segunda-feira, 30 de maio de 2011

Poeira


A poesia me aniquilou
Tornou-me repulsivo
Não esqueço
Não me lembro
Se a coragem de poeta
Aconteceu ou se raiou.

Nas basta, poeta, apenas escrever:
- porque agora vives num mundo doido!
A doideira não passa de um intervalo
Entre uma geração e outra.

Acontece, criado mudo, sob os meus sonhos
Um turbilhão de estrelas
Que talvez já tenham sido apagadas,
Mas, mas... mas elas ainda iluminam
Por causa da longitude que demora a me chegar...

A poesia me repetiu de vez
Palavras surdas quase tortas
Mas palavras certas exatas...

Agora sou eu, poeta, imaginando-me
Parte desta poesia
Que se fez no inverno de dia alegria
Sou-me dentro dela quanto o fundo
Da vida é em meio ao ar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário