
Os tempos mudam. Eu sou funcionário público desde 78 e, pra você ter noção, as coisas nunca ajudam o trabalhador brasileiro. Eu acho uma injustiça atrás da outra. Pois bem, sou da época em que batia o ponto com caneta, assinava o nome na folhinha diária, colocava o horário e ia pro expediente. Depois de um período - e é lógico que muitos burlavam este sistema do caderninho, eu nunca. Então, após esta divertida situação, aconteceu que as maquinetas de ponto tornaram-se modernas, assim como a evolução dos corpos e eletrônicos, as maquinetas de ponto também o sofrem a famosa mutação. Depois veio o ponto de carimbo, que até hoje existe em alguns lugares. No entanto, foi ficando velho, tenho os cartões ponto guardados até os dias de hoje, só por lembrança mesmo. Todo o mundo sempre reclama destas coisas. E de vez em quando eu chegava pouco atrasado, pouco frouxo, pouco abstrato com cara de tacho como se nada tivesse ocorrido. Contudo, nos dias de hoje meu amigo, as coisas mudaram mesmo. Já não sou nenhum garotinho. Preciso comprar meus remédios, meus trâmites, minhas furadeiras e meu viagra. E por isso preciso suar por meu dinheiro, para sustentar parte da família. Família é complicado, janta junto todo dia, nunca perde essa mania. E o meu dinheiro? Sim! Escafede-se, vai buraco abaixo. Mas não posso reclamar a vida toda, afinal, sou filho de Deus e como brasileiro que sou, amanhã tenho médico agendado. Exame disso e daquilo. Uma porcaria atrás da outra. E agora, para triplicarem meus problemas, puseram o Relógio ponto biométrico onde trabalho. É pra foder tudo mesmo, e logo hoje acordei-me atrasado, quase caí da cama, escovei os dentes rapidamente, troquei a roupa e pus-me a correr pela rua atrás do busão tipo um velho tarado, sim, tipo assim, bem doido. Quando cheguei ao job, enfio o dedo com a digital na máquina, sai aos poucos um papel marche quase que podre com a inscrição do meu nome e horário de entrada. Essa minha vida supervisionada não é nada tranqüila. Este tipo de tratamento é uma típica réplica de períodos medievais e eu, um mísero prisioneiro atrelado a um sistema medíocre e nostálgico. Um abraço e até logo. Ass: Jacinto Nóbrega.
kkkk... É... vida de trabalhador em dias informatizados é bem diferente, tem até câmeras acompanhando-nos durante o expediente em algumas empresas! Deve ser influência do tal big irmão, tudo escanrado para o patrão ver. Mas, por que será que ainda não instalaram um registrador eletrônico de ponto no Congresso??!!
ResponderExcluirkkkk...
Satisfação ler teu blog, Guri!