segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Homenagem Natalina



Caríssimos,

Embora pareça uma ideia falseada a do natal, considerada em condição de festividades antiguíssimas e, além do mais, pagãs, temos acima de tudo uma representação sublime: a do nascimento de Jesus. Natal significa Aniversário. Não somente isto, pois é o Aniversário da inexpressível alma que habitou/habita nosso mundo, conservando a humildade e caridade como aspectos triunfadores para uma nova vida. O nascimento significa começo, início de algo novo e que pode ser direcionado a uma estrada mapeada a qualquer instante pelas mãos humanas. Nossas mãos movem os caminhos pelos quais passamos e nossa fé, ainda que dura como as pedras e pequena como migalhas, move montanhas. Somente os seres de extremada fé conseguem chegar ao ápice de sua montanha da vida, já que esta é comparada a grandes rochedos que, quanto mais subimos, mais a visão se deslumbra por entre os bosques e mais perigoso torna-se pelo fato de, a qualquer momento, sofrer-se uma queda. A fé traz luz e paz, anima e dá coragem, como o próprio Cristo deixou explícito: “Tua fé te salvou”(Lc. 18:35-43). Ainda que pareça um assunto laborioso e velho, é mais novo do que se imagina. Tão somente que quem busca a verdadeira paz é que consegue adentrar de forma limpa e honesta no seu próprio céu. O paraíso existe dentro de cada ser, e sua ausência, por conseguinte também pode se fazer presente nos corações que buscam a miséria e a lamúria. É difícil tratar de um assunto de milênios sem se remeter à sua história, mas o mapa está ressaltado em ambientar nestas palavras somente a fé em sua religião (entende-se religião, neste caso, como aspecto de se relegar a Deus, Sem hierarquias), retirando quaisquer critérios científicos. INRI: Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus, é o modelo representativo perfeito de humildade e compaixão, modelo de soberania e combate ao mal que tanto oprime as sociedades nas diversas épocas da vida. “Se queres paz, prepara-te para a guerra”. A guerra, neste caso, entendida como modelo de rejeição à luta, modelo de compromisso somente com o bem e as virtudes de nossa existência. A paz é produto inestimável de qualquer um e sua essência está no dia-a-dia. O natal está próximo, apenas uma data, mas em nossa mente, partindo de uma semântica mais aguçada, é que se faz presente toda imagem e toda manifestação de fé e compromisso com os nossos princípios. Acendamos o bolo do Aniversariante. Dois milênios de Grandezas a partir da humildade. Sobre o presente? É absoluta certeza que Ele quer somente observar a doação ao bem e à caridade de uns para com os outros aqui na terra.
Meus votos de feliz natal com muita luz e paz!

Petição do Natal

Senhor Jesus!...
Ante o Natal, agradecemos
A enorme evolução que nos permites.
Iluminaste a inteligência humana
Para vitórias quase sem limites.
Nunca subimos tanto!...
Num minuto,
Nações se comunicam, pólo a pólo...
O homem revolve a Terra, em toda parte,
Desde as grimpas do Espaço às entranhas do Solo.

Entretanto, Senhor,
Enquanto o carro do progresso avança,
Atropelando as multidões do mundo,
Surge a dor na carência de esperança.

Pela força dos Céus, tão alto nos elevas,
E lutamos ainda em conflitos extremos...
Concede-nos, no amor com que nos guardas,
A proteção da paz que ainda não temos.

Natal!... Ouve, Jesus, as trompas de ouro
Que te exaltam na Terra os dons divinos!...
Com o amparo de Deus, tão grandes nos fizeste!
Ensina-nos, Senhor, como ser pequeninos!...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O filho que comeu feijão com arroz como se fosse príncipe


Ismael nasceu com sorte, em uma família rica e bem sucedida. Calou-se aos dez anos quando perdeu a pequena irmã com olhos de sol para uma doença desconhecida. Naquela terra ninguém conhecia nada. Sertão cearense, paixão meticulosa cheia de milagres nas esquinas, o sol roxo se esconde por entre o capim seco em que vacas emagrecem. Uma névoa cinza se faz por entre o céu, uma mistura de dor e tristeza forma um terceiro tom chamado miséria. Neste lugar escondido no mapa nacional, o pai de Ismael era prefeito e sua mãe, primeira dama da classe A bem feita na vida. Tinham carro bom, casa chique e roupas bem ajustadas ao caráter. O irmão de Ismael tornou-se prefeito posteriormente, mais ou menos uns vinte e três anos depois. Ismael nasceu com sorte, como dito, mas perdeu-a aos dezoito quando fugiu de casa e devorou sua herança com prostitutas e tabernas. Tornou-se ainda mendigo dos próprios atos, servo das suas paixões e ilusão de sua vida. O filho mais velho, chamado Pedro, seguiu os negócios da família e tornou-se o homem que deu as variadas direções à família. Ismael não reagiu às tentações da carne e caindo em si, sua maior vontade era dizer: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados’. Mas não disse, nada saia de sua boca e seu pensamento havia se entruncado por algo que não tinha, talvez, uma explicação óbvia. E o pai talvez lhe dissesse em retorno:. É preciso festejar e nos alegrar, pois esse irmão estava morto e tornou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado!. Ismael continua a viver de forma sublime, aos almoços de fim de semana qualquer dono de boteco lhe entrega um prato com alguma coisa de alimento, ele agradece cabisbaixo e reabastece a energia idílica.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um título sem definição


O amor é como um gesto de ternura
Que prende e amargura por um instante da vida,
Um instante súdito, quase solto, o amor nos deixa à mercê.
O amor é como o sol que se expande e reflete sob
Nossos hábitos uma emoção que se aproxima do céu.
O amor só acontece quando a coisa amada se ama,
Por isso é veloz e foge fácil como água das mãos.
Quem ama parece se inebriar do que ama,
Mas apaixona-se antes de amar.
O amor é um vento leve que se inicia com a brisa
E torna-se violento como uma viagem ao oceano.
Nesta viagem encontra-se de tudo,
Monstros selvagens, piratas soltos,
Tubarões loucos, mas mesmo nestas provações,
Há de enfrentá-los com o amor.
O amor se doa a quem quer, é gratuito,
Sem ambiguidades nem contradições.
O amor, para quem não conhece,
É a incompreensível forma de viver cada vez melhor e mais feliz,
Porque a felicidade é um de seus resultados.
O amor alimenta a alma e simplifica a vida
Em gotas de sabedoria e ternura.
O amor, oh, o amor acontece...
O amor é o verbo feito,
Produzido e lançado por Deus aos
Corações que o querem sentir...
O amor não tem explicações
E sua maior e mais significativa explicação é tão somente,
Meramente o silêncio e a compaixão.
O amor é a lembrança e a ação.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pequeña Serenata Diurna

"Hoje eu acordei mais cedo, tomei sozinho um chimarrão. Procurei a noite na memória, procurei em vão. Hoje eu acordei mais leve, nem li o jornal. Tudo deve estar suspenso e nada deve pesar"[...] Conforme esta citação do Gessinger, hoje o teclado não me levará ao desconserto de minhas inspirações, e para iniciar um belo final de semana, nada melhor do que algo que (rara)dificilmente vemos na televisão. Segue uma relíquia de nossos tempos, por Silvio Rodriguez, ouça, visualize e sinta com todo o prazer:
Segue o link, pois não consegui fazer o download do arquivo:
Pequeña Serenata Diurna

Vivo en un país libre
Cual solamente puede ser libre
En esta tierra, en este instante
Y soy feliz porque soy gigante.
Amo a una mujer clara
Que amo y me ama
Sin pedir nada
—o casi nada,
Que no es lo mismo
Pero es igual—.
Y si esto fuera poco,
Tengo mis cantos
Que poco a poco
Muelo y rehago
Habitando el tiempo,
Como le cuadra
A un hombre despierto.
Soy feliz,
Soy un hombre feliz,
Y quiero que me perdonen
Por este día
Los muertos de mi felicidad
. (Silvio Rodriguez)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O nascimento de uma flor


Teus trejeitos mudam meu mundo
Eu fico sem medo quase mudo
Altero meu jeito instantaneamente
Torno-me compulsivamente torto
Porque o poema deixa-me assim.

Teus passos seguem outros passos
Que quando por ti passo não penso
Tão meramente posso ao chão pisar
(Meu medo é perder os passos teus).

Com as tuas nobrezas aos cabelos
São reinados e reis que aos teus pés ajoelham-se
Bela, sobre teus olhos almejo meus sorrisos
E sobre a tua face beijo tua testa vagarosamente.

Depois retiro toda pintura dos teus olhos
E o batom que ainda lhe resta, o sinto aos lábios meus,
Carnudos e selvagens, quase de forma estarrecedora,
Morro nos braços teus de amor numa noite tão
Bela quanto o Belo que agora em mim nasceu.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Olá!

Não sejas tão dissimulada e triste, meu bem
Olha só, a vitória é régia bela por si mesma.
Aprenda, a vida se mostra enquanto tú se alimenta
Da esperança que dela se lança.
Não canse.
Se cansar, dance. Quem manda é porque alguém serve para obedecer.
A palavra já não mata, mas fortifica e deixa o coração duro feito rocha.
Sobre este palanque abstenho-me entre poucas palavras
Que sobressaem da garganta engarrafada e revestem-se de algo chamado dor.
Não cante nem dance.
Impere espere um verbo que impera de imperador...
Guarde sua dor para a outra volta e agora
Segure firme a minha mão sem medo, segure, sem medo...
Comova-me com o que sabe e eu lhe direi quem sou!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Poeminha "Diálogo com a Gazeta"

Catanduvas recebe mais seis presos transferidos do RJ
MAS MEU PENSAMENTO CONTINUA ILESO em janeiro.
Avião que transportava os detentos pousou no aeroporto de Cascavel por volta das 23h40.
ÀS 00H00 EU PERDI MEUS MINUTOS.
Violência assombra 9 em cada 10 brasileiros
E A CADA 5, DE 7 BRASILEIROS TOMAM CERVEJA com fritas...
Governador negou “desconforto” ao repassar o comando do estado Ao presidente da AL, que é processado por irregularidades no Legislativo
E AS IRREGULARIDADES SÃO, AINDA, DESCONFORTÁVEIS
AO MEU ESTADO DE CONSCIÊNCIA E LÁSTIMA.
iPad chega ao Brasil com festa em shopping da capital paulista
Cerca de 50 pessoas encararam uma fila na loja Fnac do Shopping Morumbi até a meia-noite de quinta-feira, para comprar o tablet
ENCAREI O TABLET DE FRENTE PRO CRIME
ELE NÃO ME DISSE NADA, O SILÊNCIO PERMUTOU-SE
COM OS GRITOS DO EXTASE.
Cientistas descobrem bactéria que contém arsênio em sua formação
Elemento químico na "Halomonadaceae" GFAJ-1 é tóxico para humanos. Equipe financiada pela Nasa encontrou organismo em lago na Califórnia
...E O CORAÇÃO AINDA BATE PULSANTE
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Infortúnio


Joaquina sempre fora boa moça, sempre fazia o que eu mandava, embora eu mandasse em poucas coisas naquela casa. Se bebia meus gole? Ora, o que isso embaça? Eu não tenho culpa do vício, o ser humano é promíscuo a estas coisas, ainda mais quando a vida não se vai lá muito bem. Mas Joaquina, hoje, vive a me culpar, chamando-me arrogante quando o que eu mais precisava era somente do seu carinho. Não me aflijo de jeito algum, toco minha viola. Fico feliz do mesmo jeito. Eu me sento todo santo dia pra descansar dos compromissos da vida na Praça Generoso Marques. Tento não pensar mais muito em minha eterna Joaquina, mas ela sempre fazia calor em meus ombros nos dias tenebrosos de frio. Agora, sentado aqui neste banco vendo os pombos defecarem sob os modos das senhoras de sorrisos abertos, sinto um calafrio por dentro, mas também é coisa passageira, somente passa por mim como um trem bala. Meu mundo gira um pouco mais rápido, num tom tempestuoso, a visibilidade da vida é afetada, e navios que não existem somem no cavado de suas vagas. Acontece em meu peito como nunca dantes visto, uma espécie de efeito, uma ressonância de Schumann. O equilíbrio que me havia prescrito, depois de algum tempo, dobrou de tamanho. Meu mundo se atraca num caminho sem volta, eu deambulo por minha única vontade. Passam dez minutos e os pombos se atiçam e voam em bando em direção ao centro da cidade, um mendigo passa por mim e cumprimenta-me com um leve e melindroso “boa tarde”. “Boa tarde”, respondo enfim com simpatia e pena, mas não devo ter pena porque também estou penado. Depois um moleque passa por mim com a mãozinha direita grudada à esquerda da mãe, ambos me olham de gauche e completam a caminhada rumo a uma loja de equipamentos. Minha mente retrocede mais uma vez, penso em Joaquina, minha linda, já não sabe o que é bom pra mim. Ela tem olhinhos de botões e na sombra pensa em ser feliz. Já não sei o que estou a dizer, e mesmo sem saber continuo estático como se fosse estátua viva de praça, muitos já iniciam um pagamento antecipado, jogando sobre meus pés, moedas de pequenos valores. Somente meus olhos acompanham as facetas, meus lábios também continuam parados, a luz do sol em movimento indica o meio dia da vida. Meu celular em silêncio, não presta porque não toca, o atiro sobre os arbustos do Museu da Cultura. Sete cães passam em minha frente, um deles, o último a passar, vem até meus pés e os cheira, faz uma cara de sobressalto e continua aos passinhos em direção aos companheiros de malandragem e confidências. O primeiro olha pra trás como a se despedir do resto da vida, ao atravessarem a rua, um opala azul escuro atropela o líder, um vira-lata teimoso que até à morte teimou em viver, através de gritos flamejantes e cruéis. Os pombos, em seguida voltam ao melhor lugar do mundo e, depois de uma semana, os ratos e os urubus tomam conta do cadáver já passado no asfalto em frente à Generoso Marques. Ninguém nada vê. Embora ninguém também nada sinta, eu ainda sinto no fundo do coração um sentimento alastrado pela Joaquina, sei lá o que pode ser. Ela sempre fazia o que eu mandava, depois se evadiu deste estado de ventura para um outro de lástima e desprazeres. Fora apregoada pelos misteriosos ventos do norte, num dia de clarão e até hoje, nunca mais, nada se ouviu sobre a Joaquina, vai ver, tornou-se heroína. Minha mais singela peça encantada se deparou com uma tarde ensolarada, hoje em dia não tenho mais nada e nada me comove porque deambulo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Palcos neon

Depois, muito mais de mil vezes
Peço para que o resto seja milagre.

Aguento teu cheiro
E suporto tua dor. Mas não me venha com tristeza.

Deixe a luz da sala acesa! eu já falei.
Não me venha com tristeza.

Quem muito se gaba
Não consta o mérito da proeza.
Não retarde a luz culpando o sol.

Eu amanheço com pão francês. Hoje
É outro dia. Compro o jornal das 6.
Nenhuma notícia importante.
Mas o que mais importa é que a luz se fez.

Suporto a tua dor. Retiro ela de teus ombros.
Sorrio num sorriso teu. Meigo e singelo.
Abraço num abraço teu. Forte como um mistério.

A luz se apaga e começamos um samba enredo.
Numa balada tonga da mironga, meio de lado.
Continuo depois naquele tempo embalo
Que me bota no medo defronte da coragem.
Luz...quero luz!!!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Grito


Um pedido de clemência que seja,
Um grito de amor e ódio
Mas meu vulto depende da minha calma
E o meu ser inventa mais uma mentira.
Um rumor de lástima que se inverte,
Uma desculpa sem culpa
Quem seja, seja somente um paraíso perdido.
Uma invenção indesejada somente
Por lástimas toscas e tantas outras formas.
Um silêncio sem compaixão que seja
E que exprima de dentro das entranhas
Um gosto salgado de nobreza e mídia.
Um gesto de amor, que seja, e depois
Uma história solta por vestígios
para inaugurar uma nova estampa na lata.
Se a cara diz quem é a derrota,
O corpo padece e adoece em seguida
Por pensar, nitidamente, que a luta
é em vão e os milagres são naturais ao tempo.
Um grito de amor e paixão
Um pequeno detalhe dentro do grito
que silencia o universo,
O silêncio quebra o estado normal
da paciência e em seguida, ao que segue
Se um tresloucado rumor de sonhos passa,
Se se passa por lá
a dor
a cor
amor
Se se passa aqui.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Riminha vaga sem bunda

Eu sou um instante de amargura
Misturado com a vontade louca
De viver sempre de forma solta
Um dia que seja de fissura

Quando desvaneço eu reapareço
Me esqueço, toda minha moda
Já que o que prende-me, incomoda
E depois eu somente me esqueço.

Finjo ao dizer palavras pensadas
Que são inpensáveis dentro do meu ser
Já que para se ser é necessário crescer
E volto, volto lá com minhas estradas.

Sou eu, um instante no tempo
Um momento forte nesta caminhada
Que se mete a uma fina navalha
Da qual na qual pela qual já nem sei...

poesia concreta de duas esquinas


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tempo de rebentar algo em meu coração


Je sens de l'amour par toi
I express myself languages that I am unaware of
Я ваш вундеркинд влюбленности
Mas já passou!

É tempo de amora e paz
Porque dentro a mim estoura outra vez a paixão.
Minha quermesse de louvores sólidos
Abstém-se do mais profícuo mingau de sal.

Falo avant par moi do que por ti mesma
Mas quero que aprenda em cada unicidade
Do som da minha voz,
Que sai um algoz tipo algo veloz
E relança-se por meu bel prazer.

Eu reamo teu abastardo jeito de servir
O tímido para reavivar os loucos,
Mas desamo a minha ternura incompleta
E torta para servir a mim por mim aos poucos.

Eu já me amo
Por um amor mudo
Por uma flecha de paixão surda
Mas penso digo e ouço tudo que me convém.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um dia de minha vida



Pulo no aujar da simples vida que levo. Encontro-me de frente com uma piriguete que comenta radiolas da cabeça, perambula depois com um tênis maior que a cabeça e a calça mais larga que a capoeira. Adiante sigo em frente a um caminho quase nulo de vertigem, encontro-me de costas com a cidade que me viu nascer. Não creio em como toda esta vida esqueci-me do quintal don qual eu vim, dos pássaros aos quais acabei com suas esperanças e dos tomates que plantei no chão de minha terra. Depois me encontro de frente, volvente, com uma pessoa cheia de remorsos e medo nos olhos, estes olhos brilharam para mim como se fossem dois faróis ébrios numa madrugada de neblina e frio. Passo por ela e ela por mim, mas não nos passamos. Apenas de forma ainda estranha nos notamos meramente que um existe sem a necessidade do outro existir. Um espaço se abre em frente a uma população do terminal rodoviário, uma fila complexa de gente indo trabalhar, acendo meu cigarro e retiro do bolso com um pequeno buraco um palito de dente meio acabado de velho. Cuspo sob o chão que me viu crescer, não olho para trás, volvo-me diante da estepe da porta do ônibus verde e desço três pontos depois. Tomo um café compensado de um belo pão com carne. Patrícia me chama pelo nome, quando viro-me a notar sua presença ela abre um sorriso escandalizado e me abraça fortemente, sente na ternura um carinho inexplicável por mim, eu sorrio complacente e me divirto com a ocasião. Aparece o Sebastião, dono do bar onde me viro, Patrícia relata sua vida e sua miséria...menino! como você está mudado, da última vez que nos vimos você andava mal trapilho. Eu continuo na permuta entre o silêncio e tranqüilidade, desde cedo são as duas melhores qualidades. Agradeço com a cabeça em me achar, talvez, mais belo, mas nem eu sabia disto. Patrícia tem um sorriso ainda sôfrego no fundo, sei que necessita de ajuda ou qualquer tipo de auxílio, quando meu pescoço se vira ao lado da Rua Dos Vencidos, passa um garotinho sem chinelas, me olha de forma triste e me deixa triste com seu olhar, levanto meu peito e quando vou ao seu encontro ele desaparece como se fosse fantasmagoria. Agora chego à estância que meu pai deixou-me de herança, tem muitos cavalos e cabras, mas nada me felicita, nem na Patrícia consigo pensar, o cheiro de merda cru de vaca é dispensável a qualquer instante, as narinas nunca escolhem o que cheirar, da mesma forma que nunca se escolhe o assunto a que ouvir, a mente internaliza tudo num estado de cisterna, como se fosse a plasma de um momento eterno. A herança de meu pai está invadida completamente pelos sem-terra da aurora, eu não ligo para isso. Depois a Patrícia aparece novamente em meus sonhos, eu inicio uma busca perdida do que me falta e nada encontro, absolutamente nada. Beijo-a e nos unimos num só instante, o motor de um novo ônibus se liga automaticamente e saímos juntos para a concretude de um longo dia.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Descrição

Caminho de lado à esquerda
Quando me vejo ao espelho não reflito nem nada trasmito
Depois corro corado disto de uma corda de lado
E morro de amor
Tem uma parede trás de mim
Atraso um pouco sem medo nem temo a cor
Mas continuo a morrer pela estrada larga infinda
Que me leva de um lado chamado ainda

Uma demarcação de terras
E uma chuva cai dos céus como milagre
Invejo as nuvens e sinto uma natureza
Completa sobre meus pés
Inundo-me de ébrias ideologias
Depois dos quinze anos
E após os quarenta me desfaço dos planos
Que faço outros.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Estúpido Sentido

Não existe tempo
melhor que hora.
Oh! quantas vezes terei de repetir?
Somente o meu bem-estar faz-me bem.
Minto, quase existo!
Eu minto agora.
Não existe passado
porque passou,
Nem existe futuro
que não chegou.
O presente me perturba e consome.
O presente me alimenta e me come.
Existo-me fora ao tempo
Pois meu ato é crônico
e depois produzo eu próprio
qualquer coisa.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um comodismo torto


Existe, na sociedade brasileira, um comodismo absurdo das pessoas com relação à política. O povo se compara de certa forma, à mesquinhez da reles enganadora e acaba, por fim, dando-se mal. Está na hora das pessoas começarem a ver e entender que o buraco é mais embaixo. A mídia engana? É lógico que talvez. Mas o pior de tudo que o telespectador se deixa enganar, isto é que é absurdo e cruel. Os jovens de hoje não se comprometem mais com o país, uma das causas é a comodidade na sociedade contemporânea, a sociedade do caos que se organiza por e para ele. A repugnância hoje está em se diminuir ainda mais perante o poder, mas quem somos nós para o poder? Vivemos em uma democracia? Não deveriam existir razões para tudo o que é de pior acontecer, mas como o Brasil se vende, cria suas próprias razões para em seguida lançar como consequência dos desastres. Nenhuma carta, nenhuma lei fará a decadência esteja no patamar elevado, a não ser o miolo da sociedade emergir de um lugar submerso pelo desespero e iniciar uma fragmentação analítica do que está havendo a sociedade brasileira. O povo é cômodo, por isso sempre diz sim. “A televisão de deixa burro, muito burro demais”. A TV é uma bactéria que invade as casas e retira cognições de conhecimento e sabedoria do ser - humano. Por isso somos relapsos e inventamos as coisas quando elas não existem. E cada vez mais, por incrível que pareça, os livros estão sendo trocados pelas telenovelas da Globo. A única força que pode modificar este quadro, é a do povo que trabalha e luta pelo bem de todos, sem individualismo nem burocracias. É a nossa ordem e pronto.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O mundo se suporta



Meus ombros não suportam mais o mundo
Um homem sem raça e sem cor, sem nada.
Meus pés não pisam mais no chão
Um homem sem país e sem mulher.
Os ônibus passam, as praças param,
As nuvens passam e o céu parado.
Fixo, lá no alto, se vê um milagre
Que tem forma de azul anil,
Me repreendo e volto à minha mesa. Meu Brasil!
Meus braços não aguentam mais o território.
Um homem sem luz e sem lua.
Chame a quem quiser ou grite o que puder,
Não resultará em nada e nem aos troncos
do seu busto. Meu orgasmo será o tédio de cada dia
porque meus ombros nada mais suportam.
Depois do rumor ecoará às ruas da cidade um santo nome
Que estará oculto em fragmentos mínimos.
Serei, no entando, chamado pelo nome esquecido
E não viverei mais tanto quanto quisesse.
Um homem que não suporta o mundo nos ombros
Não tem direito de morrer. Vive sempre no direito
de pousar nú onde quiser, em qualquer lugar nenhum.
Entre a sombra, a loucura se apaira, no mesmo tempo
Em que dentro de mim emancipa-se um sóbrio gosto
de sorte com a embriaguez d'outrora.
Meus ombros não suportam-se.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

In memoriam


Em memória de mim mesmo
acreditei nas palavras que fugiam de tua boca.
E quase rouca, tu gritavas agitada meu nome
i n c e s s a n t e m e n t e

Parei na avenida! num outdoor lia-se um termo:
Absurdo na encruzilhada.
Em páginas viradas das lembranças, nada,
absoluto silêncio.
Acredito agora que o meu caminho será
em direção ao teu simples caminhar.

s i n c e r a m e n t e

Em memória de mim mesmo
acreditei no meu e no teu de nós em como sou.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A curva do tempo

Tenho um milhão de novidades sobrando
num espaço mínimo e torto.
Nesse espaço guardo minhas lágrimas
que de tempo em tempo se renovam.
As minhas novidades são as mesmas
verdades transcorridas no século 9.
Me acho um díspare solto
um homem cheio de sonhos
que se vão anunciando o alvoecer
de cada pensamento meu. Se me equivoco
Perdoe-me. Perdoe-me. Perdoe-me. Perdoe-me.
No mesmo espaço que eu tenho
Sobram mais de mil sombras sentidas
Num batimento incerto do coração. A mente
Se faz santa e o meu ombro começa se aniquilar com ose fosse um arrepio.
Eu sinto meus cabelos distantes. Minha distância se aproxima e o meu passado
Debate-se dentro de mim num tom mirabolante.
Sem direção. Sem volante de viver eu me caio.
Me guio. Desguio. Aguento e se bebo água, depois em algures.
Em algum lugar ei-de me encontrar destronado.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Traços de um caminho

Brilha uma estrela indulgente no meu coração,
Brilha um ânimo cruel e límpido e ao mesmo tempo
Recria-se uma lata de sonhos dentro dos meus sonhos.
Meu estágio em forma dada
Como se fosse uma vez, duas ou três.
Somente um atrito dilatado.
Um metro cúbico de sentimento
Ao relance de um tormento
Meu mundo se transforma em um só tempo
Em harmonia e descontrole.
Agora, se eu quero mesmo saber quem eu sou,
Eu já não posso lhe contar,
Não tenho carro nem estrada,
O universo gira em torno do meu sentido.
Sou singular quando não vivo.
Meu estágio em forma de prisma
Faz-se de tríade dentro de três a dois fatos:
Caminhei, caminho e caminharei.
Um dia, quem sabe, nesta caminhada
Eu chegarei ao lugar sem nome,
E de tanto caminhar, talvez, eu ganhe
Uma sobra de solidão no coração.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

As névoas do rei Mar


Estava cansada da insensatez do dia que amanheceu sem graça. Eu inventava fórmulas novas para a sabedoria que se apresentava diante de mim. Quando despercebida do estado em que me passava, bati de frente a um poste cheio de negrume, dentro da estante da sala minha mãe ouvira um estrondo. Quando notei, logo após o barulho da minha cabeça contra o cimento artificial, começaram a escorrer lesmas de todos os modos sobre meus cabelos lisos, eu não gritava, apenas me deixava levar pela nobreza das larvas. Depois, peixes faziam sexo em forma de fracasso diante do mundo invisível, no qual eu vivia ou morria. Quando me percebi novamente já estava dentro do quarto, sozinha, sem luz sem nada. Eu não tinha vez, ninguém me ouviria nesse instante. Agora já se passavam mais de horas e no instante crucial foi quando minha íntima solidão me chamou, pediu para que voltasse a ser feliz como ela era, levou de mim apenas um livro comprido com o título: As névoas do rei Mar. Eu não me alarmei, não tive medo. Ganhei um emprego de secretária numa empresa de loucos, eu fiquei estagnada e em paz dentre todos. Começo a rir linda e ébria pela cidade. Bebo cerveja com pimenta e me esclareço: sou o teu pesadelo. Apaixonei-me somente uma vez na vida e depois disso não quis saber de mais ninguém, o amor não existe, não creio na minha potencialidade e ao mesmo tempo desconfio dos meus prazeres. E estava cansada da insensatez do meu dia e foi nesta hora que aprendi a chamar pelo teu nome, a cruzar minhas pernas quando ficavam “alerta” ao te notar. Consegui encaixar meu conto dentro do teu ponto e me chamo, talvez, de forma branda e eloquente, Rei mar e suas névoas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Fiat Lux


A mãe tinha um Estado que deixaria ao filho mais novo. O filho mais velho, maduro de peito e chamado Pedro, imitava artistas da TV. O mais novo não tinha decência, andava de roller pelas escadarias da cidade e fumava maconha aos brejos. Um dia a mãe se foi, deixou uma ideologia para trás no coração de cada filho, um tornou-se comunista stalinista e o outro, anarquista que ouvia punk rock da pesada e pichava os muros das igrejas. O Estado virou uma tragédia em um só ato, a população vivia da fome, quanto mais se tinha menos sofria. Os comandantes do território, Pedro e Gabriel discutiam novos planos de governo. Foi liberada a droga que antes era considerada ilícita, os impostos de bebidas e cigarros baixaram, as boates abriram em dobro e o manifesto convencional da sociedade se fez. A ditadura dos filhos estava em meio a uma decepção horrorosa pelos gemidos da mãe. Nada podia ser feito. Pedro e Gabriel aproveitavam o data show do senado para jogarem videogame, os ministros cogitavam novos horários de trabalho, uma possível redução na carga e um aumento no caixa. A arrecadação do Estado era cada vez maior, e quanto maior era, mais se desviava das mãos do povo. Crianças tornavam-se órfãs de ruas escuras, os bares das noites frescas de chuva fina da capital viravam igreja e cada praça era um infortúnio, uma greve em cada poste. Mas um dia alguém se prostrou diante a tanta calamidade, tomou posse como se fosse um soldado, reagiu ao desespero dos loucos, a lua se concretizou acabada em luz pura, o povo se redimiu e Pedro com seu irmão, o mais novo voltaram à TV. Cada qual com seu canto. E depois disso a luz se fez.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Coragem

Vês? flor bela que me espanca
até a morte.
Quando caminhas parece
uma paina a dobrar-se pelo ar,
Quando estremeces ao me ver,
parece ter medo do medo de me chamar.

Intuo, num impacto dinâmico da consciência e,
como se fosse um objeto qualquer
eu resplandeço feito um nobre homem de coragem.

Percebes? Se percebo-te diante dos meus ouvidos
giro num ímpeto diante da cabeça
e esplandeço a tua paz.

Percebes? Se percebo-te num brilho fosco,
numa câmera nublada, tenho um sol
nos membros soltos de meus singelos versos.

Vês? Porque quando caminhas
eu, junto, caminho num traço
calmo da escassez ultra-humana.

Parece ser um filme,
por minha cabeça se passa um romance,
da minha boca sai um estrondo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Três milagres em um dia


Depois de três dias seguidos, Paulinho continuava a correr pelas calçadas da grande cidade. Imaginava ali sua fortuna, tudo o que ganhara dos pais foi somente um par de chinelas e três mancebias. Corria ao encontro da aurora perdida da fome, aos cantos, de gauche da urbanização havia outros meninos de sua idade, cada qual com um olhar mais seco, cada um dele com sua paz desmembrada e fora do eixo. Paulinho corria ao encontro do Passeio, três putas à sua direita o fizeram parar, perguntara-lhe se tinha algum trocado ou isqueiro, nem um nem outro, continuava Paulinho. Em direção, agora, a um mistério na esquina com o Teatro principal, as peça começaria, já iniciava, era ator completo em perfeita denotação. Dentro do palco da vida, tinha um ato depois, quando a plateia se retirasse choraria até o fim do dia, ao alcance de meia-noite. Menino sozinho junto de três segredos que ninguém no mundo nunca saberia. Continuava sua caminhada às soltas, não tinha mãe que berrasse seu nome, nem pai que lhe convidasse ao convir, amigos poucos, sol na nuca e cabeça careça para remediar os piolhos. Num canto qualquer uma marmita em papel celofane, uma colherinha suja e lá se vai o menino a juntar sua fome com a grandeza do seu mundo; deveras ser um singular madrugueiro, dorme cedo, acorda cedo. Não discute por pequenas coisas, pensa serem indiscutíveis as histórias do dia-a-dia. Não tem sentido, não tem milagre nem hora certa. Numa hora dessas qualquer eu desmaio, pensa consigo e segue a diante. Como se fosse à primeira palavra alimenta da boca uma letra sem nobreza nem fantasia. Continua sua andança sendo um cantador deslocado, assovia e come algo dilatado, sem cor nem pecado. Chama, quando olha para trás, sua alegria, para que o siga, quer que venha junto e ela, meio disfarçada, compenetrada em deixar-lhe na mão nada responde, olha-o com desprezo e anseio. Nada mais neste dia acontece, tudo se esquece e nada, completamente, sai do lugar.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O Paíz


Na efervescência do meu dia
Agradeço a essência de cada aflição.
Teus olhos, os que me lêem, são
Como a púrpura incógnita
De um mundo fora do chão.

Moro num país onde os santos
Almejam os milagres.
Moro numa vida onde o rei vive
Fora do trono.
Não tenho dono, mas tenho
Empecilhos.

Quando chega a noite aqui,
Não sei se fora do tom ou
Tonalizada, produzo emissões
Se emito produções arquitetadas
E discretas em cada unidade de
Sentido.

Na disputa louca e cruel de cada dia,
Quem chega ao poder é mestre
Da loucura,
Ganha-se pouco mas é divertido.
Não tenho mais por que brigar,
O vento de outono recomeça
Como a pedir licença
Em dilatadas educações
Que me botam na aflição.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

DEMANDa corAGEM


1º - JUNTO DE MEU SONHO
passa-se um tempo em forma de infância.
Me lembro DA MINHA ALEGRIA
quando cantava a epopeia da vida.
COMEÇO A DELICIAR-ME num ímpeto de coragem,
estarreço com um pulo ensurdecedor.

2º - Minha paisagem da terra que me guia
fica POR ALGUNS KM de distância.
OBSERVO ao horizonte um ontem cheio
de surpresas e um hoje negociado.

3º - AMO A PASSAGEM FORMAL DO MAR,
Nem bem nem mal, se tudo faz parte do ar.
O SOL, AINDA DELGADO, brilha para se aparecer,
ColOca uma melancia na cabeça e sai aos troncos.

§ - A lua, COMPLETA LUA, embreada pelo manifesto
rumor de uma luta, inicia um confronto
com o mar, quem manda se manda
a quem não tem tanta demanda de coragem.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pensamento em dia


"Quem teme faz pior. Quem se muito amedronta é que muito ataca. A paz é dos que a praticam como ritual diário, tornando-a essência da vida".

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Relato

Tapo os meus ouvidos
Surto sem querer!
Carros passam
Passo por lá...
Tenho coragem em ter medo,
Sou um ser-humano relato.
Sou fugaz como a areia da praia.
Fecho os meus olhos
Curto sem querer,
Vem de longe um negrume
de névoa porquê!
Por isso corro e me imploro,
Faço meu samba
E fico sem rugas.
Deixo os carros passarem,
Os prédios passarem,
Os biarticulados passarem,
Na praça, junto do banco branco
E dos pombos me abasteço
Das árvores instantâneas
Que o Deus me dá.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Festim


Já mandei dizer que não irei à festa hoje. Já pedi para cancelarem minha presença no Grandsellers do Portão. Durante este horário não farei absolutamente nada. Hoje, pela manhã, logo ao acordar me deparei com um pensamento dúbio, uma coisa que não saía de minha cabeça, pensei que tivesse morrido e estado no céu antes do tempo, mas nada ocorreu e depois, sem tocar em qualquer assunto, chegou uma moça me perguntando se eu tinha realmente coragem em fazer o que queria. Respondi prontamente que sim, entretanto, sem pensar para qual sentido me levaria tal palavra, sem refletir, coube-me sair da porta de entrada do shopping center e pegar a Avenida Três Apitos. Um carro em alta velocidade passou como um raio sob meus olhos e num tempo de quinze ou vinte segundos eu estava equivocado novamente, lembrava somente o meu nome sem o sobrenome, em seqüência disto me ocorreu outro pensamento, um pensamento lógico e sábio, - se é que existe sabedoria quando se assalta à própria mente – um estupro de minha consciência apareceu em forma de colisão interior. Detive-me com objetos de meu grado, depois conheci meu tataravô através de uma foto via e-mail, minha tia de Londres me remeteu às 22h14min da noite. Neste mesmo instante a festa ocorre feito solidez na casa da Gabi. No Portão tudo deve estar sob controle, qualquer descontrole alguém me avisaria. Acabo de lembrar que o meu celular perdeu a bateria. O pensamento duplicado, aos poucos, some da minha cabeça e, por incrível que pareça, encontro-me de frente com uma pessoa estranha, nunca antes visitada pelos meus olhos, o tempo na XV é de frio e o movimento some se adentrando pelos escombros dos becos insolúveis da grande cidade. A polícia detém três rapazes em uma tentativa de assalto à mão armada, são levados a socos e pancadas. Depois desta tragédia tudo volta ao ritmo lógico e trancafiado. Quando pensei que fosse entrar na loja barata de móveis e consertos de eletrodomésticos, uma senhora com mais ou menos um terço de século passou em minha frente, olhou-me de baixo até o último fio de cabelo e disse-me num tom sarcástico “olha garoto. Aqui quem manda é eu”. Fechei meus olhos que porventura estavam restritos a todo e qualquer movimento de fora da loja, continuei a caminhar e ela, a senhora ambígua e simulada, leve e solta, com óculos escuros em um verde musgo mais uma bolsa roxa a combinar com o batom, sentou-se à beira da porta da loja e eu fechei meus olhos enquanto tentava sobreviver.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Prelúdio


Tanto tempo tenro terraço
Não dura mais que um espaço
Entre a dor e o sofrimento.

Tanta terra torta não foge à orbita
do planeta em toda terça
ou quarta que seja em desalento.

Todo tédio de tudo
Se preza em forma de um prédio mudo:
Construção, arvoredo e plantação.

Tenho certeza de que nada é certo
E tanta incerteza me leva a pensar,
de forma nobre, que o mundo é
um paralelo que se forma da casca
da imaginação de cada penitência.

Tenho coragem de que tudo
Tenho incerteza de que nada
Tenho medo, se tenho
Temo que tanto tempo
dure pouco ou muito,
Mas que dure o quanto durar
Será infinito dentro de
um pequeno espaço.

Um pedaço de ti
Será um arquivo de sempre.
Um pedaço de mim sempre
Será uma saudade total.

domingo, 22 de agosto de 2010

Invenção de Girar



Inventei um pedaço de mim;
Rastreei uma parte integrada de mim.
Sou beleza no que digo,
Então por que gritar?
Corra!!! a polícia vem aí.
Grudo meus ouvidos na poltrona
Da sala e volto a manejar o
Controle remoto.
Reinventei uma tortura completa.
O quarto virou uma zona
E a melhor hora de ir embora
É depois da tela de sucessos.
Meus caprichos são teus também,
Porque meus foram durante os dias
Em que inventávamos juntos
Que cada dia dependeria da alegria.
O louvor, agora mais calmo e soluto,
É uma junção de fórmulas químicas
Que nos reprova até o fim.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sagafina - Ato I




Em todo caso se vista bem, pois vai estar frio. Ontem passei pelo vento desgostoso da brisa alheia, do lado esquerdo do mar. Chamei o José a dois segundos e até agora nada, isso de depender de funcionário é duro, é queixa. Meu nome? ninguém sabe, ninguém lê os jornais? Me chame de patrão, basta. Sou proprietário destas terras aqui do norte. Tenho as mulheres que quiser e tudo isso, absolutamente tudo, dentro do torá. É claro que tenho meu orgulho e meu brio, mas isso deixemos pra lá. Amanhã é dia de procissão aqui na cidade, moro numa vila pacata e careço de mandar em alguém, não tenho escravos mas, da mesma forma, pago uma miséria a uns delgados que aqui me servem. Não sou velho nem moço demais.
Há três dias a política mostrou a cara aqui no Parque do Sol. Candidatos à presidência, aos governos, senado, entre outras pancadarias mais. Também me candidatei e tenho, quase que completa certeza, de que vencerei. As pesquisas indicam e no mais, com pouquíssima margem de erro. Meu neto João cuida das finanças, chamo meus tios para a procuradoria e forjo o concurso público de onde vivo. Sem anarquias, cada coisa em seu lugar. Sou autoritário? Não me venha com miúras, compreenda: A vida é pequena demais para preocupações. O Nepotismo é fundamental na sociedade e, ao observar o histórico político-econômico brasileiro, percebe-se que no decorrer de muito e muito tempo, ele existe por sí. Não confio em ninguém com mais de trinta anos, nem no meu cachorro. Daqui em diante sou empresário e ao mesmo tempo Governo. Vou montar cadeias empresariais dentro do Estado que, se derem certo, irei mais pra frente, indicar o país como meu aliado. Não é difícil, basta persistir nos erros e acertos, a bomba uma hora estoura e tudo vai à tona com estilhaços de telhas dentro das igrejas reais. Me chame, por favor, de patrão. Não tenho mais ideal em dialogar e por este motivo montei meu monólogo. Mais pra frente, talvez, eu continue a minha saga.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O trem


O trem de lata passou
Pela vida de um vira-lata sem coragem.
Foi que foi...foi que foi...foi que foi...
Lá, pras bandas de lá do trem
Do morro do vento.
Quanta fumaça levantou
A poeira caiu
E a lua voltou.
Depois da tarde
Entrou a noite, nuvem, tocha, virgem.
O trem passou, se foi se foi se foi
E nada sobrou, nem pó, nem fumaça.
Pela vida de uma lata que vira e vira e vira
E repete ainda mais e mais e mais.
Passou um trem de lata
Pela cidade, mata, pela meta
Pelo metal da coragem do mato.
Atravessou o trem, a fronteira
Do medo e tomou coragem, sem
Qualquer solidão.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pensamento em dia


"De forma alguma sou o que digo. E nem digo o que sou. Nem o que como, nem o que escuto. Ora, o que eu sou não se escreve".

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um momento


Foi quando o mundo se concebeu
E o verso desapareceu,
A nostalgia de dia com tanta alegria
E falta de proeza criou-se em si e se fez
Um quebranto por completo.
Então um rebento surgiu,
Junto do grito de um boi que pelo morro urgiu.
Dizem as lendas que o gemido
Era de São Miguel.
Quando foi que o terço reapareceu
Em forma de soneto, a nobre vila
da Aurora novamente se deu.
E hoje quem busca o mundo
Sou eu. Imagino que, embora
Tantos torventos se quebrem,
O mundo, completamente fora
Da órbita é meu.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sonoridade de uma lei brusca


[sinfonia das cores, por Nela Vicente (óleo s/ tela)]


Andem, reis e reinados
Façam paisagens nobres em torno
De uma sociedade desigual.
Quem busca igualdade está prestes
a encontrar uma coroa de gesso.
Andem, botequeiros e fregueses,
tomem junto a boa média do dia
E aniquilem junto à tosca da desloca
um motivo crú de internação.
À frente, norte e sul
O caminho fica acima da cabeça,
não tornem a receber gestos e gostos.
À diante, negros e brancos,
gregos e troianos,
Eis o hino da interrupção de classes
Dominantes sob o mastro de legitimidade.
A mente, nossa...que vida, que surpresa!
Quase esqueço de dizer que o poema
Fede como peixe podre quando não se canta.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pensamento em dia


"Ninguém pratica uma ação sem ter qualquer tipo de hipótese. Toda ação praticada foi, antes, entrelaçada por pressupostos".

segunda-feira, 26 de julho de 2010

(h)Oras!


Que hora é agora?
Perguntei, depois do café de meia hora,
É hora de dizer em beijos loucos de quem te adora.
Mas que hora mesmo é agora?
Embutido na máquina de frente ao meu país,
Respondo digno e firme:
- É hora, por ora de lhe enviar um carinho on-line.
Que hora será agora?
De te amar e te querer a toda hora.
Quanta hora faz-me bem que de em diante agora,
Eu te amo amo amo embora sem país, mas com um Universo,
E respondo outrora com gosto de amora:
- muito muito muito.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Frente e verso no supérfluo mundo de um Poema do séc. XXI


Não mais porque, meu poema reflete um eco/
Dês-sincronizado e fora do eixo,/
E eu brilho dez estrelas cadentes sob um olhar/
Singelo e nobre que entorpeça um mundo em minha direção:/
Um coração? Um colapso? Grite um grito grave,/
Grave só o meu nome na tua alma, apenas/
Caminhe por ele. Agora/
Sem mais nem por que, invente um poema e/
Adicione à sua lista de contatos um instante/
Eterno de nobreza. Creia na tua razão, não confie tanto em destino,/
Quem em destino acredita, desacredita por si só num momento/
Que reduz qualquer aprisionamento de alegria,/
Aqui, recomeço a dizer pelo boato intrínseco/

Não mais, nem por que, este poema será um eco/
No fim de cada mente apreensiva e constante de solidez,/
Não se mente por mentir, nem por querer, não é mentira que/
O destino escolhe ou desacolhe a imaginação, conquanto/
Qual todo estado de latência acaba por deduzir que/
Um segundo de imaginação se integra por/
Uma busca urgente e infinita,/
De agora em diante, até o final de todas as linha isso será/

Sem mais nem menos,/
Corro atrás de um paraíso encontrado/
Já que quanto mais se teme, mais se mede, por isso/
Todo quebranto fugaz de cada demência será também milagre,/
Milagre qualquer que se abuse e se lambuze, porque em fim disso,/
Me vi de verbos e solos dissonantes, e agora sou um/
Eco, novamente um eco feito de aço. Eu/
Então, solo, inicio uma busca pelo metal de minha carreira/
Como se fosse um poema. Este será o mesmo de sempre,/