Estava à toa na vida o meu amor me chamou pra ver o mar. Um
dia de sol, lindo com uma vista magnífica. Vislumbramos por horas aquelas
paisagens e voltamos à cidade. Esta loucura não cessa. Ela deita-se sobre o
sofá calmamente com o controle remoto na mão liga na Rede globo. Passa uma
novela que a meu ver todos devem amar, pois sua audiência é mil. Dormimos,
enfim, após o cansativo dia de passeio.
Acordamo-nos dispostos num sábado de frio e resolvemos
passear pelo calçadão, é sempre bom fazer uma caminhada pela manhã, mas,
esquecia-me de que estamos em época de política e, por falar nisso, ao passo
que nos aproximamos da praça, surgem bandeiras, adesivos, cartazes e carretas
com as piores paródias possíveis de candidatos. Amedronto-me por alguns
instantes e continuo a caminhar de mãos dadas com meu amor. Neste momento chega
mais para perto um homem de estatura baixa, um pouco tímido, entrega-me um
folheto e diz: “Vote em mim, sou honesto”. Eu o observo de canto e respondo que
sim. Em seguida vem outro, um pouco mais alto, feio que se parece com uma
baitaca, um pouco gago, reluta-se e diz: “Eu já fui da polícia, fui da política
e já fiz mais de cem partos, salvei mais de trezentas criancinhas, conto com
sua ajuda”, eu ainda trôpego sorrio alto e o sujeito não acha nada engraçado,
levo um belisco do meu amor e continuamos a caminhada. Respondo que sim.
Depois, ao lado da padaria em que estamos a degustar alguns
doces, passa um cara parecido com o Seu Madruga a pedalar sua bicicleta e jogar
“santinhos” por todo calçadão, e o detalhe que na parte de trás de sua bike há
uma caixa de som, pela qual sai uma sinopse de Michel Teló ou coisa do gênero,
quase me afogo com o doce. Percebo que a coisa começa a se complicar. Respondo
que sim, antes dele se pronunciar e faço que sim com a cabeça. Pergunto-me, por
que será que estes anúncios impressos de políticos se chamam “santinhos”? (sem
resposta. Apenas silêncio).
Recebo por fim uma revista de três partidos. Chegamos a casa
e folheio algumas de suas páginas, percebo que um homem “sério” que contava
dinheiro se candidatou, o faroleiro também. A moça triste que vivia calada se
candidatou e a meninada toda se candidatou. A situação está ficando um horror. A
cidade toda se enfeitou de colorido, parece natal, porém, sem presentes. À
tarde recebo visita inesperada, um grande amigo de infância. Ao vê-lo me
felicito e pergunto na maior e mais ingênua brincadeira: “Você se candidatou
também, para vir me visitar”? E ele responde no ato: “Sim, meu caro amigo, aqui
está meu número e o “santinho”, conto com seu apoio”. Me dá a mão para um simplório
cumprimento. Faço que sim e sorrio. E cada qual no seu canto, e em cada canto
uma dor depois do candidato sair falando coisas de política.

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