
Veja bem, o torcedor torce, se remexe, se precipita e se acomoda. O termo torcedor, segundo o professor Ari Riboldi, autor do livroCabeça-de-bagre- termos, expressões e gírias do futebol, é oriundo do latim, do verbo "torquere", que tem o significado original de torcer, desvirtuar, distorcer, adulterar, tornar, virar, torturar e atormentar. A palavra "torcedor" é específica da linguagem brasileira, e o torcedor, fiel ao sentido original do termo, distorce os fatos e falseia a verdade. "É movido apenas pela paixão, pelo coração, pelo fanatismo, o que o impede de ter uma visão racional dos fatos, uma visão isenta e imparcial. O torcedor, na verdade, vê apenas o que lhe é favorável. Por seu amor incondicional ao clube do qual é simpatizante e seguidor, é capaz de desvirtuar as notícias a seu favor". Pois é, o torcedor é uma sujeito com vendas nos olhos, que mensura uma paixão incontrolável por seu time e, por tantas asneiras, perde a razão em prol do que lhe é favorável. Por exemplo, o time de um amigo joga neste exato momento um clássico contra seu maior rival, se ganhar vai para libertadores e rebaixa o temeroso rival, se perder o rival o tira da libertadores e mesmo assim se rebaixa. Fim de jogo, o rival vence e noutro dia, uma loucura total no twitter, facebook, orkut e messenger. Um constatando a ausência do outro. Um rindo da derrota do outro. O outro rindo da perda de um e a guerra de torcidas que abala o centro da cidade se resume em disparos ímpares aos matutos de um coração inflável que já nem existe. O futebol é mesmo coisa de doido, embora os atletas se equiparem a filósofos sobre o amor e outras coisas mais, o torcedor em plena chuva, frio e nevasca está lá, segurando a bandeira e orando, chorando, resmungando e xingando. É incrível como esta paixão cruel faz com que o torcedor invada seu subconsciente e creia nele fielmente, em uma voz que vem sabe lá de onde e diz – no momento em que seu jogador fez uma penalidade máxima no rival e leva um cartão vermelho – Não foi nada, juiz @#%@&****. O cara caiu de maduro. Ou então quando seu goleiro entra em campo, início de jogo e você diz de peito aberto: Este sim, é goleiro de seleção. No entanto, após os vinte minutos de jogo o sujeito toma um gol, então troca-se de discurso no exato momento e o “eu” torcedor, narrador inquieto lamenta-se e diz: Goleiro sem-vergonha, joga nada. E sobra até para o técnico, quando o time perde: Esse técnico é um horror, deve-se retirar isso daí. E quando o time ganha: Este técnico sabe o que faz, está indo bem. Constata-se por esta pequena análise que o torcedor é bipolar, ou seja, ele tem discursos diferenciados a cada segundo. E por ora, o meu time que se lamenta por mais uma derrota em fim de partida dá uma entrevista sincera: - “Nóis demo tudo, tipo assim. Tava difícil. Eu disparei muitos disparos com a bola, mais é compricado. Futebol é uma caixinha de surpresas mesmo e o jogo só acaba quando termina”.
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