú onde quiser, em qualquer lugar nenhum.
Entre a sombra, a loucura se apaira, no mesmo tempo
Em que dentro de mim emancipa-se um sóbrio gosto
de sorte com a embriaguez d'outrora.
Meus ombros não suportam-se.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

In memoriam


Em memória de mim mesmo
acreditei nas palavras que fugiam de tua boca.
E quase rouca, tu gritavas agitada meu nome
i n c e s s a n t e m e n t e

Parei na avenida! num outdoor lia-se um termo:
Absurdo na encruzilhada.
Em páginas viradas das lembranças, nada,
absoluto silêncio.
Acredito agora que o meu caminho será
em direção ao teu simples caminhar.

s i n c e r a m e n t e

Em memória de mim mesmo
acreditei no meu e no teu de nós em como sou.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A curva do tempo

Tenho um milhão de novidades sobrando
num espaço mínimo e torto.
Nesse espaço guardo minhas lágrimas
que de tempo em tempo se renovam.
As minhas novidades são as mesmas
verdades transcorridas no século 9.
Me acho um díspare solto
um homem cheio de sonhos
que se vão anunciando o alvoecer
de cada pensamento meu. Se me equivoco
Perdoe-me. Perdoe-me. Perdoe-me. Perdoe-me.
No mesmo espaço que eu tenho
Sobram mais de mil sombras sentidas
Num batimento incerto do coração. A mente
Se faz santa e o meu ombro começa se aniquilar com ose fosse um arrepio.
Eu sinto meus cabelos distantes. Minha distância se aproxima e o meu passado
Debate-se dentro de mim num tom mirabolante.
Sem direção. Sem volante de viver eu me caio.
Me guio. Desguio. Aguento e se bebo água, depois em algures.
Em algum lugar ei-de me encontrar destronado.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Traços de um caminho

Brilha uma estrela indulgente no meu coração,
Brilha um ânimo cruel e límpido e ao mesmo tempo
Recria-se uma lata de sonhos dentro dos meus sonhos.
Meu estágio em forma dada
Como se fosse uma vez, duas ou três.
Somente um atrito dilatado.
Um metro cúbico de sentimento
Ao relance de um tormento
Meu mundo se transforma em um só tempo
Em harmonia e descontrole.
Agora, se eu quero mesmo saber quem eu sou,
Eu já não posso lhe contar,
Não tenho carro nem estrada,
O universo gira em torno do meu sentido.
Sou singular quando não vivo.
Meu estágio em forma de prisma
Faz-se de tríade dentro de três a dois fatos:
Caminhei, caminho e caminharei.
Um dia, quem sabe, nesta caminhada
Eu chegarei ao lugar sem nome,
E de tanto caminhar, talvez, eu ganhe
Uma sobra de solidão no coração.