sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ausente explicação sobre o amor


Eu não me vejo como um bitolado acústico a falar sobre as peripécias do amor, embora este seja cruel e devastador às vezes. Amor, em minha opinião é somente ato abstrato que existe por si, não há definição, ainda que muitos tenham tentado tal proeza. O amor é sofrimento, dor, chuva e agonia. Amor é a busca incessante do que se não consegue alcançar. É a dor no peito, o choro e quando após o choro, um martírio sensato e ético. Talvez alguns acabem por pensar que amor seja concreto, que existe como o mar, e realmente é como o mar, no qual muitos se afogam, se perdem por caminhos sem volta. Quando se descobre ou redescobre o verdadeiro amor, ele também é abstrato, irreal e misterioso. Existe o desejo de atingir em plena astúcia este objeto que se faz em muitas mentes, e, mesmo assim, mata-se por amor, morre-se por ele ou se vive por toda a vida feliz com e por ele, sendo que o amor romântico, amor dos filósofos ou, seja lá como se explique, existe no psicológico, alimentado pela paixão, por emoções distintas e ambições que fazem da falta que há no coração uma forma de dar mais valor direcionado a quem ama ou é amado. Nós, seres humanos amamos, mas, isso não é a explicação concreta para sermos seres humanos, apenas uma base que não tem muito sentido óbvio. A seguir coloco duas explanações de diferentes pensadores sobre o mesmo tema:
Shopenhauer define amor como um sentimento que radica do impulso sexual, um nome inventado que damos a um impulso de reprodução.
Sócrates já define de uma forma amena, diz que o amor inicia-se com a paixão por um corpo atraente e finaliza-se no amor da beleza absoluta. O sexo é o desejo irrelevante para o amor, com qualidade inferior ao amor que descobrimos quando abandonamos os desejos físicos.
Há um mito por trás disso tudo de que quando Afrodite nasceu os deuses baqueteavam no olímpo, mas, haviam se esquecido de convidar Penúria, deusa da pobreza, que, após a festa, miserável e faminta, veio à caça dos restos enquanto todos dormiam. Nisso encontrou Poros, deus dos recursos, embriagado e prostrado no jardim dos deuses. Deitou-se com ele, e concebeu Eros. "Eis porque o Amor se tornou amante do belo e servo de Afrodite, pois foi gerado em seu dia natalício", explica Sócrates. Assim como sua mãe, o amor vive faminto e sedento, deseja preencher-se; como o pai, encontra sempre expediente para alcançar o que deseja.
O mito revela uma grande lição: amar é desejar o que nos completa, é a possibilidade de preenchimento pleno, uma busca pela perfeição. O amor se vale de todos os recursos para aplacar a dor da falta, e procura pela forma pura e perfeita. Amar é desejar o belo em sua essência, para além do mundo das ilusões.
Portanto, sobre este título complexo e sem definição compreensível, o amor acaba se tornando o inexplicável sentimento que existe em nosso ser. Amor talvez seja aquela dor no peito quando se toca o refrão da música que te faz lembrar de seu amado ou amada, talvez seja o sentimento de saudades quando você passa pelos lugares que te fazem lembrar desta pessoa, é o toque no celular de madrugada, a busca desenfreada pelas conquistas que não conseguimos atingir. É a vitória sobre o júbilo em forma de paz, um sentimento bom que é ruim, que se ganha e se perde muito, que é isso e aquilo. Ainda que nunca cheguemos a uma explicação fiel, é importante refletiremos sobre o ato de amar, se for ato. E amar e amar mesmo sem saber o que é amor. Faz parte da vida e faz bem.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Natal de Jesus


SÚPLICA DE NATAL

Casemiro Cunha

Na noite santificada,
Em maravilhas de luz,
Sobem preces, cantam vozes
Lembrando-Te, meu Jesus!

Entre as doces alegrias
De Teu Natal, meu Senhor,
Volve ao mundo escuro e triste
Os olhos cheios de amor.

Repara conosco a Terra,
Angustiada e ferida,
E perdoa, Mestre Amado,
Os erros de nossa vida.

Onde puseste a alegria
Da paz, da misericórdia,
Desabam tormentas rudes
De iniqüidade e discórdia.

No lugar, onde plantaste
As árvores da união,
Vivem monstros implacáveis
De dor e separação.

Ao longo de Teus caminhos
Sublimes e abençoados,
Surgem trevas pavorosas
De abismos escancarados.

Ao invés de Teus ensinos
De caridade e perdão,
Predominam sobre os homens
A sombra, o crime, a opressão.

Perdoa, Mestre, aos que vivem
Erguendo-Te a nova cruz!
Dá-nos, ainda, a bonança
De Tua divina luz.

Desculpa mundo infeliz
Distante das leis do bem,
Releva as destruições
Da humana Jerusalém...

Se a inteligência dos homens
Claudicou a recaiu,
A Tua paz não mudou
E ao Teu amor não dormiu.

Por isso, ó Pastor Divino,
Nos júbilos do Natal,
Saudamos a Tua estrela
De vida excelsa e imortal.

Que o mundo Te guarde a lei
Pela fé que nos conduz
Das sombras de nossa vida
Ao reino de Tua luz!...


LIVRO ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL - Psicografia: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Torcedor é um bicho bobo


Veja bem, o torcedor torce, se remexe, se precipita e se acomoda. O termo torcedor, segundo o professor Ari Riboldi, autor do livroCabeça-de-bagre- termos, expressões e gírias do futebol, é oriundo do latim, do verbo "torquere", que tem o significado original de torcer, desvirtuar, distorcer, adulterar, tornar, virar, torturar e atormentar. A palavra "torcedor" é específica da linguagem brasileira, e o torcedor, fiel ao sentido original do termo, distorce os fatos e falseia a verdade. "É movido apenas pela paixão, pelo coração, pelo fanatismo, o que o impede de ter uma visão racional dos fatos, uma visão isenta e imparcial. O torcedor, na verdade, vê apenas o que lhe é favorável. Por seu amor incondicional ao clube do qual é simpatizante e seguidor, é capaz de desvirtuar as notícias a seu favor". Pois é, o torcedor é uma sujeito com vendas nos olhos, que mensura uma paixão incontrolável por seu time e, por tantas asneiras, perde a razão em prol do que lhe é favorável. Por exemplo, o time de um amigo joga neste exato momento um clássico contra seu maior rival, se ganhar vai para libertadores e rebaixa o temeroso rival, se perder o rival o tira da libertadores e mesmo assim se rebaixa. Fim de jogo, o rival vence e noutro dia, uma loucura total no twitter, facebook, orkut e messenger. Um constatando a ausência do outro. Um rindo da derrota do outro. O outro rindo da perda de um e a guerra de torcidas que abala o centro da cidade se resume em disparos ímpares aos matutos de um coração inflável que já nem existe. O futebol é mesmo coisa de doido, embora os atletas se equiparem a filósofos sobre o amor e outras coisas mais, o torcedor em plena chuva, frio e nevasca está lá, segurando a bandeira e orando, chorando, resmungando e xingando. É incrível como esta paixão cruel faz com que o torcedor invada seu subconsciente e creia nele fielmente, em uma voz que vem sabe lá de onde e diz – no momento em que seu jogador fez uma penalidade máxima no rival e leva um cartão vermelho – Não foi nada, juiz @#%@&****. O cara caiu de maduro. Ou então quando seu goleiro entra em campo, início de jogo e você diz de peito aberto: Este sim, é goleiro de seleção. No entanto, após os vinte minutos de jogo o sujeito toma um gol, então troca-se de discurso no exato momento e o “eu” torcedor, narrador inquieto lamenta-se e diz: Goleiro sem-vergonha, joga nada. E sobra até para o técnico, quando o time perde: Esse técnico é um horror, deve-se retirar isso daí. E quando o time ganha: Este técnico sabe o que faz, está indo bem. Constata-se por esta pequena análise que o torcedor é bipolar, ou seja, ele tem discursos diferenciados a cada segundo. E por ora, o meu time que se lamenta por mais uma derrota em fim de partida dá uma entrevista sincera: - “Nóis demo tudo, tipo assim. Tava difícil. Eu disparei muitos disparos com a bola, mais é compricado. Futebol é uma caixinha de surpresas mesmo e o jogo só acaba quando termina”.