Caminhei
Duramente por um país puro,
Embora parecesse louco...
Eu era um absurdo.
Caminhei;
Nostalgia dentro de uma câmara fria...
Eu era tido como solto,
Agora que sou nefasto.
Por isso contigo digo
O que penso mas não penso tanto
Quanto digo.
quinta-feira, 31 de março de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
C'alma
Calma!
De nada adianta correr...
Se bastasse a encruzilhada do amor que
Esvaecesse de encanto e horror,
Nada de mim sairia;
Calma!
Apenas tão solenemente condigo intrínsecas
Notas soltas de um peitoral somado em nuances de nostalgia.
Calma! Por favor,
Em plena luz do dia se pudesse sorrir,
Mas nada sorri...
Nada se pode negar ao coração que se nega a si.
Calma!!!
De nada adianta morrer, que seja...
Calma...
O pensamento sobrevive ao menor estímulo impulsivo
De uma distância ilimitada a partir de um céu
De latência e de estrelas.
Calma, não basta!
É necessário
Pensar
Sentir
Sonhar
Agir
Viver...
Pense com calma.
Pense ainda mais.
Pense com a alma.
quarta-feira, 23 de março de 2011
O homem é o lobo do homem, Um relapso em Cisne Negro

O mal-estar na cultura (1930) – Sigmund Freud
Como se sabe, a cultura humana – me refiro a tudo aquilo em que a vida humana se elevou acima de suas condições animais e se distingue da vida dos bichos; e eu me recuso a separar cultura [ Kultur] e civilização [ Zivilisation] – mostra dois lados ao observador. Ela abrange, por um lado, todo o saber e toda capacidade adquiridos pelo homem com o fim de dominar as forças da natureza e obter seus bens para a satisfação das necessidades humanas e, por outro, todas as instituições necessárias para regular as relações dos homens entre sí e, em especial, a divisão dos bens acessíveis.
Freud, em sua visão, não defende a divisão entre cultura e civilização e localiza o mal-estar na sociedade muito antes da construção das grandes cidades. Existe, sim, uma distinção entre homem e natureza/ animalidade que se liga à conquista da riqueza. Coloca-se, portanto, entre uma tradição que busca repensar técnicas para atingir a felicidade de uma vida.
Freud retoma, por conseguinte, à questão da religião, em sua origem através da percepção de desamparo da criança, do pressuposto analisado de que na vida psíquica, nada do que uma vez se formou pode perecer.
Um notável exemplo a ser discutido pelo autor, é sobre a reflexão comparativa entre os desígnios de uma cidade como Roma, na Itália. Imagina-se Roma com suas ruínas, esta imagem se mostra limitada, pois precisa-se imaginar uma cidade que mantenha construções de tempos diferentes. A resposta para a limitação de pensamento, precisamente encontra-se em nossa era, na qual existem instrumentos virtuais para este fim. Sendo assim, nossa vida se prolonga por causa do medo interior gerado por forças do destino. Voltando à base da religião e seu posicionamento ilimitado de teorias, é fato relatar seu projeto do sentimento do bebê sob indistinção com o amparo absoluto. Para ele, o mundo inexiste e o sentimento de felicidade originado da satisfação de um impulso selvagem, não domado pelo eu, é incomparavelmente mais intenso do que aquele que resulta da saciação de um impulso domesticado.
A nossa felicidade, segundo Freud, nada mais é do que o fato de termos escapado à infelicidade. Ainda pelo mesmo potencial humano sobre o gozo e desejo de destruição do outro, a trabalhar neste caso com a alteridade. É no sadismo que vive o caráter dúbio do ser, através de Eros e Tânatos. Tânatos remete-se ao erotismo em seu favor, satisfazendo o anseio sexual. Obtém-se, neste âmbito, uma clara observação de relação com Eros.
É relatado, contudo, o anseio e os meios que os animais-humanos desenvolveram para o enfrentamento da vida marcada pelo mal-estar e pelo satisfatório sacrifício da libido e da agressão. Enfim, na era da tecnologia ainda encontra-se uma base social deflagrada e inquieta, sob a qual a base do sentimentalismo recíproco é notabilizada. É necessário domar o nível de base para que a ponta não se corrompa. Através das palavras de Freud é possível analisar uma materialização nua sob um aspecto corrosivo da vivência humana. Há, contudo, uma base desfragmentada e incapaz de criar-se a si própria, porém, resulta como retorno válido aos que necessitam de uma urgente mudança, uma ponte que ligue a consciência moral da imagem social.
O homem destroi a si, como exemplo cito o filme lançado há pouco tempo nos cinemas; Cisne Negro, de Darren Aronofsky (2011). Nina, a bailarina protagonista vive num ambiente que se embasa entre sua psiqué infantil e sua ruptura com este mesmo mundo. É abusada por seu professor de balé, Thomas, o qual se deleita e se satisfaz em seu bel prazer. Nina desconfia de seu mundo, inventa verdade dentro de seu ser, verdades escondidas e desejos sádicos que a absorvem até às entranhas.
Seu ambiente cultural é visto, até certo ponto, como um lugar-esconderijo, ao qual Freud chamaria Behagen (sentir-se protegido). (p. 27). Sua esfera a corrompe e lhe transmite sentimentos catastróficos, dos quais ela não aprende a lidar de modo fácil. A confusão mental em Nina é o tema central do filme, na qual não se sabe ao certo o que é real ou fantasia: Espelhos, ainda sob o pensamento da alteridade, têm papel fundamental à dupla vida do ser. A busca constante pela perfeição é o ingrediente ao trunfo do roteiro da trama do objeto de estudo. O Trágico se mostra em relapso com os contos de fadas, característica explorada no balé. Existe um contraponto entre Nina e Lily, a versão negra de Nina, sua tragicidade e seu âmago.
A indiscrição humana se mostra a partir da protagonista, por um trajeto irrecíproco entre a inocência e a volúpia por um caminho que se chama desespero. Pelas notas sinestésicas românticas de Tchaikovsky, a trama se faz por uma apoteose do cinema, por uma mostra violenta, de um lesbianismo intrínseco e o sexo como direção de cada tomada de ação.
É, portanto, neste destino que Freud busca destacar o desenvolvimento do indivíduo e suas reais necessidades psíquicas. O desejo de felicidade e o desenvolvimento da cultura, ambos paralelos, descrevem que o indivíduo tem, sim, limites e que, ao jogar a felicidade a um segundo plano, condiciona-se automaticamente a uma nova realidade. Freud dá grandes pistas para pensar o gênero literário na obra. Contudo, o conflito entre o indivíduo e o mundo e ainda, o princípio da realidade, se dão como um local utópico da pós-modernidade. Esta utopia em seu modelo tornou-se impossível de se conceber unicamente. Vive de forma constante com o sujeito e o sujeito, este é seu objeto de compromisso.
1 - O mal-estar na cultura (1930) – Sigmund Freud
2 - 1. Die Zukunft einer Illusion, in: Freud-Studienausgabe, Frankfurt/M.: Fischer Verlag, 1974, vol. IX, p.140.
3 - ultimosegundo.ig.com.br/.../cisne+negro.../n1237982376540.html
Freud, em sua visão, não defende a divisão entre cultura e civilização e localiza o mal-estar na sociedade muito antes da construção das grandes cidades. Existe, sim, uma distinção entre homem e natureza/ animalidade que se liga à conquista da riqueza. Coloca-se, portanto, entre uma tradição que busca repensar técnicas para atingir a felicidade de uma vida.
Freud retoma, por conseguinte, à questão da religião, em sua origem através da percepção de desamparo da criança, do pressuposto analisado de que na vida psíquica, nada do que uma vez se formou pode perecer.
Um notável exemplo a ser discutido pelo autor, é sobre a reflexão comparativa entre os desígnios de uma cidade como Roma, na Itália. Imagina-se Roma com suas ruínas, esta imagem se mostra limitada, pois precisa-se imaginar uma cidade que mantenha construções de tempos diferentes. A resposta para a limitação de pensamento, precisamente encontra-se em nossa era, na qual existem instrumentos virtuais para este fim. Sendo assim, nossa vida se prolonga por causa do medo interior gerado por forças do destino. Voltando à base da religião e seu posicionamento ilimitado de teorias, é fato relatar seu projeto do sentimento do bebê sob indistinção com o amparo absoluto. Para ele, o mundo inexiste e o sentimento de felicidade originado da satisfação de um impulso selvagem, não domado pelo eu, é incomparavelmente mais intenso do que aquele que resulta da saciação de um impulso domesticado.
A nossa felicidade, segundo Freud, nada mais é do que o fato de termos escapado à infelicidade. Ainda pelo mesmo potencial humano sobre o gozo e desejo de destruição do outro, a trabalhar neste caso com a alteridade. É no sadismo que vive o caráter dúbio do ser, através de Eros e Tânatos. Tânatos remete-se ao erotismo em seu favor, satisfazendo o anseio sexual. Obtém-se, neste âmbito, uma clara observação de relação com Eros.
É relatado, contudo, o anseio e os meios que os animais-humanos desenvolveram para o enfrentamento da vida marcada pelo mal-estar e pelo satisfatório sacrifício da libido e da agressão. Enfim, na era da tecnologia ainda encontra-se uma base social deflagrada e inquieta, sob a qual a base do sentimentalismo recíproco é notabilizada. É necessário domar o nível de base para que a ponta não se corrompa. Através das palavras de Freud é possível analisar uma materialização nua sob um aspecto corrosivo da vivência humana. Há, contudo, uma base desfragmentada e incapaz de criar-se a si própria, porém, resulta como retorno válido aos que necessitam de uma urgente mudança, uma ponte que ligue a consciência moral da imagem social.
O homem destroi a si, como exemplo cito o filme lançado há pouco tempo nos cinemas; Cisne Negro, de Darren Aronofsky (2011). Nina, a bailarina protagonista vive num ambiente que se embasa entre sua psiqué infantil e sua ruptura com este mesmo mundo. É abusada por seu professor de balé, Thomas, o qual se deleita e se satisfaz em seu bel prazer. Nina desconfia de seu mundo, inventa verdade dentro de seu ser, verdades escondidas e desejos sádicos que a absorvem até às entranhas.
Seu ambiente cultural é visto, até certo ponto, como um lugar-esconderijo, ao qual Freud chamaria Behagen (sentir-se protegido). (p. 27). Sua esfera a corrompe e lhe transmite sentimentos catastróficos, dos quais ela não aprende a lidar de modo fácil. A confusão mental em Nina é o tema central do filme, na qual não se sabe ao certo o que é real ou fantasia: Espelhos, ainda sob o pensamento da alteridade, têm papel fundamental à dupla vida do ser. A busca constante pela perfeição é o ingrediente ao trunfo do roteiro da trama do objeto de estudo. O Trágico se mostra em relapso com os contos de fadas, característica explorada no balé. Existe um contraponto entre Nina e Lily, a versão negra de Nina, sua tragicidade e seu âmago.
A indiscrição humana se mostra a partir da protagonista, por um trajeto irrecíproco entre a inocência e a volúpia por um caminho que se chama desespero. Pelas notas sinestésicas românticas de Tchaikovsky, a trama se faz por uma apoteose do cinema, por uma mostra violenta, de um lesbianismo intrínseco e o sexo como direção de cada tomada de ação.
É, portanto, neste destino que Freud busca destacar o desenvolvimento do indivíduo e suas reais necessidades psíquicas. O desejo de felicidade e o desenvolvimento da cultura, ambos paralelos, descrevem que o indivíduo tem, sim, limites e que, ao jogar a felicidade a um segundo plano, condiciona-se automaticamente a uma nova realidade. Freud dá grandes pistas para pensar o gênero literário na obra. Contudo, o conflito entre o indivíduo e o mundo e ainda, o princípio da realidade, se dão como um local utópico da pós-modernidade. Esta utopia em seu modelo tornou-se impossível de se conceber unicamente. Vive de forma constante com o sujeito e o sujeito, este é seu objeto de compromisso.
1 - O mal-estar na cultura (1930) – Sigmund Freud
2 - 1. Die Zukunft einer Illusion, in: Freud-Studienausgabe, Frankfurt/M.: Fischer Verlag, 1974, vol. IX, p.140.
3 - ultimosegundo.ig.com.br/.../cisne+negro.../n1237982376540.html
segunda-feira, 21 de março de 2011
COR

PORQUE SINTO QUE ME VEJO
E ME PRENDO POR DESEJO
QUEM ME QUER TOMAR DE AMOR
SENTIR-SE-Á NUMA CRUZADA FLOR.
PENA SEI, EU, EMBALADO PORVENTURA
QUE TÃO TRISTE FUI UMA ESCULTURA
E AGORA SÓ, VIVENDO DE DOR...
EMPRESTO MEU TEMPO AO TEMPO
PARA QUE CADA MOMENTO
SEJA UM ETERNO ALENTO
DA MAIS BELA LUZ
E DA MAIS OFUSCANTE COR.
E ME PRENDO POR DESEJO
QUEM ME QUER TOMAR DE AMOR
SENTIR-SE-Á NUMA CRUZADA FLOR.
PENA SEI, EU, EMBALADO PORVENTURA
QUE TÃO TRISTE FUI UMA ESCULTURA
E AGORA SÓ, VIVENDO DE DOR...
EMPRESTO MEU TEMPO AO TEMPO
PARA QUE CADA MOMENTO
SEJA UM ETERNO ALENTO
DA MAIS BELA LUZ
E DA MAIS OFUSCANTE COR.
sexta-feira, 18 de março de 2011
A Adega
A Literatura amedrontadora não é muito a minha praia, mas a gente inventa:
Lúcio caminha com movimentos curtos até a escada que leva ao porão de sua mansão. Alguém, neste momento, bate à sua porta, quem seria? A ausência de resposta se fez inoportuna ao momento e ele, cultivado por um sabor liquefeito dentro da garganta continua a caminhar. Abre a porta que dá à penumbra de sua adega e vê de frente com seu melhor amigo Rogério. - Rogério, meu grande amigo, o que faz aqui? Quanto tempo! Quantas saudades de ti...Em resposta o amigo movimenta os lábios com a língua usurpada por dentro das bochechas, nada responde em palavras, apensas seus gestos miraculosos dão a entender que precisa de alguma ajuda. Lúcio sentia-se mal pela umidade que havia no porão, entre os tijolos úmidos avermelhados e sujos pela terra que dava um cheiro de mofo e coisa guardada há muito tempo. Então Rogério começa a caminhar e aos poucos, Lúcio percebe que o amigo tem um seguidor, tem alguém atrás de si e não consegue, por causa da escuridão, responder o que nem o que significa. Ouve-se novamente um estrondo na porta superior da sala de estar, Lúcio pensa que sair dali seja a melhor coisa a fazer, porém, seu amigo precisa de ajuda, a casa é grande demais e neste instante onde estará Rogério. Gritos de Lúcio ecoam no porão, a rispidez da umidade cede o líquido esfumaçado que se solta das sombras, tonéis de vinho encontram-se ao silêncio eterno daquele instante e não há resposta de qualquer ser com vida naquele lugar. Mais um barulho na porta da sala e Lúcio grita quase rouco “Quem está aí?”, o que em resposta vem a voz lúcida do grande amigo Rogério: “Sou eu, amigo”. Neste ato, Lúcio corre até a escadaria, tenta forçosamente abrir a porta, mas está congestionada, interrompida por manchas de sangue e não abre, seu sofrimento começa a se personificar de forma trágica. A porta superior continua, mas agora com um ruído mais forte. Rogério solta gritos de tortura e não há ninguém no porão, só Lúcio consigo mesmo. Ouve-se uma coruja do lado de fora, um sinal? Talvez, mas nenhuma resposta do grande amigo Rogério. Então com a ajuda de uma escada, Lúcio consegue retirar parte da cabeça para fora, através de uma fresta do porão que por sinal, irrompe um facho de luz amarelada, o luar se mostra altivo e aos poucos, mudo e com força Lúcio consegue sair com parte do corpo à parte superior da casa, em seguida está livre, observa sua mansão ainda prejudicada pelo vento que levou grande parte de sua arquitetura, suas origens remontam a tempos idos e agora Lúcio sofre com uma respiração fugaz. Olha ao alto, sob o teto, e um ruído vem da parte inferior da casa, do porão onde estava. Lúcio chama pelo amigo, nada de resposta. Em seguida levanta-se com a roupa suja por um sangue negro, começa a correr, ao chegar ao quarto ainda ouve ruídos que agora parecem vir da cozinha, volta-se de prontidão e caminha mancando, ao passar pela sala de estar, em um silêncio perpétuo com grande tempestade do lado de fora da casa observa sua lareira acesa e sua imagem no quadro sob uma escultura em ascensão. Nota que em sua poltrona está sentado seu melhor amigo, Rogério, este o convida para sentar-se e beber uma Bordeaux, apreciar a noite e lembrar a adega onde trabalhava até os trinta anos de idade. Neste impasse Lúcio lembra que Rogério morrera há dezessete meses e que o dia inaugural de sua vida foi sexta feira 13.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Sonata
Umviolino
Tece um naipe de veludo,
Fininho vai usurpando
A coragem do mundo.
Em seguida uma voz de contralto;
Depois um baixo e mais adiante um tenor.
Logo se faz presente uma soprano
Tocando em miúdos.
Dois violinos tecem a singela lua,
E inoportunamente realçam a luz
De forma a alcançarem uma magnífica arquitetura.
Três violinos golpeiam a nobre cor do mundo
E num espetáculo mirabolante
Quatro violinos tecem o sol,
Sua força é um estrondo
E as vozes de seda,
Cada vez mais firmes,
Cedem lugar ao paraíso
Habitado
Em
Cada
Ser.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Outrora

Há muito tempo aprendi os dizeres de minha terra.
Quando eu era ainda um garoto moleque...
Naquele tempo não tinha tempo ruim,
Era sol todo dia.
Depois aprendi a guiar-me com os solavancos
Da vida. Meu tempo de menino
Que era foi e nunca reapareceu.
Mas personificado ainda vive
Nos garotos de agora,
Que vejo, ainda, no parquinho de diversões:
- Os meninos a correr atrás das menininhas
E estas gritam desvairadas.
Um momento que foi de relance
Bem aproveitado e que desvanece
Na consciência límpida
E crescente de outrora.
A coragem surpreende-me
Em seguir um trajeto luminoso
Entre a meninice e a fruta madura
Que se faz num maravilhoso pé de amora.
Quando eu era ainda um garoto moleque...
Naquele tempo não tinha tempo ruim,
Era sol todo dia.
Depois aprendi a guiar-me com os solavancos
Da vida. Meu tempo de menino
Que era foi e nunca reapareceu.
Mas personificado ainda vive
Nos garotos de agora,
Que vejo, ainda, no parquinho de diversões:
- Os meninos a correr atrás das menininhas
E estas gritam desvairadas.
Um momento que foi de relance
Bem aproveitado e que desvanece
Na consciência límpida
E crescente de outrora.
A coragem surpreende-me
Em seguir um trajeto luminoso
Entre a meninice e a fruta madura
Que se faz num maravilhoso pé de amora.
1864

No encontro entre os bandidos, os delgados, as corujas e os mancebos encontrava-se também um homem que se chamava João. Este era tocador de viola e tocava boiada em Santa Helena de Goiás. Foi então que um dia resolveu descer o Brasil e se encabeçar no Sul gaúcho. Lá encontrou velhos amigos de boiadas e o tal Cabeça Mole, um sujeito atrevido que tinha uma cara de cavalo. Os pássaros, em uma manhã gelada, assobiavam nítidos uma canção de amor e o João, firme em cima de um tordilho sumiu-se pela estrada que leva as condecorações sulinas ao Uruguai. Cabeça Mole estava guiado por um macaco surdo, mas que de visão era o rei, enxergava até visagem nas costas engarupada ao João. E num tom de mágica o macaco sumiu. Caiu na ribanceira do Conrado. João, o detentor que encaminhava uma passada de macaco com Cabeça Mole pela passarela estreita acudiu o companheiro que choramingava à falta do macaquinho surdo e nisso, de forma quase mágica, apareceu uma noiva na esquina do mato.
- Aonde vocês pensam ir?
João, arrepiado, mas com um facão amarrado à cintura respondeu sobriamente:
- Levo minhas condecorações ao Estado de emergência no Uruguai. Ajudarei a Guerra contra aguirre.
- Suma-se!
Foi somente isso o que ela disse.
Chegaram ao local, João, o macaco reencontrado e Cabeça Mole. Conquistaram Paysandú e foram aos poucos e solavancos em marchas até Montevidéu.
O macaco foi o primeiro a pular do cavalo, puxou a bandeira nacional e enfiou num misticismo indiscreto numa valeta próxima, Cabeça Mole choramingava, ainda, por encontrar seu último amigo, o macaco. E João, nesta hora tocava sua viola de modo a chamar todos os estrangeiros para perto e a guerra terminou porque a música era sublime, não haveria intrigas nem estrondos, nem delgados nem bandidos. João, Cabeça Mole e o macaco tornaram-se os Reverenciados da Guerra. Comemoraram o fim de ano em prosa e sorte, sem foguetes, mas com tiros ao alto.
- Aonde vocês pensam ir?
João, arrepiado, mas com um facão amarrado à cintura respondeu sobriamente:
- Levo minhas condecorações ao Estado de emergência no Uruguai. Ajudarei a Guerra contra aguirre.
- Suma-se!
Foi somente isso o que ela disse.
Chegaram ao local, João, o macaco reencontrado e Cabeça Mole. Conquistaram Paysandú e foram aos poucos e solavancos em marchas até Montevidéu.
O macaco foi o primeiro a pular do cavalo, puxou a bandeira nacional e enfiou num misticismo indiscreto numa valeta próxima, Cabeça Mole choramingava, ainda, por encontrar seu último amigo, o macaco. E João, nesta hora tocava sua viola de modo a chamar todos os estrangeiros para perto e a guerra terminou porque a música era sublime, não haveria intrigas nem estrondos, nem delgados nem bandidos. João, Cabeça Mole e o macaco tornaram-se os Reverenciados da Guerra. Comemoraram o fim de ano em prosa e sorte, sem foguetes, mas com tiros ao alto.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Sim
Não foi a suave luz a passar
Não o grito a ser cruel
Não há do que reclamar
Não há o que dizer:
- Não me venha impor,
Mas as palavras que agonizam
Perpassam
Mudam
Resplandecem
Não venha me dizer que não foi.
Não foi a coragem que caiu
Não foi o pulso que se cortou
Não foi a mira que se atingiu
Não há o que dizer:
Não, não há!Não há fatos contra efeitos
Não fiz de tudo
Não é a luz que enegrece
Não é o tédio que resplandece
Não creia, não!Não me fiz de mudo
Não me fiz de surdo
Não foi quem fez?
Não há do que se envergonhar
Não há nada a se estender
Não creia no absurdo relato
Não foi a terra a explodir
Não há mundo a supor
Não creia no relapso instante
Não releia a natureza enfarde
Não suponha! O som a aurora
Não sinta-se fora:
- Não por dentro
Não sem êxtase: Não!
Não assim; sim.
Não o grito a ser cruel
Não há do que reclamar
Não há o que dizer:
- Não me venha impor,
Mas as palavras que agonizam
Perpassam
Mudam
Resplandecem
Não venha me dizer que não foi.
Não foi a coragem que caiu
Não foi o pulso que se cortou
Não foi a mira que se atingiu
Não há o que dizer:
Não, não há!Não há fatos contra efeitos
Não fiz de tudo
Não é a luz que enegrece
Não é o tédio que resplandece
Não creia, não!Não me fiz de mudo
Não me fiz de surdo
Não foi quem fez?
Não há do que se envergonhar
Não há nada a se estender
Não creia no absurdo relato
Não foi a terra a explodir
Não há mundo a supor
Não creia no relapso instante
Não releia a natureza enfarde
Não suponha! O som a aurora
Não sinta-se fora:
- Não por dentro
Não sem êxtase: Não!
Não assim; sim.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Soneto à minha Noiva, Ingrid

Tudo farei ao seu belo momento
E em cada amanhecer trarei rosas
E lembrarei-te em versos e prosas
Que cada teu olhar será invento.
Não proclamarei em forma de tempo,
Dirás o que sente, eu serei as formas
Que tens no coração. Em tantas normas
Eu saberei condizer que so'u vento.
Não admiro o milagre concreto
Sob qual existem os sentimentos;
Mas a ocasião de planos certos
Abrunho-me em te amar em qual silêncio
Como a acariciar-te os teus cabelos
Me proponho a te amar eternamente.
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