sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O filho que comeu feijão com arroz como se fosse príncipe


Ismael nasceu com sorte, em uma família rica e bem sucedida. Calou-se aos dez anos quando perdeu a pequena irmã com olhos de sol para uma doença desconhecida. Naquela terra ninguém conhecia nada. Sertão cearense, paixão meticulosa cheia de milagres nas esquinas, o sol roxo se esconde por entre o capim seco em que vacas emagrecem. Uma névoa cinza se faz por entre o céu, uma mistura de dor e tristeza forma um terceiro tom chamado miséria. Neste lugar escondido no mapa nacional, o pai de Ismael era prefeito e sua mãe, primeira dama da classe A bem feita na vida. Tinham carro bom, casa chique e roupas bem ajustadas ao caráter. O irmão de Ismael tornou-se prefeito posteriormente, mais ou menos uns vinte e três anos depois. Ismael nasceu com sorte, como dito, mas perdeu-a aos dezoito quando fugiu de casa e devorou sua herança com prostitutas e tabernas. Tornou-se ainda mendigo dos próprios atos, servo das suas paixões e ilusão de sua vida. O filho mais velho, chamado Pedro, seguiu os negócios da família e tornou-se o homem que deu as variadas direções à família. Ismael não reagiu às tentações da carne e caindo em si, sua maior vontade era dizer: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados’. Mas não disse, nada saia de sua boca e seu pensamento havia se entruncado por algo que não tinha, talvez, uma explicação óbvia. E o pai talvez lhe dissesse em retorno:. É preciso festejar e nos alegrar, pois esse irmão estava morto e tornou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado!. Ismael continua a viver de forma sublime, aos almoços de fim de semana qualquer dono de boteco lhe entrega um prato com alguma coisa de alimento, ele agradece cabisbaixo e reabastece a energia idílica.

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