Até pensei que fosse um risco te amar. Essa coisa incrédula que permeia minha cabeça por vasto tempo e não me dá explicações razoáveis. O meu silêncio grita. Acomete-se perpetuamente entre flashes pelos quais me precipito em baixar os olhos ao chão num impasse solúvel de aflição e medo. Contudo, sinto a minha idade resoluta e imprópria para sofrimentos. Calo-me de vez com tristes notificações do passado. Disco cheio.
E do amor intenso que causava o medo, agora se faz em saudade. Quase nunca as rosas se abrem no outono, porém, a minha esperança deste milagre é como as ondas do mar que vêm límpidas e próximas e se vão levando da beira da praia suas impurezas e destroços.
Sentado sob essa poltrona frouxa que se estremece a cada
nova palavra eu me lembro de hoje, quando um menino de dezessete chegou-me e
perguntou-me sobre o amor. Ele se envolveu em palavras tristes:
- Doutor, eu gostaria de saber o que há comigo. Eu amo. Amor
uma menina que não me quer, embora ela me dê atenção e creia em mim, ela não me
quer e com isso eu sofro, choro e quase morro.
Eu, a ouvi-lo em suas diásporas de louco da idade não
respondo. Depois de dez minutos ele me interroga, por que razão o meu silêncio
o detona? Respondo com clareza que esse seu sofrimento irá passar. Que na vida
tudo tem um sentido, ainda que algumas vezes nós, seres imperfeitos tentemos
não acreditar. Respondo que com o tempo ele refletirá sobre seus atos passados
e rirá de suas esquisitices. Basicamente a vida se resume em um ponto único; o
agora. Por este ponto, o passado e o presente já não existem. Porém, por outro
lado, o passado são os pilares de nossas vidas, e o futuro o telhado em que
devemos agir lucidamente para não se ter nenhuma decepção. (A vida é tomada por
decepções).
O menino me agradeceu naquele dia. Disse que não entendera
absolutamente nada do que eu lhe dissera, mas, que faria o possível para
digerir minhas palavras com a melhor das intenções. Hoje estou cheio de
memórias e predições. Futuros lançamentos da memória. Coisas que devem ser
postas em papéis. Lá
no fundo eu confio que tudo faz sentido. Os domingos, os sábados e as segundas.
Amo em tantos kbytes. Tenho milhões de ideias novas, infinitas palavras de
amor. Estão todas guardadas no inconsciente, são poemas, prosas e relíquias.
Tomara que eu volte ao normal. Tomara que amanhã um amor
reconstruído me estimule a construir apartamentos inteiros. A minha maior
esperança é ter esperança sem negar minha identidade. Eu aprendi que para ser
feliz basta procurar a felicidade, e mesmo a sua procura, caso a não encontre,
outras felicidades aparecerão e contagiar-me irão entre infinitas
possibilidades. E o menino de dezessete há de me responder daqui algum tempo
que eu realmente tinha razão. Que aquela paixão é o seu maior amor por toda a
vida. E os mundos se reconstituirão, outros planetas se formarão. Outras
galáxias se farão e o amor dele, o seu grande amor será o mesmo. E seu
sofrimento será o combustível, meteoro de luz sob o qual viverá. E eu, agora
tenso da idade, em fase de absorção do conhecimento, dedicarei meus versos às
moscas de padaria. E desabrocharei por vezes como as rosas no inverno. Meus
olhos se esquivarão dos olhos tristes e desesperados das memórias, e as
histórias se farão de nuvens e sonhos.

Muito lindo! Está se superando nas poesias rsrs...
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