terça-feira, 28 de junho de 2011

Por um Brasil colorido!


Acho uma tremenda frescura essa coisa de marcha gay. É lógico que, principalmente eles são, de fato, frescos, mas, jovens e desesperados perdem o rumo e sentido de que almejam. Outra coisa, o Supremo Tribunal Federal é sinônimo de política, isto está em voga no momento atual, por esta razão é que se encontraram mais de quatro milhões de pessoas num núcleo de preleção, como rebeldes a lutar sob um equívoco mesclo e fajuto. O homossexualismo existe desde o princípio dos tempos, é o desejo incumbido através de uma inversão de papeis. Freud deduziu que a vida humana em comum só se torna possível quando se reúne uma maioria mais forte do que qualquer indivíduo isolado e que permanece unida contra todos os indivíduos isolados. A substituição do poder do indivíduo pelo poder de uma comunidade constitui o passo decisivo da civilização. Sua essência reside no fato de os membros da comunidade se restringirem em suas possibilidades de satisfação, ao passo que o indivíduo desconhece tais restrições. Um homem só não é nada, mas, ao operar com tal força um objeto de luta, móvel e poderoso, tem em mãos uma ferramenta disciplinar ou não, que pode ser sua ameaça sobre valores e princípios. Para se ter ideia, a senadora de SP, Marta Suplicy e o deputado federal Jean Wyllys estavam presentes no tumulto. Isso deixa claro que a jogada é cruel; é marketing salgado e grosso. É coisa pesada, isso reflete uma ameaça à sociedade porque quem está no comando, mais uma vez, é o sistema. Este sistema está tão comum na era contemporânea quanto tratar de relatividade em teorias básicas de relacionamentos. É necessário se ter poder, contudo, este deve ser íntegro e não casual, poder como defesa de lei, rigidez e não ameaça. O jovem de hoje se veste de “piriguete” de arco-íris e pensa estar lutando contra o Estado, sendo que o próprio Estado é seu comparsa nesta presepada. Este jovem vive o agora sem objetivos e prefere o leite derramado ao método de trabalho e lucro. A herança deixada pelos pais é abandonada por uma força sem critérios.
Retirei um recorte do site Agência de notícias de Florianópolis, para se ter pequena ideia: "É um dia gostoso para se divertir com a mistura de raças e sexo", afirmou a auxiliar administrativa Ana Carolina Oliveira, 34, ao lado do filho de três anos e da filha de 15. Esse é o quinto ano que ela participa do evento. Já pensou levar os filhos para assistir a uma passeata gay? Talvez haja colocações de que eu seja preconceituoso, afinal, estou conotando tudo de forma um tanto quanto indigesta. Mas não é preconceito, não sou contra gays, mas, àqueles que mutilam o próprio corpo, se detonam como homens-bomba, estes não levam meu voto porque são no mais, abestalhados querendo se aparecer. Está na hora de tomar um pouco de consciência e vergonha na cara e trabalhar porque o Brasil já deu o que tinha de dar. Esgotou a teta. A democracia virou anarquia sem critérios. Para ser sincero, uma zona ao som de Lady Gaga, é chegada a hora de crescer e a infância tornar-se-á somente uma lembrança do passado.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

ausência


A minha poesia não explica nada.
Ela não veio para explanar nada.
Sem fonte nenhuma. Sem crucificação.
Uma fixação. Ficção: embora acredite: ficção.
Minha poesia não argumenta nada.
Não serve de nada.
Poesia simples sem rima.
A rima se perdeu como o tempo que passa.
Poesia metódica que não segue passos.
A minha poesia. Meramente falta de alegria.
Sem intuito sem paixão sem força.
A minha poesia não se arquiva.
É encontrada no nada.
No misterioso hall de entrada sem explicação.
Basta. Minha poesia. Apenas minha.
Não se explica o tédio nem o medo.
Nem a alforria nem a angústia.
Não se explica a ausência ainda que perturbe.
Nada explica esta puta danada poesia.
Uma verdadeira cagada.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Entre quatro paredes


Sou deputado no meu país. Trabalho dia e noite. Antes de ontem passei por minha terra, lá não canta mais sabiá nem bem-te-vi. A minha amada se escafedeu, não sei por hora o que houve, mas, que houve alguma coisa isso é fato. Passei ontem à noite por três cidades diferentes, embora eu pensasse que estivesse cansado, era somente o início de uma caminhada. Descobri campos, espaços vazios que se fazem cheios de doçura. As cidades são cheias de prédios que sobem desvairados como montanhas aos céus. Realizei, de fato, um tédio: cresci. Empolguei-me com isto e minha barba cresceu. Meus espinhos, meus santos e minhas lástimas. Acredito agora que, dentro de um cubículo cheio de germes eu encontre comida. Meu corpo é sempre parte de outro corpo. Como disse Aristófanes, eu creio superficialmente que estamos em busca de nossa outra parte. As nuvens derramam milagre na vida. As montanhas aumentam e o meu tempo, por incrível que pareça, o meu tempo se esvai. Não trabalho porque sou deputado no meu país. Eu sou meu maior advogado do meu destino. Ninguém comanda o que eu penso, nem mesmo eu. Sinto falta dos pesadelos e dos sonhos. Tenho a preeminência de estar ficando louco. Hoje passo pela Avenida das Torres num sol de lascar. As pessoas todas me observam ariscas como se eu fosse um andarilho qualquer. Não sabem um pingo sobre mim e pressupõem coisas toscas em suas cabeças. Dá-me pena. Eu sou um caro esperto, estudei, me formei, trabalhei, comi de tudo, viajei e hoje o que me resta é viajar. Sou refratário, não retardatário. Entro na Havan, com delicadeza chega-me um segurança:
- Senhor, queira se retirar?
Com minuciosa esperança respondo:
- Não, eu vou ficar aqui. Eu vou comprar – respondo inquieto.
O homem chama outro segurança, que chama outro e que chama outro. Então formam uma trilha de sete cabeças com sete espadas e sete ódios. Levam-me até a sala ao lado e chamam uma viatura. Outorgam-me como indigente por não ter identidade. O que interessa meu nome, se minha pessoa não faz a diferença?
Espero que isto lhe toque o coração, Senhor Juiz, porque estou aqui há muito tempo e não preciso de quatro paredes para caminhar em meu mundo. Não sei quando chove nem quando faz sol. As quatro paredes que me prendem impedem-me de ver. Eu enxergo ainda, mas é como se não enxergasse. Não sei se ainda consigo emitir algum som da garganta, mas ainda há esperança.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Professor, por Jô Soares


É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Casos de família


Adelaide, a menina mais fofoqueira da cidade um dia se ferrou, engravidou do Joaquim, o homem mais travesso do bairro da lagoa. Deu no que falar, porque os pais da Laidinha, como era chamada, foram tirar satisfação com o Joca. Ao chegarem a sua casa, este logo foi perguntando o que estava acontecendo. Virou um carnaval dos infernos.
A mãe da Adelaide foi logo inferindo ao rapaz:
- Seu moleque do diabo, o que fez com minha filha?
- Ora! Eu é que pergunto o que ela fez comigo, uai! – responde Joaquim avulso.
Neste instante o pai de Adelaide, seu João, levanta a mão para enfiar na cara do rapaz e este, num ímpeto se abaixa, o braço do João passa em 360º fazendo o coruja virar mutuamente de um lado para o outro e estontear. Então o pai da menina pergunta:
- Está pensando o que seu sem vergonha... Você engravidou minha filha!
Neste instante escapa o vira-lata do Joaquim e acerta a bunda da mãe da Adelaide, o Joca tenta amansar a fera, mas quanto mais cutuca o animal mais ele aperta a dentadura sobre a poupança da velhota. Enfim, o cão larga seu filé e volta à casinha. Joaquim, ainda vermelho do calor que fazia acende um cigarro, olha timidamente para o céu e diz:
- Que é? O que vocês querem? Pô!
Então chega, para ajudar na intriga a Adelaide, fofocando e usurpando a boca sem gonorreia, sem timidez diz que queria mesmo engravidar do Joca e ninguém a impediria.
Os dois jovens então se casam. Vão morar junto dos pais. O filho nasce com o nome de Giulhinho. O Joaquim tornou-se empregado do seu João, o sogro. Adelaide, a menina fofoqueira tornou-se dona de casa sem casa, morando de favor com a mãe mas, comandando o resto da família. No final todos viveram felizes para sempre. O vira-lata do Joca continuou tomando conta da casa, emprenhou a cachorra da vizinha e teve sua casa própria, ao contrário do casal que se casou nas marras do tédio.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Romantismo conectado a mais de mil kbytes

Não consigo entender o que ela diz...
Não consigo não consigo não consigo
Não consigo não consigo não consigo
Não consigo não consigo não consigo
Não consigo não consigo não consigo
E isto me atinge como um trem de partida
Um trem gigante que desce Paranaguá!
Além meu bem existe um mundo
Que se imagina a todo instante, mas
Eu não consigo eu não persisto eu não atinjo
Eu não eu não eu não.
Soada punk do meu mundo instante
Meu mundo agora que se fez e meu Deus:
Sou eu me sou eu me tenho eu me tranco
Num quarto imaginário que invento
Para discernir meu bem meu mal um mau um bom
Um melhor traquejo e eu não entendo mesmo assim
A lida, esta estranha vida encalhada no meu sexo
No meu tédio. Se feixe dentro da sala de estar
E não diga que me ama: Se a tua mentira me comove,
Então a invente e a faça a luz de verdade.
Minha eterna idade não passa
E eu não entendo, mesmo assim, o que ela diz:
Não consigo não consigo não consigo
Não consigo não consigo não consigo
Não consigo não consigo não consigo
E isto me vem como um trem
Um site quebrando janelas tantas
Um mal do século um avanço luminoso
Em hertz em kbytes.
O meu poder não suporta tanta dor
E minha masculinidade transgride uma média
De manhã, revista, palpitada com um sorriso
De uma mulher que eu não compreendo nenhum olhar seu,
Eu não consigo eu não consigo mesmo,
Entender o que ela diz.
Mesmo no tédio eu vivo
Um reflexo no novo exame
De sentido e minha letra
E o teu dedo e teu ombro e teu olhar
E isso se vai indo e sei lá o que me dá...
Acabou-se o ar:
Saiba-me, a partir de agora, ler
Porque do pó vim e a poesia serei.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Hora marcada


Alfredo chamou-me pelo nome pela primeira vez na vida. Eu fiquei toda sem jeito, sem saber o que fazer e no outro dia já contava este fato à Gabi, minha melhor amiga. O Alfredo sempre fora um homem tímido, mas a parte que eu mais gostava era das carícias que me fazia. Ele vinha sem graça, meio cabuloso e, com certa cautela, colocava a mão pra valer. Casamos no dia seguinte, logo após sua garganta arranhar meu nome. Estava eu de véu e grinalda, toda a família reunida, meus pais, avós, sobrinhos, tataravôs, pois me casei muito nova. As flautas se aqueciam de dentro da igreja quando o padre iniciou seu sermão. Em seguida, após a comemoração fomos bater algumas fotos no parque da Lagoa, coisa simples, porém, com muito sentido. Deitemos-nos no gramado e lá passamos uma eternidade que deve ter durado mais ou menos duas horas. Ele de terno ficou lindo, era noite de frio e sua voz, por mais rouca que parecesse, me esquentava e me aquecia, eu me arrepiava a cada novo segundo e aos poucos ele ia encaixando seus braços grossos em minhas costas e assim seguimos. A festa rolava e quando chegamos ao salão ouvimos palmas de todos os lados. Sorri com certo disfarce, meu vestido tinha alguma sujeita que tentei também esconder e, logo após, já me encontrava embriagada de vinho tinto seco. Casamos e em uma semana nos separamos. Alfredo achou outra menina, muito mais nova, muito mais delicada e breve. Eu segui minhas rotinas fatigadas e, conquanto, encontrei você, meu terapeuta particular que me acomete olhares sem surpresa, me ouve quando eu penso e me enxerga quando eu sinto notabilizar qualquer coisa do mundo real. Eu vivo com você há muito tempo e até hoje me surpreendo por nada ter acontecido entre nós. O teu diagnóstico é sempre o mesmo, estou cansada destes remédios, estou dopada. Cacete! Aonde vou chegar com isso? Responda-me! Este silêncio me atormenta. Não adianta mudar. Ontem me dei de frente com o calendário do ano passado, pensei que fosse novo e errei o dia do seu aniversário. Perdoe-me, mas, eu já não sei o que faço.
- Alô! Estou no trânsito da Rui Barbosa. Desculpe-me, mais uma vez, por este atraso. O calendário, de volta estava errado. Eu não sei o que anda acontecendo comigo. Em poucos minutos estarei no seu consultório, ta? Até logo.. ta?! (...) até breve...

(...)

- 19h45minh min [...] 21h43min...[...] 23h50min [...]