quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Um atropelamento?


Um carro veio em contramão na avenida principal do Passeio Público e atropelou uma velhinha. Pobre senhora com uma sacola nas mãos, almofadas nos pés e um chapéu de palha sob a cabeça. O Joel, taxista do Largo passa no exato momento, vê o alvoroço e para seu veículo hidramático, automaticamente desliga a chave e corre em direção ao tumulto. Surge um louco visionário que prevê futuros, diz que neste instante soltar-se-á uma dinamite nos calcanhares dos infames do Müller. Em seguida, como num toque de mágica surge o prefeito da cidade, inicia-se uma conversa fiada destas difíceis de ver em homens públicos. A velhinha, ainda estática na calçada, quebrada, esbaforida suspira lentamente, cospe ao chão um sentimento de raiva, desprezo, sei lá o quê. Depois disso surge uma confusão, uma mistura de sustos, comício e feira. A ambulância chega aos barrancos no local do desastre, uma kombi velha 72, sai esfumaçando dentre a praça dos pelados, cruza a Tiradentes e chega no centro, sei lá o que se dá depois, não leio jornal, não assisto tevê. Eu sou um pouco bitolado às vezes. Depois saem estas notícias todas nas bancas, mas, sei lá, nem compro jornal. Prefiro o mundo irreal, talvez eu tenha sido a personagem louca, visionária da dinamite e acabo de estourar por dentro um conchavo de milagres. Não sei como chamar isso tudo, porém, ninguém deu a mínima pra velhinha.

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