terça-feira, 23 de julho de 2013

Como neve



Neva em meu coração
Como neva em minha cidade.
Lembro-me do convés de minha tenra idade
Quando era criança e a distância
Não fazia diferença alguma
Porque se amava perdidamente.

Hoje neva uma neve fininha
Solvente em flocos doces como uma sinfonia.

O gelo sedoso se derrete aos poucos
Durante o dia
E perdidamente na mesma harmonia
Eu apenas sou coadjuvante.
Não mereceria papel importante nesta
Chuva de gelos em gelos claros
que se intensificam à luz do sol.

Faço-me desta instância

Uma imprudência.
Se, de fato o tempo ou a glória
Dele se atentam sob minha ausência
Então, já nem papel de nada tenho.

Apenas observo a neve tão linda,
Que aos poucos gela em meu peito.
É tímida a tal neve,
Cai lentamente a combinar com tantos
Sonhos enfrentados em tantos tempos.

Neva como a esperança de amar aos poucos,
Pois é assim que se constroem corações
Fortes para resistirem a fortes paixões.

Novos dias hão de nevar
E nesta nuance.
Nevar-se á de notas cada olhar. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário