quarta-feira, 31 de maio de 2017

Aos meus e aos seus...


Tarsila do Amaral - 2ª classe

Aos meus que partiram
Deixo o retrato em colorido,
Mil momentos havidos se configuram
Num oceano de saudades e esperanças
De um dia os ter.

Aos meus, do retrato na parede da memória
Fresca, ininterrupta e isolada em mim constante
Aprecio, como quem aprecia o vinho:
- Eis o licor que me espera escandalosamente.

Aos meus, aos seus dias
Que antecedem qualquer história,
Porque esta, por sua ínfima razão
Se torna efêmera em meio ao grande
Teatro da vida.


Aos meus e aos seus
Que hoje no mesmo retrato
Parecem seres de cera
Seres encerados pelo doce e suave
Perfume dos dias de outrora.
São em mim a parte triste e alegre
A confusão e a solidão
A imaginação e a saudade
A fé e a realidade
A morte e a vida, aqui, constante.



terça-feira, 30 de maio de 2017

A morte do cortiço


O cortiço de chumbo
O adubo da vida
A infância perdida
Escarrada no morro.

Ninguém conta
Nada que se saiba
Ou pouco entenda.
Morro!

Mas o cortiço?
As toalhas penduradas
Amarradas
As cuecas
Os sutiãs
As lingeries
O espaço infindo do beijo
eterno de um namorado...?


Tudo se perde
às traças
Pereira Passos
Ressalva
Resignifica
Redestrói
Reconstrói
A seu modo
Ao modo operandi
Morte do beco
Do eterno enlevo
- Bem vindo a Paris!