domingo, 19 de maio de 2013

Alegria




Sou o momento bonito de ontem
Sou a raridade da vida
Sou a idade da pedra
A tristeza do Jeca
A insuficiência do pior dia
Mas a realeza da meridionidade
Não sou nem confesso: pela idade
Que sou apenas alegria.

domingo, 5 de maio de 2013

Permito-me



Levanto-me. Deito-me. Cubro-me.
E nada do que faço está bom.
Digo-me. Já que faço comigo.
Chamo-me. Já que me ouço.
Sinto-me. Já que amo.
Clamo-me. Sou santo.
As palavras ternas
São quase certas.
E quando se pensa na certeza
Desfaz-se o que era isso.
Entra um prefixo latindo
Ameaçando e dizendo:
Incerteza.
Depois, tudo é líquido.
À moda liquidação.
Casas de roupas, cumprimentos e chás.
A esquina é a mesma
O relógio também é o mesmo.
Acaba o dia
Começa outro.
Lá me vou.
Acordo-me. Já que durmo.
Bebo café. Cafeico-me.
Tomo banho. Banho-me.
Banha de sol, de sul de sal.
Já que morro às vezes.
Cometo-me. Já que se comete a tudo.
Meu turno acaba
Meu mundo.

O som da memória



Vem ruindo um som esquivo
Fininho da memória
Que me chama aos poucos
E que me clama e implora:
Aumenta o tom sem dó
De mim, nem piedade,
Ruína num sobre-espaço
Demasiado entregue
Por algures.
Vem aumentando o som,
Ergue se entreabrindo
Num laço de nomes;
Um
Dois
Três
Foi o que eu fiz:
O som mais alto,
Eu imploro e te digo
O goro da minha sólida maneira
De te ver,
E vem aos pouquinhos
A diminuir,
Leve como nuvem,
Tenso como o espaço e sóbrio como música.

Tríade



Pedro amava a Maria que amava a José que formaram um trio amoroso, enfim.