sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Em canto


Encanta-me um pingo do seu amor;
Eis miraculoso e cheio de dedos
Como num arrombo de sonhos se chega, pede, despede e se vai.
Encanta-me o seu jeito
Que some, mas sem jeito explode
Numa circunstância de tempo que desvanece ausente.
Causa-me espanto te ver passar
E numa algema de dores reapareço:
- como está clara a noite!
- Foi o paraíso que me deixou assim, seca!
E num instante cheio de surpresa
A realizar-se num plano de sentidos;
Surge no fundo da calma uma voz bondosa
Que dita algumas regras:
- Neste íntimo do ser realiza-se um silêncio,
E é por um tempo sem medida.
E o seu amor ainda me encanta
Como quem canta de tédio aos prédios
De uma cidade sem fim.
E me encanta sua dança a sua presença
E a sua ausência me causa dor.
Mais uma vez eu me esqueço
E digo entre meus versos assim:
- Sou eu quem te diz o que quiser ouvir.

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