segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Homenagem Natalina



Caríssimos,

Embora pareça uma ideia falseada a do natal, considerada em condição de festividades antiguíssimas e, além do mais, pagãs, temos acima de tudo uma representação sublime: a do nascimento de Jesus. Natal significa Aniversário. Não somente isto, pois é o Aniversário da inexpressível alma que habitou/habita nosso mundo, conservando a humildade e caridade como aspectos triunfadores para uma nova vida. O nascimento significa começo, início de algo novo e que pode ser direcionado a uma estrada mapeada a qualquer instante pelas mãos humanas. Nossas mãos movem os caminhos pelos quais passamos e nossa fé, ainda que dura como as pedras e pequena como migalhas, move montanhas. Somente os seres de extremada fé conseguem chegar ao ápice de sua montanha da vida, já que esta é comparada a grandes rochedos que, quanto mais subimos, mais a visão se deslumbra por entre os bosques e mais perigoso torna-se pelo fato de, a qualquer momento, sofrer-se uma queda. A fé traz luz e paz, anima e dá coragem, como o próprio Cristo deixou explícito: “Tua fé te salvou”(Lc. 18:35-43). Ainda que pareça um assunto laborioso e velho, é mais novo do que se imagina. Tão somente que quem busca a verdadeira paz é que consegue adentrar de forma limpa e honesta no seu próprio céu. O paraíso existe dentro de cada ser, e sua ausência, por conseguinte também pode se fazer presente nos corações que buscam a miséria e a lamúria. É difícil tratar de um assunto de milênios sem se remeter à sua história, mas o mapa está ressaltado em ambientar nestas palavras somente a fé em sua religião (entende-se religião, neste caso, como aspecto de se relegar a Deus, Sem hierarquias), retirando quaisquer critérios científicos. INRI: Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus, é o modelo representativo perfeito de humildade e compaixão, modelo de soberania e combate ao mal que tanto oprime as sociedades nas diversas épocas da vida. “Se queres paz, prepara-te para a guerra”. A guerra, neste caso, entendida como modelo de rejeição à luta, modelo de compromisso somente com o bem e as virtudes de nossa existência. A paz é produto inestimável de qualquer um e sua essência está no dia-a-dia. O natal está próximo, apenas uma data, mas em nossa mente, partindo de uma semântica mais aguçada, é que se faz presente toda imagem e toda manifestação de fé e compromisso com os nossos princípios. Acendamos o bolo do Aniversariante. Dois milênios de Grandezas a partir da humildade. Sobre o presente? É absoluta certeza que Ele quer somente observar a doação ao bem e à caridade de uns para com os outros aqui na terra.
Meus votos de feliz natal com muita luz e paz!

Petição do Natal

Senhor Jesus!...
Ante o Natal, agradecemos
A enorme evolução que nos permites.
Iluminaste a inteligência humana
Para vitórias quase sem limites.
Nunca subimos tanto!...
Num minuto,
Nações se comunicam, pólo a pólo...
O homem revolve a Terra, em toda parte,
Desde as grimpas do Espaço às entranhas do Solo.

Entretanto, Senhor,
Enquanto o carro do progresso avança,
Atropelando as multidões do mundo,
Surge a dor na carência de esperança.

Pela força dos Céus, tão alto nos elevas,
E lutamos ainda em conflitos extremos...
Concede-nos, no amor com que nos guardas,
A proteção da paz que ainda não temos.

Natal!... Ouve, Jesus, as trompas de ouro
Que te exaltam na Terra os dons divinos!...
Com o amparo de Deus, tão grandes nos fizeste!
Ensina-nos, Senhor, como ser pequeninos!...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O filho que comeu feijão com arroz como se fosse príncipe


Ismael nasceu com sorte, em uma família rica e bem sucedida. Calou-se aos dez anos quando perdeu a pequena irmã com olhos de sol para uma doença desconhecida. Naquela terra ninguém conhecia nada. Sertão cearense, paixão meticulosa cheia de milagres nas esquinas, o sol roxo se esconde por entre o capim seco em que vacas emagrecem. Uma névoa cinza se faz por entre o céu, uma mistura de dor e tristeza forma um terceiro tom chamado miséria. Neste lugar escondido no mapa nacional, o pai de Ismael era prefeito e sua mãe, primeira dama da classe A bem feita na vida. Tinham carro bom, casa chique e roupas bem ajustadas ao caráter. O irmão de Ismael tornou-se prefeito posteriormente, mais ou menos uns vinte e três anos depois. Ismael nasceu com sorte, como dito, mas perdeu-a aos dezoito quando fugiu de casa e devorou sua herança com prostitutas e tabernas. Tornou-se ainda mendigo dos próprios atos, servo das suas paixões e ilusão de sua vida. O filho mais velho, chamado Pedro, seguiu os negócios da família e tornou-se o homem que deu as variadas direções à família. Ismael não reagiu às tentações da carne e caindo em si, sua maior vontade era dizer: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados’. Mas não disse, nada saia de sua boca e seu pensamento havia se entruncado por algo que não tinha, talvez, uma explicação óbvia. E o pai talvez lhe dissesse em retorno:. É preciso festejar e nos alegrar, pois esse irmão estava morto e tornou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado!. Ismael continua a viver de forma sublime, aos almoços de fim de semana qualquer dono de boteco lhe entrega um prato com alguma coisa de alimento, ele agradece cabisbaixo e reabastece a energia idílica.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um título sem definição


O amor é como um gesto de ternura
Que prende e amargura por um instante da vida,
Um instante súdito, quase solto, o amor nos deixa à mercê.
O amor é como o sol que se expande e reflete sob
Nossos hábitos uma emoção que se aproxima do céu.
O amor só acontece quando a coisa amada se ama,
Por isso é veloz e foge fácil como água das mãos.
Quem ama parece se inebriar do que ama,
Mas apaixona-se antes de amar.
O amor é um vento leve que se inicia com a brisa
E torna-se violento como uma viagem ao oceano.
Nesta viagem encontra-se de tudo,
Monstros selvagens, piratas soltos,
Tubarões loucos, mas mesmo nestas provações,
Há de enfrentá-los com o amor.
O amor se doa a quem quer, é gratuito,
Sem ambiguidades nem contradições.
O amor, para quem não conhece,
É a incompreensível forma de viver cada vez melhor e mais feliz,
Porque a felicidade é um de seus resultados.
O amor alimenta a alma e simplifica a vida
Em gotas de sabedoria e ternura.
O amor, oh, o amor acontece...
O amor é o verbo feito,
Produzido e lançado por Deus aos
Corações que o querem sentir...
O amor não tem explicações
E sua maior e mais significativa explicação é tão somente,
Meramente o silêncio e a compaixão.
O amor é a lembrança e a ação.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pequeña Serenata Diurna

"Hoje eu acordei mais cedo, tomei sozinho um chimarrão. Procurei a noite na memória, procurei em vão. Hoje eu acordei mais leve, nem li o jornal. Tudo deve estar suspenso e nada deve pesar"[...] Conforme esta citação do Gessinger, hoje o teclado não me levará ao desconserto de minhas inspirações, e para iniciar um belo final de semana, nada melhor do que algo que (rara)dificilmente vemos na televisão. Segue uma relíquia de nossos tempos, por Silvio Rodriguez, ouça, visualize e sinta com todo o prazer:
Segue o link, pois não consegui fazer o download do arquivo:
Pequeña Serenata Diurna

Vivo en un país libre
Cual solamente puede ser libre
En esta tierra, en este instante
Y soy feliz porque soy gigante.
Amo a una mujer clara
Que amo y me ama
Sin pedir nada
—o casi nada,
Que no es lo mismo
Pero es igual—.
Y si esto fuera poco,
Tengo mis cantos
Que poco a poco
Muelo y rehago
Habitando el tiempo,
Como le cuadra
A un hombre despierto.
Soy feliz,
Soy un hombre feliz,
Y quiero que me perdonen
Por este día
Los muertos de mi felicidad
. (Silvio Rodriguez)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O nascimento de uma flor


Teus trejeitos mudam meu mundo
Eu fico sem medo quase mudo
Altero meu jeito instantaneamente
Torno-me compulsivamente torto
Porque o poema deixa-me assim.

Teus passos seguem outros passos
Que quando por ti passo não penso
Tão meramente posso ao chão pisar
(Meu medo é perder os passos teus).

Com as tuas nobrezas aos cabelos
São reinados e reis que aos teus pés ajoelham-se
Bela, sobre teus olhos almejo meus sorrisos
E sobre a tua face beijo tua testa vagarosamente.

Depois retiro toda pintura dos teus olhos
E o batom que ainda lhe resta, o sinto aos lábios meus,
Carnudos e selvagens, quase de forma estarrecedora,
Morro nos braços teus de amor numa noite tão
Bela quanto o Belo que agora em mim nasceu.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Olá!

Não sejas tão dissimulada e triste, meu bem
Olha só, a vitória é régia bela por si mesma.
Aprenda, a vida se mostra enquanto tú se alimenta
Da esperança que dela se lança.
Não canse.
Se cansar, dance. Quem manda é porque alguém serve para obedecer.
A palavra já não mata, mas fortifica e deixa o coração duro feito rocha.
Sobre este palanque abstenho-me entre poucas palavras
Que sobressaem da garganta engarrafada e revestem-se de algo chamado dor.
Não cante nem dance.
Impere espere um verbo que impera de imperador...
Guarde sua dor para a outra volta e agora
Segure firme a minha mão sem medo, segure, sem medo...
Comova-me com o que sabe e eu lhe direi quem sou!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Poeminha "Diálogo com a Gazeta"

Catanduvas recebe mais seis presos transferidos do RJ
MAS MEU PENSAMENTO CONTINUA ILESO em janeiro.
Avião que transportava os detentos pousou no aeroporto de Cascavel por volta das 23h40.
ÀS 00H00 EU PERDI MEUS MINUTOS.
Violência assombra 9 em cada 10 brasileiros
E A CADA 5, DE 7 BRASILEIROS TOMAM CERVEJA com fritas...
Governador negou “desconforto” ao repassar o comando do estado Ao presidente da AL, que é processado por irregularidades no Legislativo
E AS IRREGULARIDADES SÃO, AINDA, DESCONFORTÁVEIS
AO MEU ESTADO DE CONSCIÊNCIA E LÁSTIMA.
iPad chega ao Brasil com festa em shopping da capital paulista
Cerca de 50 pessoas encararam uma fila na loja Fnac do Shopping Morumbi até a meia-noite de quinta-feira, para comprar o tablet
ENCAREI O TABLET DE FRENTE PRO CRIME
ELE NÃO ME DISSE NADA, O SILÊNCIO PERMUTOU-SE
COM OS GRITOS DO EXTASE.
Cientistas descobrem bactéria que contém arsênio em sua formação
Elemento químico na "Halomonadaceae" GFAJ-1 é tóxico para humanos. Equipe financiada pela Nasa encontrou organismo em lago na Califórnia
...E O CORAÇÃO AINDA BATE PULSANTE
Classificados mais anúncios
Imóveis
7103 ofertas
Veículos
2325 ofertas
Empregos
539 ofertas
QUANTO ENGENHO NESSA COISA DE CHAMAR A SORTE.
AINDA MAIS OFERTAS: DOA-SE UM VELUDO.
Os melhores preços estão aqui, clique e compare!
Parte superior do formulário
Pesquise produtos:AS MELHORES SOMBRAS DOS POSTES ESTÃO ACOLÁ:
PARTE INFERIOR DE UM MOMENTO ÚNICO DA VIDA.
PESQUISE. CLIQUE. CHAME E DEPOIS, BERRE.
Magazine Tectoy DBR-750 Blu-Ray 10 x R$49,90
MEU DIÁLOGO TERMINA AQUI. TRAGÉDIA EM UM SÓ ATO.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Infortúnio


Joaquina sempre fora boa moça, sempre fazia o que eu mandava, embora eu mandasse em poucas coisas naquela casa. Se bebia meus gole? Ora, o que isso embaça? Eu não tenho culpa do vício, o ser humano é promíscuo a estas coisas, ainda mais quando a vida não se vai lá muito bem. Mas Joaquina, hoje, vive a me culpar, chamando-me arrogante quando o que eu mais precisava era somente do seu carinho. Não me aflijo de jeito algum, toco minha viola. Fico feliz do mesmo jeito. Eu me sento todo santo dia pra descansar dos compromissos da vida na Praça Generoso Marques. Tento não pensar mais muito em minha eterna Joaquina, mas ela sempre fazia calor em meus ombros nos dias tenebrosos de frio. Agora, sentado aqui neste banco vendo os pombos defecarem sob os modos das senhoras de sorrisos abertos, sinto um calafrio por dentro, mas também é coisa passageira, somente passa por mim como um trem bala. Meu mundo gira um pouco mais rápido, num tom tempestuoso, a visibilidade da vida é afetada, e navios que não existem somem no cavado de suas vagas. Acontece em meu peito como nunca dantes visto, uma espécie de efeito, uma ressonância de Schumann. O equilíbrio que me havia prescrito, depois de algum tempo, dobrou de tamanho. Meu mundo se atraca num caminho sem volta, eu deambulo por minha única vontade. Passam dez minutos e os pombos se atiçam e voam em bando em direção ao centro da cidade, um mendigo passa por mim e cumprimenta-me com um leve e melindroso “boa tarde”. “Boa tarde”, respondo enfim com simpatia e pena, mas não devo ter pena porque também estou penado. Depois um moleque passa por mim com a mãozinha direita grudada à esquerda da mãe, ambos me olham de gauche e completam a caminhada rumo a uma loja de equipamentos. Minha mente retrocede mais uma vez, penso em Joaquina, minha linda, já não sabe o que é bom pra mim. Ela tem olhinhos de botões e na sombra pensa em ser feliz. Já não sei o que estou a dizer, e mesmo sem saber continuo estático como se fosse estátua viva de praça, muitos já iniciam um pagamento antecipado, jogando sobre meus pés, moedas de pequenos valores. Somente meus olhos acompanham as facetas, meus lábios também continuam parados, a luz do sol em movimento indica o meio dia da vida. Meu celular em silêncio, não presta porque não toca, o atiro sobre os arbustos do Museu da Cultura. Sete cães passam em minha frente, um deles, o último a passar, vem até meus pés e os cheira, faz uma cara de sobressalto e continua aos passinhos em direção aos companheiros de malandragem e confidências. O primeiro olha pra trás como a se despedir do resto da vida, ao atravessarem a rua, um opala azul escuro atropela o líder, um vira-lata teimoso que até à morte teimou em viver, através de gritos flamejantes e cruéis. Os pombos, em seguida voltam ao melhor lugar do mundo e, depois de uma semana, os ratos e os urubus tomam conta do cadáver já passado no asfalto em frente à Generoso Marques. Ninguém nada vê. Embora ninguém também nada sinta, eu ainda sinto no fundo do coração um sentimento alastrado pela Joaquina, sei lá o que pode ser. Ela sempre fazia o que eu mandava, depois se evadiu deste estado de ventura para um outro de lástima e desprazeres. Fora apregoada pelos misteriosos ventos do norte, num dia de clarão e até hoje, nunca mais, nada se ouviu sobre a Joaquina, vai ver, tornou-se heroína. Minha mais singela peça encantada se deparou com uma tarde ensolarada, hoje em dia não tenho mais nada e nada me comove porque deambulo.