quinta-feira, 21 de outubro de 2010
O mundo se suporta
Meus ombros não suportam mais o mundo
Um homem sem raça e sem cor, sem nada.
Meus pés não pisam mais no chão
Um homem sem país e sem mulher.
Os ônibus passam, as praças param,
As nuvens passam e o céu parado.
Fixo, lá no alto, se vê um milagre
Que tem forma de azul anil,
Me repreendo e volto à minha mesa. Meu Brasil!
Meus braços não aguentam mais o território.
Um homem sem luz e sem lua.
Chame a quem quiser ou grite o que puder,
Não resultará em nada e nem aos troncos
do seu busto. Meu orgasmo será o tédio de cada dia
porque meus ombros nada mais suportam.
Depois do rumor ecoará às ruas da cidade um santo nome
Que estará oculto em fragmentos mínimos.
Serei, no entando, chamado pelo nome esquecido
E não viverei mais tanto quanto quisesse.
Um homem que não suporta o mundo nos ombros
Não tem direito de morrer. Vive sempre no direito
de pousar nú onde quiser, em qualquer lugar nenhum.
Entre a sombra, a loucura se apaira, no mesmo tempo
Em que dentro de mim emancipa-se um sóbrio gosto
de sorte com a embriaguez d'outrora.
Meus ombros não suportam-se.
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