sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Soneto a um tolo do século XXI, baseado no Boca do Inferno.



Se pra ser tolo como é o tolo aqui
Basta a “economia” do Greca ver
Notório saber que quer entreter
Pra depois esculachar e sorrir.

Se pra ser burro é ato em distrair,
Provém o “congelar” do Richa ser
De intermédio um modelo nascer,
Não se sabe pensar ou subtrair.


Mas se todo encanto ainda correr,
Basta ao idiota: camisa amarela,
Depois em desvario bater panela.

Esquece-se tudo pela mazela
Confunde-se o bom com o zé-ruela
E, bem no final, há de tudo “temer”.


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Sei lá


A dor
O alimento
O alento em tédio, removido como arquivo duplicado.
O mar
A ausência
O amor
Amar o perdido por demência,
Estar confuso ou sê-lo.

Entanto padeço deste conjunto
de substâncias longínquas.
Revisto-me de um item tenebroso,
Quase como um olhar
A navegar confusamente
sobre um oceano sem água
Sem horizonte...
Escandaloso...
Sem palavras...


A cor
O momento
O tormento dos prédios - promovidos como na vida o cimento danificado.
O ar
A transparência
O horror
Sonhar com o transmitido por obsolescência,
Estar emaranhado ou amarrado...
Sei lá!

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Uma vaguidão absoluta


Sob imprecisão temporal:
- Vaguidão só.

O tempo próprio
Foi  nosso contra contexto;
Um tempo absurdo
Com nuanças belas, mas tristes,
Como tristes donzelas a tomar chá.

O nosso absoluto couro da vida...
A pele, o pelo dos braços,
O absurdo irrequieto dos dedos
Cintilantes e envolvidos
Na diáspora inquietante
Do like na net.

Network ou netchat:
- O chato é se identificar!

O tempo foi nosso contratempo.
Por que não nascer antes ou
Por que não nascer depois?


Só quem ama sabe que o agora é após,
Que o sentimento que se conduz
Reflete o paradoxo da vida em pó.
Essa estranha e escondida
merecida Avenida XV de novembro,
Onde os mais esgotados milagres
Subsistem e perduram até
O fim do mês,
Outras vezes até dezembro.