terça-feira, 17 de janeiro de 2012

La nascita di Venere


Enquanto o passado me condena,
Enquanto eu sou Pafos, a tua cidade,
Alimento o meu desespero e te espero
Irrequieto, sonâmbulo e vivo.

E se sou Marte, o teu deus quase eterno
E se te amo ou me contenho
Sou teu momento
O único alento a quem te confia.

E a forma de tua concha em madrepérola
A erguer-se sobre águas púrpuras
E as espumas que te geram
E os teus olhos oblíquos me assombram
Soluvelmente.

Quando passaste por Citera
E foste adorada por este nome
Conheceste-me por um chamado:
O teu sonho implícito.

Este homem que te fizeste poema
Formou-se em ausência.

Oh, deusa do panteão
Abandonaste-me na encruzilhada.
E se esqueço tudo
E se não tenho nada
Não sei o que nada representa,
Só sei que represento uma estrada nua,
Repleta de profundezas como
As eternas tristezas que
Aparecem de tempo em tempo
Sobre a alma,
Uma pequena e simpática alma.

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