quarta-feira, 14 de março de 2012

Monólogo de um bêbado



Luz, câmera, ação!

Sou um titã. Ando armado. E não interfira o meu caminho, morou brother? Eu estou caído, sim, caído estou, mas, minhas palavras ainda exprimem parte de minha vida que é transeunte e polêmica aos olhos das velhinhas virgens que frequentam a igreja nas quintas à tarde. Não! Eu não sou nenhum abestalhado sem compromisso com uma sociedade indisposta em ajudar os mais necessitados porque eu, simplesmente ontem era um homem poderoso e rico e hoje aqui estou à navalha de uma agonia pobre e fedida. Não há do que temer, não tenho mulher nem filhos, não tenho sorrisos nem destino, vivo enclausurado, preso por dentro e meu aperto que sofre às vezes um coração dolorido cheio de mágoas em ver tanta diferença social pelas ruas. Aos mais ricos eu não existo, aos mais pobres sou um pedaço de carne e aos miseráveis como eu, chamam-me por poeta.
Não me identifico por nome, mas pela coragem em desistir de tudo para seguir uma vida emaranhada de conflitos e perturbações. E se creio em Deus sou parte de um sistema, no entanto, não deste sistema banal criado pelas pessoas, mas da minha religião sob a qual sigo dispostamente e feliz com uma alma ainda com esperanças e fé.
Compraram minha liberdade. Vendi a preço de banana. Sou despedido do trabalho e saio em passos curtos em direção a um lugar que não existo. Bebo uma dose de vodka, outras mais, o garçom me abastece de um álcool infeliz como eu. Não tenho notícias de mim mesmo, perdoe-me pelas minhas falhas. Na esquina recebo alguns trocados. As pessoas passam apuradas, transtornadas e cheias de mágoas. Arrebentam-se os semáforos retrógrados e iguais. Alguns ainda me olham distorcidos e tímidos, dá a entender que às vezes pensam que têm culpa sobre o meu estado. E no fundo, têm.
Discordo de suas palavras, caro governador. Ontem te ouvi no rádio da banca de jornal. O senhor ainda pensa que o Estado é um prodígio, levanta seu tom de voz como se fosse prometer o mundo, os seus projetos estão equivocados. Deveria, antes de qualquer coisa, dar mais atenção à educação dos jovens e saúde de nossos cidadãos. Por que pensar tanto em copa do mundo, em receber estrangeiros que não se importam conosco? Por que nós não nos importamos conosco? Estou exausto, preciso deitar-me agora nesta calçada. Com licença.

Fecham-se as cortinas!

Abrem-se as cortinas!

(Na passeata, em greve por melhores salários aos profissionais da educação)

Estou há alguns dias com incertezas prolíferas sobre o futuro desta nação. Nada vai dar certo se antes de qualquer coisa não nos mudarmos interiormente. Cansei-me de esbaforir palavras sólidas de minha boca. De agora em diante, como professor e servente, direi apenas o básico. Transformar uma nação é trabalho para poucos, banalizá-la, até os sinceros o fazem. Portanto, senhoras e senhores, prestem atenção no que eu vou dizer. Se amanhã não entrar nova liminar e se nós, profissionais continuarmos agindo de maneira supérflua e inútil, o país sofrerá grande queda no nosso maior patrimônio, o conhecimento.
O governo mais uma vez prova que está influenciado por grande dosagem de engano e precisamos nós, como bons cidadãos, apresentar projetos futuros para uma futura nação. O governo, senhores, é plural, ele é sistemático e persuade-nos facilmente. Porém, em sua casa às escondidas diz que conseguiu dominar-nos mais uma vez como em tantos anos.
Peguemos nossas armas e sigamos. Vamos em frente lutar por um país melhor e mais justo para com todas as pessoas. Obrigado. Não há aplausos.

(O governo em casa):
- Este cara pirou de vez. Isso é dialética de bêbado.

(Um tiro ecoa no palácio)

Fecham-se as cortinas.

FIM.



2 comentários:

  1. Olá Everdi Bromka:

    Sou um estudante da língua portuguesa e encontrei o seu blog por acaso enquanto estava tentando me tirar uma dúvida de gramática (sobre o uso de "chamo-me" no Brasil). Você escreve tão bem! Você tem mais uma leitora hoje. Muito obrigada por compartilhar o seu talento e os seus pensamentos. Estou esperando ler os próximos. Bom día!

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  2. Olá! Que bom saber que gosta de meus escritos. Fico muito honrado e feliz. Obrigado e muito sucesso, sempre. Sds Literárias.

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