quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Palavras


Chego à conclusão de que não devo proclamar de forma cruel o que sinto. Devo somente ser liquefeito, porque sou humano e fugaz. De nada resolve querermos resolver tudo de uma só vez, porque a vida não basta e, embora curta, devemos nos emancipar daquilo que nos faz bem e reciprocamente, fará ao próximo. Acredito que de tudo o que digo, abstraio uma porcentagem suficiente de valores. O ser - humano é dotado a pensar em si próprio, produzir coisas aos outros tendo como intermédio, si próprio. Amar ao outro tendo por base, si próprio. Por isso é eloqüente e promíscuo. Age com imaturidade e não obstante reflete o outro como se fosse um espelho à sua frente.
As teorias surgem no mundo e na vida simplesmente para fundamentar uma prática, todavia, acredito que implacavelmente durante séculos de estudos, o mais difícil foi pôr em prática a letra de Cristo: “Amarás ao teu próximo”. Isto é a coisa mais fácil e mais difícil de fazer. Porque o próximo é diferente. Estabelece um vínculo comparativo pelo qual todo o mundo se irrita. A disparidade das coisas do mundo serve para elucidar e refletir um conteúdo social. “Cogito, ergo sun”, basicamente sou eu o dono do meu nariz, mas, de vez em quando tenho enorme vontade de comandar o nariz d’outro. O ser – humano é dotado de razão e capacidade, por este motivo é incapaz.
Chego à conclusão de que a idade traz o silêncio e neste silêncio, de forma constante surge um tom em alto timbre de piano e violinos de J. Pachelbe, enquanto abastece-se uma taça de Malbec que suja friamente a toalha branca. E de todas estas palavras que exprimo ao meu filho, eu acredito completamente por intermédio dos meus compatriotas que, ainda que eu tenha escrito bonito, não chego a lugar algum com minha insignificante poesia.

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