Eu não via a hora da aurora chegar
Toda dissimulada em cima da hora
Eu tinha dentes e arrepios
E eu sentia saudades de tudo o que fosse seu.
A minha demora talvez
Anunciasse um mar reflexivo como um poema
E a demora que vinha da aurora me confundia.
Era como o meio dia de lembranças e alegrias
Dias vindouros de um passado neutro,
Mas, quase de súbito a luz sem queixa de sombra
Reaparecia; era ela, a aurora
Que de tempos em tempos me sorria.
Os passos eram desconcertantes
E a medida do carinho era um paraíso.
Sorriso sobre sorriso em nuvens
Após as chuvas de dias infindos.
E lá no finzinho da estrada vinha ela mais uma vez
Despida de um sol maduro e belo
Cabelos tranquilos em um olhar sorridente
Dentes esbranquiçados como leite
E uma foto nas mãos escondia a sua presilha;
A aurora que vinha num vestido longo e sujo
Mas tão querida e esperada por mim
Numa solidão esquecida e amanhecida
Que eu até não sabia se era ela ou se era eu.

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