quarta-feira, 4 de abril de 2012

Tomara...




Até pensei que fosse um risco te amar. Essa coisa incrédula que permeia minha cabeça por vasto tempo e não me dá explicações razoáveis. O meu silêncio grita. Acomete-se perpetuamente entre flashes pelos quais me precipito em baixar os olhos ao chão num impasse solúvel de aflição e medo. Contudo, sinto a minha idade resoluta e imprópria para sofrimentos. Calo-me de vez com tristes notificações do passado. Disco cheio.
E do amor intenso que causava o medo, agora se faz em saudade. Quase nunca as rosas se abrem no outono, porém, a minha esperança deste milagre é como as ondas do mar que vêm límpidas e próximas e se vão levando da beira da praia suas impurezas e destroços.


Sentado sob essa poltrona frouxa que se estremece a cada nova palavra eu me lembro de hoje, quando um menino de dezessete chegou-me e perguntou-me sobre o amor. Ele se envolveu em palavras tristes:
- Doutor, eu gostaria de saber o que há comigo. Eu amo. Amor uma menina que não me quer, embora ela me dê atenção e creia em mim, ela não me quer e com isso eu sofro, choro e quase morro.
Eu, a ouvi-lo em suas diásporas de louco da idade não respondo. Depois de dez minutos ele me interroga, por que razão o meu silêncio o detona? Respondo com clareza que esse seu sofrimento irá passar. Que na vida tudo tem um sentido, ainda que algumas vezes nós, seres imperfeitos tentemos não acreditar. Respondo que com o tempo ele refletirá sobre seus atos passados e rirá de suas esquisitices. Basicamente a vida se resume em um ponto único; o agora. Por este ponto, o passado e o presente já não existem. Porém, por outro lado, o passado são os pilares de nossas vidas, e o futuro o telhado em que devemos agir lucidamente para não se ter nenhuma decepção. (A vida é tomada por decepções).

O menino me agradeceu naquele dia. Disse que não entendera absolutamente nada do que eu lhe dissera, mas, que faria o possível para digerir minhas palavras com a melhor das intenções. Hoje estou cheio de memórias e predições. Futuros lançamentos da memória. Coisas que devem ser postas em papéis. Lá no fundo eu confio que tudo faz sentido. Os domingos, os sábados e as segundas. Amo em tantos kbytes. Tenho milhões de ideias novas, infinitas palavras de amor. Estão todas guardadas no inconsciente, são poemas, prosas e relíquias.
Tomara que eu volte ao normal. Tomara que amanhã um amor reconstruído me estimule a construir apartamentos inteiros. A minha maior esperança é ter esperança sem negar minha identidade. Eu aprendi que para ser feliz basta procurar a felicidade, e mesmo a sua procura, caso a não encontre, outras felicidades aparecerão e contagiar-me irão entre infinitas possibilidades. E o menino de dezessete há de me responder daqui algum tempo que eu realmente tinha razão. Que aquela paixão é o seu maior amor por toda a vida. E os mundos se reconstituirão, outros planetas se formarão. Outras galáxias se farão e o amor dele, o seu grande amor será o mesmo. E seu sofrimento será o combustível, meteoro de luz sob o qual viverá. E eu, agora tenso da idade, em fase de absorção do conhecimento, dedicarei meus versos às moscas de padaria. E desabrocharei por vezes como as rosas no inverno. Meus olhos se esquivarão dos olhos tristes e desesperados das memórias, e as histórias se farão de nuvens e sonhos. 

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