quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Coisas de Política





Estava à toa na vida o meu amor me chamou pra ver o mar. Um dia de sol, lindo com uma vista magnífica. Vislumbramos por horas aquelas paisagens e voltamos à cidade. Esta loucura não cessa. Ela deita-se sobre o sofá calmamente com o controle remoto na mão liga na Rede globo. Passa uma novela que a meu ver todos devem amar, pois sua audiência é mil. Dormimos, enfim, após o cansativo dia de passeio.
Acordamo-nos dispostos num sábado de frio e resolvemos passear pelo calçadão, é sempre bom fazer uma caminhada pela manhã, mas, esquecia-me de que estamos em época de política e, por falar nisso, ao passo que nos aproximamos da praça, surgem bandeiras, adesivos, cartazes e carretas com as piores paródias possíveis de candidatos. Amedronto-me por alguns instantes e continuo a caminhar de mãos dadas com meu amor. Neste momento chega mais para perto um homem de estatura baixa, um pouco tímido, entrega-me um folheto e diz: “Vote em mim, sou honesto”. Eu o observo de canto e respondo que sim. Em seguida vem outro, um pouco mais alto, feio que se parece com uma baitaca, um pouco gago, reluta-se e diz: “Eu já fui da polícia, fui da política e já fiz mais de cem partos, salvei mais de trezentas criancinhas, conto com sua ajuda”, eu ainda trôpego sorrio alto e o sujeito não acha nada engraçado, levo um belisco do meu amor e continuamos a caminhada. Respondo que sim.
Depois, ao lado da padaria em que estamos a degustar alguns doces, passa um cara parecido com o Seu Madruga a pedalar sua bicicleta e jogar “santinhos” por todo calçadão, e o detalhe que na parte de trás de sua bike há uma caixa de som, pela qual sai uma sinopse de Michel Teló ou coisa do gênero, quase me afogo com o doce. Percebo que a coisa começa a se complicar. Respondo que sim, antes dele se pronunciar e faço que sim com a cabeça. Pergunto-me, por que será que estes anúncios impressos de políticos se chamam “santinhos”? (sem resposta. Apenas silêncio).
Recebo por fim uma revista de três partidos. Chegamos a casa e folheio algumas de suas páginas, percebo que um homem “sério” que contava dinheiro se candidatou, o faroleiro também. A moça triste que vivia calada se candidatou e a meninada toda se candidatou. A situação está ficando um horror. A cidade toda se enfeitou de colorido, parece natal, porém, sem presentes. À tarde recebo visita inesperada, um grande amigo de infância. Ao vê-lo me felicito e pergunto na maior e mais ingênua brincadeira: “Você se candidatou também, para vir me visitar”? E ele responde no ato: “Sim, meu caro amigo, aqui está meu número e o “santinho”, conto com seu apoio”. Me dá a mão para um simplório cumprimento. Faço que sim e sorrio. E cada qual no seu canto, e em cada canto uma dor depois do candidato sair falando coisas de política. 

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