Aconteceu que a morte veio em desatino num grito imenso de
dor,
Quando me dei conta já era uma mulher e meia,
Meia causa, o que chamo de desalento.
Quando esposo e espaço ficam mesma coisa,
Qualquer coisa vale.
Sou dita mulher de penitência,
Guardo a demência dentro da cara lavada
E a cara solta, a que chamam trinca de gato, fico no
caramba.
Agora sou mulher de anos,
Digo meses, tanto tempo que nem lembro tanto quanto.
Sou uma donzela, a média pinga do bar,
Uma montoeira de gelo e café sem açúcar.
Ora, meu caro, sou mulher do tipo “mestre”,
Finjo-me de burra, mas no fundo no fundo
Sou a causa perdida de meu pai que veio ao mundo
Sem pedir,
Eu que pedi para ser o que sou e me dou bem.

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