
http://www.youtube.com/watch?v=TW_QM0H0ZYg
Chico revela em seu novo disco um discurso interno, mais precisamente, de um apanhado de memórias sob as quais revive de modo singular e autêntico. Parafraseando Gustavo Bonin que fez uma análise maravilhosa sobre esta obra e diz em questão da mesma que o narrador em Chico busca um relato no fundo do baú, comparando-se até mesmo ao Brás Cubas que narra suas memórias após a morte. O disco, enfim, apresenta inúmeras personagens com suas características, emana-se de um modo reflexivo sobre o amor, o sentimento, esta coisa perturbadora que nos deixa emaranhados e amarrados sobre nós mesmos.
Seu discurso subalterno, rico de elementos populares também faz parte de um pano de fundo bastante conhecido (muito mais em prática do que em teoria) que é exatamente, tomando o termo sugerido pelo grande teórico filósofo francês Gilles Lipovetsky, a hipermodernidade. Este termo sugere pensar a música “Querido Diário”, que apresenta aspectos hiper-reais, fundamentais para repensar o meio social no qual a vida se insere. Esta música baseia-se sob uma improbabilidade dos fatos dentro do momento hipermoderno. Compreende-se como uma melodia harmonizada em meio a um anseio subjetivo no discurso musical em pequenas sutilezas, uma voz vinda de um lugar profundo, sem muita expectativa. Se lida, porquanto, com uma disfunção da linguagem e esta, ainda que rebuscada e incompreendida diante de seus relatos, abrange uma grandeza ínfima que serve de parâmetro ao fato real em que o dia-a-dia causa.
Sob as palavras de Linda Hutcheon, a poética pós-moderna trata-se do “que é e como se dá” esta incompreensão realista. Trabalha-se num ambiente de desordem e fatos antigos, reinventados pelo olhar do narrador.
A canção enuncia perguntas que não são respondidas em torno da trama, enuncia também prodígios de pensamentos pelos quais o narrador perpassa um mundo imaginário, um caos desorganizador, pensa em ter religião, amar a uma mulher sem orifício. E hoje, afinal, conhece o amor, este objeto que se mostra como uma obscura trama.
Através de um emaranhado descaminho, a canção restaura uma beleza que se havia sido esquecida. A narração plausível e leve com novas memórias e situações aborda a temática da desventura e revela, a partir de então, aspectos contemporâneos que são, ao mesmo tempo, causa e efeito.
HUTCHEON, Linda. Poética do pós-modernismo. Rio de Janeiro: Imago,
19 91.
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2763082-EI6782,00-Entrevista+Gilles+Lipovetsky+parte+I.html
http://www.chicobastidores.com.br/
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