segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Ato como fonte da vida, em O Livro de Eli


O Livro de Eli (no original em inglês The Book of Eli) é um filme norte-americano do gênero ação e ficção científica de 2010, dirigido por Albert Hughes e Allen Hughes, escrito por Gary Whitta e estrelado por Denzel Washington, Gary Oldman, Mila Kunis e Jennifer Beals.
Após um apocalípse em que a Terra fora devastada por uma guerra nuclear, Eli (Denzel Washington), um homem que vive perambulando há 30 anos em direção ao oeste, chega a um vilarejo cujo "prefeito" Carnegie (Gary Oldman) procura incessantemente por um livro que, segundo o próprio, trará a ele o poder para governar as pessoas. Trata-se da Bíblia Sagrada, livro que Eli tem em sua posse e que é o motivo que faz viajar rumo ao Oeste, onde entregará o exemplar da Bíblia, que possívelmente seja o último.
O Livro de Eli trata de uma complexidade fundamental aos dias que transcorrem. Interessante ter em mente a perspectiva dualística que existe entre o processo de entendimento da palavra propriamente dita Divína. Em sua devida proporção, Eli vive uma miséria para alcançar um destino muito distante. Em meio a seu trajeto encontra conflitos que o denigrem como ser-humano. Ao passar do tempo o personagem principal carrega um segredo imparcial, isto é, a palavra divina. Carnegie é o único ser, além de Eli, que conhece o poder do Livro sagrado. O antagonista o usaria, deste modo, para um fim ilícito, representando por sua vez um poder persuasivo e retrógrado da sociedade sobre a Bíblia, usando-a para a arrecadação de dinheiro, buscaria fiéis e fundaria, enfim, sua igreja. Esta instabilidade é retida por Eli, que em todo momento proteje o livro até alcançar, no oeste, uma indústria de impressão gráfica, (seu destino) porém, neste ato Carnegie já havia tomado o livro do personagem e descobre, ao abri-lo, que fora escrito em Braile. Por outro lado, Eli guarda toda a palavra em sua mente, processa suas informações e as dita para o representante gráfico, levando dias até o final deste trabalho. Eli seria cego, e sua fé agiria como movedora de seu mundo? Talvez, sim. Em um lugar distante, em meio a um caos desorganizador, o mundo inteiro revive a reconstrução da palavra santa e diante desta informação, os cegos (representados no filme pelos analfabetos) tem sua razão muito próxima de suas mãos mas, ainda sob uma ambição retrógrada, permeia em não se aproximar do livro que tão meramente se infundou. Eli sabia, desde o início que a maior virtude do ser-humano é viver em meio à palavra de Deus, não somente a ter como suposta guia, mas adaptá-la como prática existencial.

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