segunda-feira, 1 de julho de 2013

"Nosso romance"

"Tenho medo do dia em que a tecnologia vai sobrepor a interação humana. O mundo terá uma geração de idiotas" A. E.

Houve, sim, um dia em que nos encontrávamos e queríamos saber um do outro. “Como foi seu dia”? Eu dizia, e logo como resposta vinha um “Dia completamente lindo” em uma noite perfeita. Depois nos encontrávamos e às vezes sentíamos muita falta um do outro, então eu resolvia lhe escrever, porque eu amava tudo aquilo. Eu escrevia e por incrível que isso pareça hoje em dia, a carta chegava até as suas mãos. Em seguida me respondia cartas com pesadelos, outras com palavras doces, mas todas com muita riqueza. Até hoje as guardo, é verdade.
Eu adorava todo aquele momento em que fazíamos de nossas vidas uma grandiosidade sem tamanho. Nos víamos e não tínhamos muitas instruções sobre como nos comportar. E quando notávamos alguma notícia relacionada a você ou a mim, quase acabávamos por morrer. Era um tempo diferente no qual dominávamos nossa existência através de uma ansiedade diferente. Predicamentalmente eu lhe via, lhe notava e apetecia, ao menos no início de nosso romance. Eu me acabava de vergonha e não sabia o que dizer e, é exatamente por isso que dominava o jeito de escrever de forma a te seduzir com minhas humildes letras. E repito: Eu quase morria.
Depois ouvíamos nossas músicas no rádio cassete, sim. Fitas eram perfeitas, pois gravávamos coisas por cima e ficava uma bagunça danada; sem contar que também ouvíamos discos, alguns ainda tenho guardados. Era uma maravilha. Contudo, em certo dia aconteceu de nos encontrarmos diariamente, eu lembro como se fosse agora, lembro também das folhas verdes que caiam ao chão em um dia de frio com neblina. Esta imagem, te juro, é um quadro em minha memória. Porém, acabaria minha história. Relatarei outra estória, a qual banalizada sobre meus versos mudos nos encontramos em outros tempos. Hoje, se nos vemos ou nos beijamos, é tudo tão fugaz. Nada de se demorar aqui ou acolá. Qualquer migalha serve. O disco se foi, as fitas também, eu, você. Hoje temos o computador, o celular e quando me lembro já é hora de parar de digitar, pois minha filha está aos berros lá na sala. Eu já não tenho paciência para essas coisas, mas, preciso ir. Hoje nós somos apenas resquícios de uma época que não haverá de voltar, apenas ir, não sei aonde. Conquanto que somos, seremos apenas o almejado, o bolor, a ferrugem. Eu acho que estamos ficando velhos e pelo que percebo, nossa juventude não quer saber de nós. O distanciamento nos torna fúteis e inúteis e acredito, benevolamente, que estamos regredindo ao estado dilacerado para nada, sem significado algum.

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