quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Garoto perdido (baseado na história sobre Don Puz)


Eu não entendia direito o que ocorria. Quando adentrei na mata me deparei com a imagem mais robusta que poderia ver na vida.
Conta-se que há quase cem anos atrás um garoto chamado Don Puz saiu para pedalar com sua bike pela mata próxima de sua casa. Ao se deparar com tamanha natureza acabou se perdendo e, neste instante, encontrou uma caverna na qual entrou lentamente. Ali percebeu que havia mil criaturas místicas, homenzinhos coloridos que o chamavam pelo nome, porém, o garoto despercebido e contido por uma espécie de sonolência adormeceu tão logo que notou aquelas criaturas.
Não se sabe quanto tempo permaneceu ali, mas quando acordou estava nu, havia perdido suas roupas e sua bicicleta. No entanto, não notara mais os pequenos homens no local, apenas gotas de água que desandavam pelas rochas demoradamente. Puz levantou-se tímido de si, começou a caminhar tentando encontrar em algum lugar suas vestimentas e bicicleta. Não mais incomodado, gritava arduamente e do seu grito ressoava do outro lado apenas um eco líquido. Notou que estava sozinho ali.
Demorou algum tempo e depois de alguns instantes apareceu um vulto por destras de uma árvore espessa, Don Puz correra em sua direção, porém, o vulto evaporou de uma hora para outra. Na vila onde ele morava, muitos o chamavam, o procuravam, foram à polícia e nada, o pequeno garoto havia sumido de fato.
A mata era muito fechada e quando o menino acordou de seu profundo sono, estava ainda mais suja e escura. Muitos bichos viviam naquela região que por sua vez, era cortada por imenso rio negro.
As flores naquela época se abriram com mais compaixão, suas cores eram muito mais fortes e sensacionais. Presumivelmente, o céu iniciou precipitar-se em uma escuridão sólida e neutra ao mesmo tempo. O garoto Don Puz não conseguira nunca mais sair da mata.
Dizem as más línguas que ainda hoje, quando há ecos na mata ou qualquer barulho, ser a voz do garoto perdido. Ninguém consegue adentrar-se na floresta por ser perigosa e conter muitos precipícios.
O mito permanece tão vivo quanto as flores que ainda se abrem na estrada que leva às montanhas esverdeadas. O vilarejo onde Puz vivera tornou-se hoje uma grande cidade cortada por trânsitos, metrôs e prédios. Do trigésimo andar, no prédio mais alto da região se pode notar ao longe as montanhas e uma fumaça que delas evapora nos dias de frio. Dizem os executivos ser Don Puz a construir seu fogo diário para o café da manhã.
Juan, o homem mais velho da cidade que, inclusive viveu o seu crescimento, diz ter conhecido o garoto Puz. Também afirma, embora todos o achem louco, ter visto uma vez, quando entrou na mata sozinho, o garoto que já estava mais velho com barba muito grande e nu. Puz não o reconheceu naquele instante e tentou agredi-lo, no entanto, Juan correu até chegar a um local em que uma bicicleta encontrava-se penetrada totalmente por uma árvore. Ele afirma que a bicicleta era a mesma utilizada por Puz, e também afirma que o antigo garoto tornou-se parte da mata, muito mais que isso, é, hoje, o rei das montanhas esverdeadas. A grandiosa mata o absorveu como essência e hoje a lenda é tão viva quanto a história de Juan. 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Se sou


Se sou tempo eu espaço
Me traço de verde
E outras vezes de sentimento.
Sou eterno momento
Eternamente alento
Sem contentamento
Mas, azul de mar e céu.

Se for eu mesmo quem
Almeja escrever entrelinhas
Me pinto de estrelas
Da mesma maneira que seria eu mesmo
Se fosse outro, quem saberá!

Se sou magia ou alegria
Não importa, menina,
Creia aqui só neste simples tempinho
Que leva horas pra acontecer.

Acredite que se sou eu
Sou eu por mim
e me levo a todo lugar
Me busco
Me desprendo
Me compreendo.
Se sou, sou sendo solto
Sem sentinelas.  
Sou, só isso. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos Namorados ou Dia de João Dória?




O dia amanhece frio e nostálgico. Coço a cabeça ao levantar-me da cama e lembro que é dia dos namorados e, infelizmente não estou perto de minha noiva, pois ela mora a certa distância.
Porém, ligo em seu celular logo cedo dizendo que a amo e que me sinto feliz ao seu lado.
Em seguida entro no facebook. É um sistema que foi automaticamente estragado por conta dos brasileiros que não souberam seu verdadeiro sentido, mas isso é outra história, preciso de foco. (“os facebookianos talvez, ao ler isto, me trarão um foco. Perderam completamente o sentido de semântica e pragmática”).
Outrora, aparecem e reaparecem infinitas mensagens de “eu te amo” daqui, “eu te amo dali”, “dou-te meu coração”, imagens absurdas e requerimentos apaixonados, logos de flores, recados com poeminhas (alguns feitos nas cochas, outros roubados sem citação e por incrível que pareça a namorada muitas vezes acha que foi o cara quem fez a coisa, isto é loucura).
No entanto, com estas palavras alusivas, quero apenas destacar que esta data tão importante aos namorados, noivos, casados, compadecidos, amantes e loucos foi criada pelo tão conhecido, assim como muitos filósofos de renome neste mundo, Comércio Paulista, nome e sobrenome. Foi adquirida por outras partes do Brasil para surtir o mesmo efeito do dia de São Valentim, que incentiva a troca de presente entre os apaixonados.
A origem do Dia dos Namorados encontra-se na Roma Antiga, por volta do séc. III. O Padre Valentim desobedeceu às obrigações junto ao imperador Cláudio II, o qual havia proibido o casamento durante as guerras crendo que os solteiros fossem melhores combatentes (Acho que deveriam fazer isso hoje com os jogadores de futebol, proibir mulheres e bebidas). No fim das contas descobriu-se que o padre continuava realizando casamentos às escondidas, recusou-se a renunciar o Cristianismo e como castigo, Valentim fora condenado à morte. Enquanto aguardava sua prisão no cárcere, apaixonou-se pela filha cega de um carcereiro, Asterius que, milagrosamente, devolveu-lhe a visão e escreveu-lhe uma carta na qual assinava: “seu namorado”.
Já no Brasil a história mudou poucamente, a data mais romântica do calendário surgiu, como prescrita, em São Paulo em 12 de junho de 1949, com o publicitário João Dória por conta das lojas Clipper. O sujeito realizou uma campanha para melhorar as vendas no mês de junho, contando com o apoio da confederação de comércio de São Paulo criou-se a frase: “Não é só de beijos que se prova o amor”. Escolheu-se o dia 12 por ser véspera de Santo Antônio e a partir desta data virou moda e passou a ser um dia comemorado pelos namorados e muito mais pelo comércio.
Agora quem me lê talvez diga com olhos vermelhos de raiva: “Que insensível, que homem desapaixonado”, mas não. Eu acredito nos dias dos namorados, assim como nos dias dos pais, pelos quais me refiro, são todos os dias. O comércio é uma podridão que eterniza e flagela a sociedade num todo. A midiocracia, a tecnologia, a informação emancipada são doenças incuráveis no Brasil.
E se minha noiva me lê, digo e repito incessantemente que a amo, mas que estas palavras repetidas nunca provarão nada como o farão os meus atos diante dela. O amor se prova com atos, com carinhos, com surpresas e relíquias. O amor se reinventa todos os dias. Refaz-se de milagres e tem por combustível o companheirismo, a saudade, a paixão. O melhor dia dos namorados é o estar junto e sentir o calor do outro. É se sensibilizar com pequenos atos e ter como fonte regeneradora: Deus.
Ingrid, minha noiva princesa. Queria passar o dia todo junto de você, porém, como o sistema capitalista me impede (preciso trabalhar e não sou rico, sou apenas parte do proletário) digo que te quero sempre, minha grande felicidade é te ver feliz e bem. Para você eu digo sim...