quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Cordilheira


Sei não como apresentar
Só sei que sou meio torto
Digo que sou meio solto
Que me esqueço de gritar...

Sinto entrar em mim o ar
Com um gesto meio louco
Com pitadas de mar morto
Eu preciso me salvar...

Só que não há salvação
Depois que chorar em vão
Quem me dirá? Sentirá?
Não. Ninguém refletirá!
Porque enfim era poeta
E me cansei de ser par
Abusei do meu lugar
E sim, sou a própria meta.

sábado, 16 de agosto de 2014

solidão que se deixa


Andando sozinho por aí
A gente sempre encontra alguém
Alguém que esteja perdido igual
Ou que até pareça mas não sabe...
Eu ando às vezes sozinho
Mas nunca encontro solução
Os matos
As rosas
As vidas
E as ternuras das vidas também...
O asfalto molhado depois da chuva leve
Que deixa apenas o cheiro límpido
Da natureza se misturando com petróleo
Isso me causa sofrimento.
Entendo que ao mesmo impasse
Aquele cheiro pesado
E rodado das pastelarias
Da cidade que acalmam as fomes retiradas
De algum lugar que vêm...
Vêm... vêm... repete.. mora... irrompe!!!
Quando a gente anda sozinho sempre
Encontra algum amigo
Até mesmo dentro do coração
Ou que more no coração
Foi andando sozinho que aprendi a narrar
A minha vida e a dos outros também...
Andando sozinho a gente sempre deixa de ser solitário... 

domingo, 1 de junho de 2014

dia ou noite



Um dia.
Talvez, porém à noite...
Fosse o que fosse eu diria simplesmente: foi
Oh, que sorte esta minha de ainda poder existir.
Chamo de sorte, pois nunca estudei falta de sorte.
Mas, já tive.
Um dia, uma noite pode até ser...
Cabe a nada e tudo sobra...
Tudo agora é raspa de bolo cru...
Raspamos com colher de sopa e nos lambuzamos
Com o que nos deixam...
Dia ou noite
Tanto faz se noite ou dia...
Conquanto à tarde, límpida e flora
Que chora como estilhaços de amor caídos sobre o chão
Chora que demora
Porque chuva de verão é sempre na mesma hora...
Muda quando quer ou quando para...
Um dia, ou uma noite pode até ser...
À tarde é sempre fria... chora, derrama fortes espinhos de sol
Quebrados e amortalhados sobre um mesmo céu...
Cortado por entre as luzes de uma cor e as ondas de outras...
Não que seja o reflexo do mar, mas é o mar que reflete agora...
E o universo esnoba e faz da gente sua obra
O que quer que seja...
Faz para sermos dia ou noite

Ou tanto faz se tarde com sol ou não...

sábado, 12 de abril de 2014

A estrada



Quando me dá falta de tempo eu penso em tudo
Tempo!
           Terraço!
                         Torto!
                          Como
            O vento
Que vive!

A caminhada é longa, mas nunca infinita
                              Nota-se que
                   As ondas soam
          De longe
      Longe...
E lá do finzinho alguém brada:

Venha, meu filho, aqui é o começo da estrada.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Acontece




Não é de demora que se faz a vida
Não é de dia que se faz a poesia
Não é ausente o que não está presente
Não se fecham os olhos quando é linda a melodia.

E se a chuva não para
Se os ventos demoram
Deixemo-los livres
Pois logo, logo
Tudo reaparece
Quase tudo se esquece
E os azuis mares sempre retornam.