domingo, 5 de maio de 2013

Permito-me



Levanto-me. Deito-me. Cubro-me.
E nada do que faço está bom.
Digo-me. Já que faço comigo.
Chamo-me. Já que me ouço.
Sinto-me. Já que amo.
Clamo-me. Sou santo.
As palavras ternas
São quase certas.
E quando se pensa na certeza
Desfaz-se o que era isso.
Entra um prefixo latindo
Ameaçando e dizendo:
Incerteza.
Depois, tudo é líquido.
À moda liquidação.
Casas de roupas, cumprimentos e chás.
A esquina é a mesma
O relógio também é o mesmo.
Acaba o dia
Começa outro.
Lá me vou.
Acordo-me. Já que durmo.
Bebo café. Cafeico-me.
Tomo banho. Banho-me.
Banha de sol, de sul de sal.
Já que morro às vezes.
Cometo-me. Já que se comete a tudo.
Meu turno acaba
Meu mundo.

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