
Em todo caso se vista bem, pois vai estar frio. Ontem passei pelo vento desgostoso da brisa alheia, do lado esquerdo do mar. Chamei o José a dois segundos e até agora nada, isso de depender de funcionário é duro, é queixa. Meu nome? ninguém sabe, ninguém lê os jornais? Me chame de patrão, basta. Sou proprietário destas terras aqui do norte. Tenho as mulheres que quiser e tudo isso, absolutamente tudo, dentro do torá. É claro que tenho meu orgulho e meu brio, mas isso deixemos pra lá. Amanhã é dia de procissão aqui na cidade, moro numa vila pacata e careço de mandar em alguém, não tenho escravos mas, da mesma forma, pago uma miséria a uns delgados que aqui me servem. Não sou velho nem moço demais.
Há três dias a política mostrou a cara aqui no Parque do Sol. Candidatos à presidência, aos governos, senado, entre outras pancadarias mais. Também me candidatei e tenho, quase que completa certeza, de que vencerei. As pesquisas indicam e no mais, com pouquíssima margem de erro. Meu neto João cuida das finanças, chamo meus tios para a procuradoria e forjo o concurso público de onde vivo. Sem anarquias, cada coisa em seu lugar. Sou autoritário? Não me venha com miúras, compreenda: A vida é pequena demais para preocupações. O Nepotismo é fundamental na sociedade e, ao observar o histórico político-econômico brasileiro, percebe-se que no decorrer de muito e muito tempo, ele existe por sí. Não confio em ninguém com mais de trinta anos, nem no meu cachorro. Daqui em diante sou empresário e ao mesmo tempo Governo. Vou montar cadeias empresariais dentro do Estado que, se derem certo, irei mais pra frente, indicar o país como meu aliado. Não é difícil, basta persistir nos erros e acertos, a bomba uma hora estoura e tudo vai à tona com estilhaços de telhas dentro das igrejas reais. Me chame, por favor, de patrão. Não tenho mais ideal em dialogar e por este motivo montei meu monólogo. Mais pra frente, talvez, eu continue a minha saga.
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