Eu não entendia direito o que
ocorria. Quando adentrei na mata me deparei com a imagem mais robusta que
poderia ver na vida.
Conta-se que há quase cem anos
atrás um garoto chamado Don Puz saiu para pedalar com sua bike pela mata próxima
de sua casa. Ao se deparar com tamanha natureza acabou se perdendo e, neste
instante, encontrou uma caverna na qual entrou lentamente. Ali percebeu que
havia mil criaturas místicas, homenzinhos coloridos que o chamavam pelo nome,
porém, o garoto despercebido e contido por uma espécie de sonolência adormeceu
tão logo que notou aquelas criaturas.
Não se sabe quanto tempo
permaneceu ali, mas quando acordou estava nu, havia perdido suas roupas e sua
bicicleta. No entanto, não notara mais os pequenos homens no local, apenas
gotas de água que desandavam pelas rochas demoradamente. Puz levantou-se tímido
de si, começou a caminhar tentando encontrar em algum lugar suas vestimentas e
bicicleta. Não mais incomodado, gritava arduamente e do seu grito ressoava do
outro lado apenas um eco líquido. Notou que estava sozinho ali.
Demorou algum tempo e depois de
alguns instantes apareceu um vulto por destras de uma árvore espessa, Don Puz
correra em sua direção, porém, o vulto evaporou de uma hora para outra. Na vila
onde ele morava, muitos o chamavam, o procuravam, foram à polícia e nada, o
pequeno garoto havia sumido de fato.
A mata era muito fechada e quando
o menino acordou de seu profundo sono, estava ainda mais suja e escura. Muitos
bichos viviam naquela região que por sua vez, era cortada por imenso rio negro.
As flores naquela época se
abriram com mais compaixão, suas cores eram muito mais fortes e sensacionais. Presumivelmente,
o céu iniciou precipitar-se em uma escuridão sólida e neutra ao mesmo tempo. O
garoto Don Puz não conseguira nunca mais sair da mata.
Dizem as más línguas que ainda
hoje, quando há ecos na mata ou qualquer barulho, ser a voz do garoto perdido. Ninguém
consegue adentrar-se na floresta por ser perigosa e conter muitos precipícios.
O mito permanece tão vivo quanto
as flores que ainda se abrem na estrada que leva às montanhas esverdeadas. O
vilarejo onde Puz vivera tornou-se hoje uma grande cidade cortada por trânsitos,
metrôs e prédios. Do trigésimo andar, no prédio mais alto da região se pode
notar ao longe as montanhas e uma fumaça que delas evapora nos dias de frio. Dizem
os executivos ser Don Puz a construir seu fogo diário para o café da manhã.
Juan, o homem mais velho da
cidade que, inclusive viveu o seu crescimento, diz ter conhecido o garoto Puz. Também
afirma, embora todos o achem louco, ter visto uma vez, quando entrou na mata
sozinho, o garoto que já estava mais velho com barba muito grande e nu. Puz não
o reconheceu naquele instante e tentou agredi-lo, no entanto, Juan correu até
chegar a um local em que uma bicicleta encontrava-se penetrada totalmente por
uma árvore. Ele afirma que a bicicleta era a mesma utilizada por Puz, e também
afirma que o antigo garoto tornou-se parte da mata, muito mais que isso, é,
hoje, o rei das montanhas esverdeadas. A grandiosa mata o absorveu como essência
e hoje a lenda é tão viva quanto a história de Juan.

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