terça-feira, 13 de junho de 2017

Como se numa estrada

Camille Pissarro

E se a impaciência absorver o medo
como um mata borrão antigo
E se o amigo íntimo revidar
Sem obedecer ou abdicar...
Se as horas demorarem passar
Quando necessárias forem
Quando as horas voarem
Quando precisarem um pouco estacionar
E se o freio uma eterna bagagem
De velocidade exercer
Se as histórias deixarem
De se construir
E quando humano não mais for
E se ao passo de tinta escura
Pintarem-se antigos bulevares
E se nesses lugares haver
Apenas pegadas de Marxesitas
ou ametistas ou
Haussmannitas
E se do macadame
Não sobrar nada
Nem o terno
Nem o termo
Nem  un mauvais lieu!
Abaixo a rua
Acerca do beco
Afirmo antagônico
E com protocolo:
Se tudo isso se der
Bastará ouvir à noite
o som tênue dos violões de
Ludovico Roncalli.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Atualização no status do amor da arte por sua aura!


Marvin diz: oi, meu amor por ti é como o sol, FORTE!
Aura diz: oi!
Marvin diz: quanto mais sinto, mais vivo.
Aura diz: hehe...
Marvin diz: e quanto mais penso, se é que penso, mais tenho SORTE!
Aura diz: como você está?
Marvin diz: Tenho sentido tua falta, teu sonho e teu cheiro.
Aura diz: rsrs...
Marvin diz: fico parado de corpo inteiro e aflito, sem jeito nem tempo.
Aura diz: Mas por quê?
Marvin diz: Sinto meu instante esgotar-se diante da MORTE!
Marvin diz: conduza-me até você.
Marvin diz: imprima-me! Coloque-se e me chame.
Marvin diz: cadê você? Não quer mais tc?
Marvin diz: oi!
Sistema: Aura parece estar off-line.

Sistema: Marvin está ausente.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Ao vencedor, as batatas!


Era lá naquela terra que tudo acontecia.
O desespero cruel e devastador emanava
Dos buchos dos porcos, dos girinos, dos tortos exemplos.
Era na fazenda modelo
Na revolução dos bichos
Nos moinhos de vento
Na encruzilhada
No nada.


Era no antiquado quadro
De antagonizarias verbais e profanadas
Ao ritmo de políticos sem causa
Sem alma
Sem parte alguma com o nada.


Era no quarto antigo e fedido
que eu me imaginava velho
Como num sótão obscuro
Pelo limbo etéreo do tempo.


Era lá naquele espaço
Que as metáforas ligar-me-iam
Causar-me-iam
Lograr-me-iam
Matar-me-iam
Do espanto e do tédio.


Hoje já nem existe remédio,
O jeito é servir a quem vence:
Ao vencedor, as batatas!