quarta-feira, 29 de setembro de 2010

As névoas do rei Mar


Estava cansada da insensatez do dia que amanheceu sem graça. Eu inventava fórmulas novas para a sabedoria que se apresentava diante de mim. Quando despercebida do estado em que me passava, bati de frente a um poste cheio de negrume, dentro da estante da sala minha mãe ouvira um estrondo. Quando notei, logo após o barulho da minha cabeça contra o cimento artificial, começaram a escorrer lesmas de todos os modos sobre meus cabelos lisos, eu não gritava, apenas me deixava levar pela nobreza das larvas. Depois, peixes faziam sexo em forma de fracasso diante do mundo invisível, no qual eu vivia ou morria. Quando me percebi novamente já estava dentro do quarto, sozinha, sem luz sem nada. Eu não tinha vez, ninguém me ouviria nesse instante. Agora já se passavam mais de horas e no instante crucial foi quando minha íntima solidão me chamou, pediu para que voltasse a ser feliz como ela era, levou de mim apenas um livro comprido com o título: As névoas do rei Mar. Eu não me alarmei, não tive medo. Ganhei um emprego de secretária numa empresa de loucos, eu fiquei estagnada e em paz dentre todos. Começo a rir linda e ébria pela cidade. Bebo cerveja com pimenta e me esclareço: sou o teu pesadelo. Apaixonei-me somente uma vez na vida e depois disso não quis saber de mais ninguém, o amor não existe, não creio na minha potencialidade e ao mesmo tempo desconfio dos meus prazeres. E estava cansada da insensatez do meu dia e foi nesta hora que aprendi a chamar pelo teu nome, a cruzar minhas pernas quando ficavam “alerta” ao te notar. Consegui encaixar meu conto dentro do teu ponto e me chamo, talvez, de forma branda e eloquente, Rei mar e suas névoas.

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