O dia amanhece frio e nostálgico. Coço a cabeça ao
levantar-me da cama e lembro que é dia dos namorados e, infelizmente não estou
perto de minha noiva, pois ela mora a certa distância.
Porém, ligo em seu celular logo cedo dizendo que a amo e que
me sinto feliz ao seu lado.
Em seguida entro no facebook. É um sistema que foi
automaticamente estragado por conta dos brasileiros que não souberam seu
verdadeiro sentido, mas isso é outra história, preciso de foco. (“os
facebookianos talvez, ao ler isto, me trarão um foco. Perderam completamente o
sentido de semântica e pragmática”).
Outrora, aparecem e reaparecem infinitas mensagens de “eu te
amo” daqui, “eu te amo dali”, “dou-te meu coração”, imagens absurdas e
requerimentos apaixonados, logos de flores, recados com poeminhas (alguns feitos
nas cochas, outros roubados sem citação e por incrível que pareça a namorada
muitas vezes acha que foi o cara quem fez a coisa, isto é loucura).
No entanto, com estas palavras alusivas, quero apenas
destacar que esta data tão importante aos namorados, noivos, casados,
compadecidos, amantes e loucos foi criada pelo tão conhecido, assim como muitos
filósofos de renome neste mundo, Comércio Paulista, nome e sobrenome. Foi
adquirida por outras partes do Brasil para surtir o mesmo efeito do dia de São
Valentim, que incentiva a troca de presente entre os apaixonados.
A origem do Dia dos Namorados encontra-se na Roma Antiga,
por volta do séc. III. O Padre Valentim desobedeceu às obrigações junto ao
imperador Cláudio II, o qual havia proibido o casamento durante as guerras
crendo que os solteiros fossem melhores combatentes (Acho que deveriam fazer
isso hoje com os jogadores de futebol, proibir mulheres e bebidas). No fim das
contas descobriu-se que o padre continuava realizando casamentos às escondidas,
recusou-se a renunciar o Cristianismo e como castigo, Valentim fora condenado à
morte. Enquanto aguardava sua prisão no cárcere, apaixonou-se pela filha cega
de um carcereiro, Asterius que, milagrosamente, devolveu-lhe a visão e
escreveu-lhe uma carta na qual assinava: “seu namorado”.
Já no Brasil a história mudou poucamente, a data mais romântica
do calendário surgiu, como prescrita, em São Paulo em 12 de junho de 1949, com o publicitário
João Dória por conta das lojas Clipper. O sujeito realizou uma campanha para
melhorar as vendas no mês de junho, contando com o apoio da confederação de comércio
de São Paulo criou-se a frase: “Não é só de beijos que se prova o amor”. Escolheu-se
o dia 12 por ser véspera de Santo Antônio e a partir desta data virou moda e
passou a ser um dia comemorado pelos namorados e muito mais pelo comércio.
Agora quem me lê talvez diga com olhos vermelhos de raiva: “Que
insensível, que homem desapaixonado”, mas não. Eu acredito nos dias dos
namorados, assim como nos dias dos pais, pelos quais me refiro, são todos os
dias. O comércio é uma podridão que eterniza e flagela a sociedade num todo. A
midiocracia, a tecnologia, a informação emancipada são doenças incuráveis no
Brasil.
E se minha noiva me lê, digo e repito incessantemente que a
amo, mas que estas palavras repetidas nunca provarão nada como o farão os meus
atos diante dela. O amor se prova com atos, com carinhos, com surpresas e relíquias.
O amor se reinventa todos os dias. Refaz-se de milagres e tem por combustível o
companheirismo, a saudade, a paixão. O melhor dia dos namorados é o estar junto
e sentir o calor do outro. É se sensibilizar com pequenos atos e ter como fonte
regeneradora: Deus.
Ingrid, minha noiva princesa. Queria passar o dia todo junto
de você, porém, como o sistema capitalista me impede (preciso trabalhar e não
sou rico, sou apenas parte do proletário) digo que te quero sempre, minha
grande felicidade é te ver feliz e bem. Para você eu digo sim...

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