
Acordei com os gritos de minha irmã mais nova, era mais ou menos assim:
- Acorde seu besta! Acorda! Vai perder o ônibus.
Empurrava-me da cama e eu, ainda sonâmbulo tentava me esquivar e a babar feito cachorro com sede, agarrava-me ao fiel e escudeiro amigo; o travesseiro.
Não deu, não resisti à luta e caí da cama num solavanco.
- Já estou indo, sua chata! Gritei a ela.
Pus a roupa em três tombos, isso era por volta de cinco da matina, calça, blusa e boné. Passei água somente nas remelas dos olhos, pois no inverno não costumo desperdiçar tanta água, o planeta agradece. Às 05h30minh lá estava eu, de pé e frenético no terminal da Estação. Os ônibus pareciam máquinas do tempo em velocidades constantes e neste horário, nós, os desprovidos proletários prontos a fumar inconscientemente toda poluição da cidade rebelde. Saí no corridão em busca do meu ônibus que acabava de partir; merda, o que faria se o perdesse? Quando cheguei à porta do maldito ligeirinho o motorista a trancou, bradei algumas palavras delgadas e pobres e nisso tentei, ao mesmo tempo, abrir a porta forçosamente, já que o busão ainda estava estático no tubo. Nenhum resultado e o minhocão se foi levando a fumaça da madrugada junto. Nisso, junto à minha indignação de trabalhador diário e da fila que se abatia de segundo a segundo, uma mulher de mais ou menos um metro e meio me cutucou nas costelas de leve meio com ternura, quando me virei observei em seus olhos mundanos e ela fez apenas um sinal com o indicador da mão esquerda e um sorriso malicioso, mirou o olhar para a parte de trás do tubo, de onde vinham os ônibus, quando notei e dei por mim, havia mais uma renca de ônibus de minha linha, digamos que, mais ou menos uns três ou quatro, todos com mesmo itinerário; meu trabalho que me aguarde, agradeci a ela pelo favor em me alertar mas, não sei se fiquei bem ou mal com isso tudo. Eis o mistério das linhas de ônibus.
Mesmo de "Volvo" não há horário respeitado, judiaria do tempo perdido nesses veículos. É terrivelmente cansativo seguir para o trabalho com duas horas ou mais de adiantamento... Eis um dos mistérios do stress.
ResponderExcluirAbraços!