segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O cheiro da primavera




Tempo de primavera quando as flores começam a aparecer. O cheiro que aumenta no ar é de liberdade, a natureza em sua coragem em dizer o que pensa. E é assim o tempo inteiro durante o dia. Quando chega a noite a coisa aumenta, a lua em sua imensidão diz boa noite em tom singelo.
Eu caminho pela madrugada, ando uma distância incrível até chegar ao Rio Açude. Lá me escondo por entre arbustos e resolvo me visitar. Chego a pensar que deliro mas, no fundo, a coisa é outra. Encontro-me de frente com uma donzela de cabelos reluzentes, olhos que brilham como estrelas e um jeito de musa. Aproximo-me para de fato saber se é real ou ilusão. Ao passo em que penso que talvez tudo aquilo seja uma confusão porque até poucos minutos atrás eu estava sozinho no silêncio da mata.
O cheiro me abastece de uma alegria imensurável, e de pouco em pouco a figura daquela mulher some sobre o rio. A fantasmagoria de minha cabeça criou uma vida inteira para depois, no silêncio, não abstrair nada ao mundo material. 
Desço uma barranca em passos largos até chegar a uma balsa velha de cor azul. Ligo seu motor e fujo sem rumo. Em pouquíssimos instantes me deparo com pescadores na barragem, olham-me de viés e tropicam algumas palavras:

- O que foi? Está perdido?
Eu, ainda inconsciente, ébrio respondo que não.
- Cara maluco – ouço vozes baixas e me vou aos poucos rio acima.
Chego a uma tribo de pessoas que não me reconhecem, mas, sou parte deles. Em tempo de segundos começam a me perseguir, falta-me fôlego, falta-me voz e força. Na hora em que esparramo coisas sobre o chão para se ter alguma saída os meus olhos se abrem. Tudo não passou de um sonho. Vou até a cozinha rapidamente, ligo a TV e no mesmo instante sinto um cheiro de primavera e novas perspectivas reaparecem na rua. 

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